28 de dezembro de 2015

Robert Mondavi Private Selection Zinfandel 2012

Em um desses dias de dezembro, um amigo chamou a turma pra comer uma costela de boi. A costela foi preparada pelo filho dele, que tem dotes culinários e aspirações a chef. Segundo o filho, foi temperada seguindo uma receita do Jamie Oliver, e assada lentamente no forno por 6 horas. Não sei como é o preparo do Jamie Oliver, mas sei que ela tinha pimenta e mostarda. Além disso, sei que estava muito boa, carnuda, muito suculenta, e bem temperada.


Pra acompanhar, eu resolvi levar um Zinfandel, que tinha ganhado de presente havia poucos dias, e que achei que tinha tudo a ver com a costela: o Robert Mondavi Private Selection Zinfandel 2012. Robert Mondavi foi um dos grandes nomes da produção vinícola no mundo; revolucionou o mercado de vinho dos Estados Unidos e influenciou drasticamente o marketing de vinhos em todo o mundo. Apesar de conhecer sua fama, foi a primeira vez que bebi um de seus vinhos, quer dizer, um que leva o seu nome.

18 de dezembro de 2015

Harmonizando Beef Wellington

O tema do último encontro da Nossa Confraria foi harmonização com Beef Wellington, um clássico da culinária britânica. Nosso confrade, o personal chef Alexandre se dispôs a preparar a clássica e intrincada receita.

9 de dezembro de 2015

Retsina com frutos do mar no Chef Theo

Era sábado, e Thais sugeriu almoçarmos no Chef Theo. A comida lá é muito boa, e não é tão cara quanto outros restaurantes do mesmo nível, em Campinas. Como eles não aceitam cartão de crédito, eles não se vêem obrigados a embutir a taxa do cartão nos seus preços, e creio que isso lhes permite trabalhar com preços mais competitivos.

Outra coisa legal de lá é que eles permitem levar uma garrafa de vinho sem cobrar taxa de rolha, o que para um casal em um almoço, é mais do que o suficiente. Intencionado que já estava em comer peixes e frutos do mar, escolhi o Tetramythos Retsina, um branco grego que recebi pela Sociedade da Mesa.

5 de dezembro de 2015

Artisan Fetească Albă Barrique 2012


A Romênia, tradicionalmente, é um país com maior relevância de vinhos brancos. Não é que não haja bons tintos - já comentei sobre alguns ótimos no blog (veja aqui) - mas o país produz e consome mais vinhos brancos do que tintos. O consumo de brancos corresponde a 65% do mercado interno, e até há pouco tempo, correspondia a 63% da produção (recentemente a produção de tintos vem crescendo para atender ao mercado externo). Mas além de tradição e reconhecimento do público, eles possuem variedades de uva exclusivas, garantindo vinhos com uma tipicidade desconhecida para nós, com sabores exóticos e deliciosos.

1 de dezembro de 2015

Antonio Madeira Dão Vinhas Velhas 2012

Pra mim, considero um erro tentar mensurar a qualidade de um vinho tão somente pelo que se encontra na taça. Para poder reconhecer um grande vinho, é preciso conhecer a sua origem, saber de onde vem, como é a região, como foi produzido, quais os valores do produtor.

Vinha velha (Fonte)

Um exemplo disso são os vinhos de António Madeira, produzidos no Dão, no sopé da Serra da Estrela. São vinhos excelentes, deliciosos, mas certamente perderia-se muito da experiência por bebê-lo sem saber quem é o autor, como se iniciou o projeto, e como tem levado a cabo sua produção. Perderia-se muito do sentido de seu vinho.

28 de novembro de 2015

Merlot Sakar 1991 & 1992

Há dois anos, escrevi a respeito do Merlot Stambolovo 1991, da Bulgária. Um vinho de 22 anos (à época), produzido quando o país ainda enfrentava a transição entre o comunismo e o capitalismo. Nada de maquinário, todo o tratamento da vinha, até a colheita, era manual, pois o trabalho braçal na época era muito mais barato que máquinas. Ainda assim, era um vinhaço, para quem sabe apreciar a complexidade de um vinho evoluído. Eu adoro, e as oportunidades não são muitas, principalmente dentro de um limite financeiro que o meu orçamento suporta; por isso, aproveito quando encontro uma oportunidade dessas.

24 de novembro de 2015

Nossa confraria: #tapasyvinos

Às vezes nos esquecemos da variedade de vinhos que tem a Espanha. Com o massivo volume de Tempranillos, às vezes parece que vinho espanhol se resume a eles. Mas isso não é verdade. Tudo bem que a Tempranillo é muito importante no cenário vinícola espanhol, mas o país tem muito mais a oferecer: o clássico Cava, as mil facetas de Jerez, além de brancos, tintos e rosés feitos a partir de diversas outras uvas: Garnacha, Monastrell, Mencía, Moristel, Bobal, Cariñena, Albariño, Viura, Verdejo, Godello, Garnacha Blanca, dentre outras, sem contar o uso bem disseminado de variedades internacionais.

Com o intuito de explorarmos um pouco dessa diversidade, nossa confraria se reuniu em um encontro exclusivo de vinhos espanhóis, acompanhados de tapas e comidinhas. Entre as tapas, tínhamos azeitonas de diversos tipos, queijos, vários embutidos diferentes, pan con tomate, chorizo curado, castanhas, amendoins, e até barquinhas de beiju de tapioca, trazendo uma releitura brasileira para as tapas. Além desse monte de comidinhas, pra fechar com chave de ouro, ainda havia uma empanada de bacallao recheada sem dó, e devorada sem piedade.


Na seleção de vinhos, havia espumantes, Cava e não-Cava; um branco fresco de Rueda, terra da Verdejo; um clarete, um rosé 'quase branco', típico da Rioja; e um branco mais complexo da região de Bierzo, feito com uma variedade chamada Godello. Havia ainda três tintos, inclusive um com Tempranillo: um Rioja Gran Reserva. Mas para mostrar a diversidade, havia também um da região de Murcia, terra da Monastrell; e ainda um corte francês, com Cabernet, Merlot, Syrah e Petit Verdot. E para finalizar, ainda teve sobremesa, e não poderia faltar um vinho para acompanhar. E aproveitando o ensejo da Semana do Jerez, tínhamos um Jerez Cream.

21 de novembro de 2015

O "não-Cava"

Cava é o espumante da Espanha (se você acompanha o blog, já deve saber disso), mas a recíproca nem sempre é verdadeira. Isto é, nem todo espumante da Espanha é Cava. Sabe por quê?

19 de novembro de 2015

Airén, ilustre desconhecida

Você conhece a uva Airén? Já tomou um vinho feito dela? Pois saiba que ela é a variedade mais plantada da Espanha. E mais, há 25 anos atrás, era a mais plantada do mundo! [*] Hoje, perde para as famosas Cabernet Sauvignon e Merlot, mas segue à frente na Espanha da famosa Tempranillo. Mas como pode uma variedade tão desconhecida ter uma área de plantio tão vasta?

14 de novembro de 2015

Geografia dos vinhos da Bulgária

A Bulgária possui uma ligação com o vinho que data de 6000 anos. E nos anos 1980 chegou a ser o segundo maior produtor do mundo, atrás apenas da França. Mesmo assim, para nós os vinhos da Bulgária ainda são ilustres desconhecidos. Ou melhor, eram. Pois a Winelands tem importado uma grande variedade de rótulos do país, de diferentes produtores, diferentes regiões, e algumas variedades de uva completamente desconhecidas.

São vinhos de excelente custo-benefício, porque têm boa qualidade mas não são muito conhecidos em nenhum lugar do mundo. Por isso é possível encontrar ótimos vinhos com preços muito acessíveis. Mas como eles são pouco conhecidos, pode ser que algumas pessoas achem um pouco difícil escolher. Para ajudar a conhecer um pouco mais, elaborei este texto apresentando um pouco da geografia do país, explicando como ela define suas regiões vinícolas, e contando um pouco a respeito de algumas uvas muito interessantes que só existem por lá.

7 de novembro de 2015

Trufas e Orvieto: os tesouros da Umbria

É incrível como um vidrinho de trufas pode elevar a categoria de um almoço. Tudo bem, está longe de ser um item comum à nossa mesa, mas basta um vidrinho com duas trufinhas, um bocado de spaghetti, uma manteiguinha, umas folhas de sálvia, um vinhozinho e um queijo Pecorino Romano em lascas por cima, e temos um divino spaghetti al tartufo. Simples e fantástico.

4 de novembro de 2015

Jerez Cream Solera 1847, #sherryweek

Esta semana, de 02/11 a 08/11 é a Semana do Jerez. Para entrar no clima, trago a sugestão do Jerez Cream Solera 1847.

2 de novembro de 2015

Capril do Bosque e Bistrô, pra se esbaldar de queijo de cabra

O bistrô

Um fim de semana passado, eu e Thais fizemos um programa diferente. Fomos até Joanópolis, quase na divisa com Minas Gerais. O objetivo era conhecer o Capril do Bosque, e almoçar no bistrô local. Fiquei sabendo a respeito do lugar pelo Instagram da @liscereja (autora do blog Comer, Beber e Viajar) e fiquei babando nas fotos dos queijos e pratos.

29 de outubro de 2015

Aerar ou decantar: quais vinhos?

No texto passado, eu expliquei para que serve o decanter: para decantar e/ou aerar um vinho. Também expliquei o que significa cada um dos dois. Agora, vou dar algumas dicas mais objetivas: quais vinhos devemos decantar? E quais devemos aerar?

23 de outubro de 2015

Aerar ou decantar: eis a questão

Depois de um bom conjunto de taças, e um bom abridor de garrafas, o próximo apetrecho almejado por quem quer se aprofundar no mundo dos vinhos é o decanter. Mas você sabe para quê serve um decanter?

Foto original: Wine Enthusiast

15 de outubro de 2015

Nossa confraria: #noiteitaliana

Este ano, eu e Thais fizemos novos amigos que gostam de vinho, e criamos uma nova confraria. Ainda está tomando moldes, e tem se desenhado para ser uma confraria de enogastronomia, e não apenas de degustação. Nosso primeiro encontro teve o tema: comida e vinhos italianos, sugerido pelo confrade Alexandre, que ainda por cima é um personal chef, e por isso se encarregou do cardápio e preparação.

A Itália é, provavelmente, o país com a maior diversidade de vinhos do mundo. Tantas variedades de uva (mais de 300), tantas regiões, tantos métodos de produção, impossível reunir uma amostragem de menos de uma dezena de vinhos que se possa dizer que representam minimamente toda esta diversidade. Mas creio que a nossa noite, se não chegou perto, pelo menos reuniu a mais heterogênea seleção de vinhos que eu já vi: de Barolo a Moscato d'Asti, de Lambrusco tinto seco a 'Jerez' da Sardenha, entre outros. Acompanhe a seqüência de vinhos e pratos.

9 de outubro de 2015

Silvio Carta Vernaccia di Oristano Riserva 2004

"O mundo do vinho não cansa de nos surpreender e nos oferecer novas descobertas." Assim começa o texto de Luiz Cola (blog Vinhos e mais vinhos), a respeito do Silvio Carta Vernaccia di Oristano Riserva 2004. E não há forma melhor de começarmos a falar deste vinho.

4 de outubro de 2015

Artisan Tămâioasă Românească Sec

Há um mês, escrevi sobre a Tămâioasă Românească, uma uva aromática típica da Romênia. Tratava-se do Artisan Tămâioasă Românească Demidulce, produzido pela Aurelia Vișinescu. É um vinho de sobremesa delicioso, que recomendo muito.

Pois ele também tem uma versão seca, que se chama Artisan Tămâioasă Românească Sec 2012. É um vinho muito diferente do primeiro, mas igualmente complexo e intrigante. O nome diz seco, mas é seco, mesmo? Ou semi-seco? Ou salgado? É sério. É um vinho muito diferente, muito gostoso, muito interessante.

1 de outubro de 2015

Rīgas Melnais Balzams: o aroma balsâmico

Detalhe da fachada do prédio da prefeitura de Riga

Quando fiz um mochilão pela Europa, há muitos anos, uma das poucas coisas que trouxe na mochila foi uma garrafa do Bálsamo Negro de Riga. Este bálsamo é uma bebida alcoólica (45% a.b.v.), que entra na categoria de bitters, isto é, licores muito amargos, mais indicados para a confecção de coquetéis do que bebidos puros. É a bebida mais tradicional da Letônia, não porque seja a mais consumida, mas porque é original de lá, é produzida lá. É autenticamente letã. Não é difícil encontrá-la: em qualquer loja de artigos para turista, poderá encontrar uma garrafa para levar de lembrança; e em qualquer café ou bar haverá no cardápio alguns coquetéis elaborados com o bálsamo.

29 de setembro de 2015

Schornstein

Eu simplesmente tinha me esquecido da cervejaria Schornstein. Com sede em Santa Catarina, não faz muito tempo que abriram uma filial logo aqui do lado, em Holambra. Eu cheguei a visitar o bar, anexo à fábrica, logo quando começaram. Nem engarrafavam cerveja ainda: só vendiam em barril. Me lembro que tinha gostado bastante das suas cervejas, mas como não tenho ido a Holambra, acabei me esquecendo deles.

Até que, um dia desses, vi uma publicação no Instagram, do @opuromalte, comentando sobre a IPA, engarrafada. Resolvi procurar se encontrava dela em Campinas, e descubri o distribuidor: Campinas Chopp. Passei lá, e comprei duas garrafas para provar de novo, para me relembrar da cerveja. Comprei uma IPA pra mim, e uma Pilsen pra Thais, já que ela não gosta de cerveja muito encorpada.

27 de setembro de 2015

Château Henri Bonnaud Rosé AOP Palette

Produzido na microscópica região de Palette, a leste de Aix-en-Provence, e aos pés da Montanha de Sainte-Victoire, este vinho foi o último rosé remanescente de minha viagem à Provence, no ano passado. Comprei-o direto do produtor, o Château Henri Bonnaud, na adega localizada nos fundos da casa dos proprietários, o neto de Henri Bonnaud, Stéphane, e sua esposa, Géraldine. (Para conhecer os produtores e a região, leia o relato da minha visita, clicando aqui.)

15 de setembro de 2015

Quinta dos Termos Fonte Cal Reserva 2013

Este, eu trouxe de Portugal, direto do produtor, a Quinta dos Termos, quando os visitei no início deste ano (clique aqui para reler a fabulosa recepção que tivemos pelo Sr. João Carvalho, e sua esposa Sra. Lurdes).

Mas falando do vinho de hoje, o Quinta dos Termos Fonte Cal Reserva é um monovarietal, isto é, 100% feito com a Fonte Cal, esta uva especialíssima, este segredo a ser descoberto da Beira Interior. E pode-se dizer que a Quintas dos Termos sempre foi um dos principais apoiadores desta variedade. Como entusiasta da variedade, o Sr. João Carvalho criou, na quinta, o primeiro campo de clones de Fonte Cal, para realizar um estudo de seleção clonal da variedade, e com isso impulsionar seu uso na produção comercial. Portanto, não há dúvidas de que seus brancos são excelentes exemplares desta uva.

12 de setembro de 2015

Adolfo Lona Brut Rosé

No último mês de julho, corrigi uma lacuna grave no meu histórico: durante o Encontro de Vinhos Campinas, tive finalmente a oportunidade de conhecer Adolfo Lona e seus espumantes. Eu já conhecia sua reputação, e sigo seu blog (Vinho sem Frescuras), mas ainda não tinha tido a oportunidade de provar seus espumantes. Uma parte da razão, é claro, é porque não é tão fácil encontrar seus produtos. Como ele mesmo testemunha em seu blog, com a falta de apoio do governo e dos órgãos que deveriam ajudar a promover o vinho nacional, pequenos produtores como ele têm grandes dificuldades de fazer seus vinhos chegarem aos consumidores.

Adolfo Lona (à esquerda) e Diego Graciano, durante o Encontro de Vinhos Campinas.
Foto obtida do site Papo de Vinho.

8 de setembro de 2015

Cennatoio Vin Santo del Chianti Classico 1999

Quando vou a BH, gosto de ir ao Supernosso. Sempre acho coisas interessantes por lá. Alguns vinhos diferentes, e em alguns casos, vinhos muito bons com preços muito acessíveis. Desta vez, além de algumas opções já bem conhecidas, encontrei duas novidades da Toscana, ou mais especificamente, de Chianti. O outro, eu comentei no texto passado: Popolo Chianti Classico 2011, a R$29,90, que acompanhou com perfeição um risoto e um filé.

E este, o Cennatoio Vin Santo del Chianti Classico 1999, um vinho de sobremesa, estava com um preço igualmente incrível, desses de se desconfiar: R$39,90. Mais uma vez, achei que valia a pena arriscar. E foi mais uma aposta certeira! Ele não é um vinho tão doce (a ficha do produtor o descreve como um vinho de sobremesa seco), tem uma acidez equilibrada e gostosa que dá vontade de tomar mais, em seu aroma predominam frutas secas, tanto damascos e figos secos, assim como amêndoas torradas e avelãs.

Eu o servi com queijo gorgonzola e geléias, que é sempre a combinação que me vem à cabeça quando penso em Vin Santo, porque assim me foi servido na primeira vez que provei deste vinho, em um restaurante idílico, nas estradas de Chianti. É uma combinação sem erro!

6 de setembro de 2015

Chianti Classico a R$29,90

Quando visitei a Toscana com a Thais, em 2010, ficamos hospedados em uma fattoria, entre Florença e Siena, em plena região dos Chiantis Classicos. Naquela época, eu não viajava tanto em função do vinho, por isso, eu não sabia que estava lá em plena época da feira do Chianti Classico.

Chegamos de carro em Greve in Chianti, e a cidadezinha estava com os estacionamentos lotados. Sem paciência, estacionei o carro sobre uma faixa de pedestres (que feio, eu sei), o único local que encontrei onde poderia parar o carro sem bloquear uma rua. Logo percebemos que havia algo de diferente. Ali perto de onde estacionei, não havia tanta gente passando, mas alguns grupos passavam com taças penduradas ao pescoço. Seguimos na direção da praça principal da cidade, e nos deparamos com a praça cheia de barraquinhas e de público.

Foi uma grata surpresa, uma tarde agradabilíssima, provando vinhos, conversando com os produtores e aprendendo sobre os vinhos da região. Eram vinhos muito bons, muito agradáveis. Comprei várias garrafas, e os preços praticados na feira variavam entre os 6€ e 12€.

3 de setembro de 2015

Tămâioasă Românească. Hein?

A Winelands tem se especializado em garimpar grandes vinhos a bons preços nos países do Leste Europeu. São vinhos desconhecidos, de países pouco conhecidos. E muitas vezes, feitos de uvas desconhecidas para nós.

Um desses vinhos diferentes, exóticos, e muito cativantes que eles importaram foi o Artisan Tămâioasă Românească Demidulce 2009, produzido pela Aurelia Vișinescu, a enóloga mais famosa da Romênia. Ele é feito de uma uva chamada Tămâioasă Românească, na região de Dealurile Munteniei. Você que leu o texto Regiões e uvas da Romênia, já conhece um pouco sobre as características da região, e sobre esta uva.

2 de setembro de 2015

Regiões e uvas da Romênia

Falar de vinho da Romênia, para nós soa como exotismo, pois conhecemos muito pouco sobre o país. No entanto, o vinho está enraizado na sua cultura, assim como em quase todos os países dos Bálcãs. A Romênia possui grande produção, o consumo de vinho desde sempre faz parte do dia-a-dia, e desde a abertura capitalista sua produção tem recebido investimentos em melhoria da qualidade, e vêm ganhando reputação internacional. Seguindo esta tendência, os vinhos romenos chegaram ao Brasil, fizeram sucesso, e está cada vez mais comum encontrá-los nos sites e clubes de vinho. Por isso, vale a pena conhecer um pouco mais sobre o cenário vinícola do país.

27 de agosto de 2015

Os vinhos dos Cavaleiros Templários

Jerusalém, anno domini 1118, um grupo de monges cavaleiros que participaram da Primeira Cruzada fizeram voto de juramento para proteger os peregrinos que se dirigiam à Terra Santa, somando mais um aos votos a que já se submetiam, de pobreza, castidade e obediência. Com a graça do Rei Balduíno II de Jerusalém, se estabeleceram inicialmente no Templo de Salomão. Nascia, assim, a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, que mais tarde ficou conhecida como Ordem dos Cavaleiros Templários.

Com a bênção da Igreja, a Ordem cresceu rapidamente, recebendo doações de terras, dinheiro, e filhos de famílias nobres, que desejavam ajudar na causa da luta pela Terra Santa. Rapidamente, estavam estabelecidos em toda a Europa e Terra Santa, e criaram o primeiro sistema de transferência de valores, com cartas de crédito; um traveler check medieval. Um peregrino depositava valores a uma unidade local da Ordem, e viajava portando uma carta de crédito nominal, para retirar um valor equivalente no destino. Desta forma, os peregrinos tinham menos riscos de terem todos os seus bens roubados durante a viagem.

Após a aprovação Papal, em 1129, passaram a usar mantas brancas sobre suas armaduras, e adotaram um Código de Conduta com 72 cláusulas, que definiam o comportamento apropriado de um Cavaleiro Templário. No entanto, seu código de conduta se expandiu ao longo do tempo, até chegar a 609 cláusulas. Este ideal de comportamento estrito inspirou o grito de guerra destes cavaleiros: Beau-séant, que em francês arcaico significa "portando-se bem", ou "portando-se corretamente" [*]. Este é também o nome do estandarte de guerra, pelo qual eram conhecidos. O estandarte, inicialmente, era de duas cores, com a metade superior preta e a de baixo branca, assim como cavalos escuros de patas brancas, que em francês são conhecidos como balsannes (e em francês arcaico, baucent [*][**]). A partir de 1146, acrescentaram a cruz vermelha aos seus uniformes e ao estandarte, após autorização dada pelo Papa Eugenius III.

24 de agosto de 2015

Sigalas Assyrtiko 2013, Santorini

Meus pais já foram duas vezes à Grécia, e nas duas, foram à ilha de Santorini. Adoraram o lugar. Além das paisagens, da comida, do sol, e do povo, minha mãe havia se encantado com o vinho branco. Tanto que da última vez resolveu trazer uma garrafa de lá. No entanto, o vinho que ela trouxe na ocasião nada tinha a ver com o que ela havia tomado, e se decepcionou. Isso, porque o vendedor lhe recomendou um vinho topo de gama, com envelhecimento em barrica, que não correspondia ao que ela tinha gostado. Eu comentei a respeito do vinho, aqui no blog: Nykteri Reserve 2009. Era um vinho super estruturado, de grande qualidade, mas não era do estilo que lhe havia agradado.

Mas no início do mês, ela teve a oportunidade de se encantar novamente com o vinho de Santorini. Meus pais estavam em São Paulo, e eu e Thais fomos nos encontrar com eles. Almoçamos em um restaurante grego, recomendado por uma tia minha. Mas desta vez não foi o Acrópoles, que eu e Thais adoramos, mas sim um chamado Myk. O estilo e a proposta é completamente diferente do primeiro, mas a comida é igualmente boa.

12 de agosto de 2015

Quinta da Mieira Branco 2011

Dia desses, acordei, levantei, e fui ler emails. Eu havia recebido um email do Sonoma, que comentava a respeito de um vinho branco português. O email dizia que o vinho estava sendo oferecido no concorrente a R$64,90, mas em uma concorrência direta, eles fariam por R$49,90. Diante de tamanha ousadia, eu me senti tentado a comprar do vinho, para conhecê-lo. E foi assim que comprei uma garrafa do Quinta da Mieira Branco 2011, do Douro.

Ele é 100% Rabigato, uma uva típica do Douro, mas que raramente aparece sozinha em um vinho. Ele é produzido pela Quinta da Mieira, propriedade de João Turégano Caetano, professor universitário, que a adquiriu em 2009. A quinta possui no total 30 hectares, com vinhas de Rabigato de mais de 50 anos de idade, que deram origem a este vinho. Seu branco 100% Rabigato, que teve primeira safra em 2010, é 'a menina dos olhos' do produtor, e logo ganhou elogios da crítica. A quinta não tem um site próprio, mas se quiser conhecer um pouco mais sobre a pessoa e a propriedade, sugiro o artigo Um hobby que se transformou em negócio, no site Ponto de Vista.

11 de agosto de 2015

Graševina, ou as origens da Riesling Itálico


A Riesling Itálico é uma uva de relativa importância para a produção de espumantes nacionais. Utilizada por uma grande quantidade de produtores, entra no corte de diversos exemplares, contribuindo com sua acidez e perfil aromático discreto. Mas devaneios nacionalistas à parte, a participação do Brasil no cultivo total de Riesling Itálico no mundo é insignificante. Conhecida em inglês e alemão como Welschriesling, ela é muito cultivada na Europa Central. A Croácia é líder no cultivo, com quase 8 mil hectares. Áustria, Hungria e Eslovênia possuem quase 5 mil hectares de vinhedos, cada uma; e até mesmo Eslováquia e Republica Tcheca possuem extensões de cultivo significativas [*]. Só a título de comparação, a extensão de plantações de Riesling Itálico na Eslováquia (já ouviu falar de vinho da Eslováquia?) é maior que o total de vinhedos na Serra Gaúcha (somando todas as variedades viníferas e não viníferas) [*].

6 de agosto de 2015

Hyperion Cabernet Sauvignon Chairman's Reserve 2008


Hyperion é o deus da sabedoria e da observação. Um dos deuses titãs, irmão de Kronos (o tempo), desposou sua irmã Theia, deusa da Luz para dar origem ao Sol, à Lua e à Aurora. E com seu conhecimento, ordenou a estes os seus ciclos, que regulam a vida na Terra.

A Cramele Halewood, hoje uma das mais importantes empresas da Romênia no ramo vinícola, buscou na mitologia grega seus vinhos topo de gama. Seu Hyperion Cabernet Sauvignon Chairman's Reserve 2008 é um vinho 100% Cabernet Sauvignon de um único vinhedo, e estagiou pacientemente por 36 meses em barricas francesas novas, para atingir sua maturidade, afinando os taninos, e ganhando complexidade. Ele possui DOC Dealu Mare, a região mais conceituada do país para produção de vinhos tintos. Na encosta sul dos Cárpatos, é uma área montanhosa, continental, com boa insolação durante todo o ano, mas que recebe uma pequena influência do Mar Negro, que ameniza um pouco os extremos de temperatura, contribuindo para uma maturação perfeita das uvas.

31 de julho de 2015

Crane White Colombar 2014

Recentemente, tive a oportunidade de conhecer uma boa parte da linha de produtos da Goedverwacht Wine Estate, da África do Sul, que foi importada pela Winelands. São vinhos interessantes, prazerosos, que fogem do padrão de vinhos de alto teor alcoólico que costumam ser importados de lá. Dentre eles, um me chamou a atenção: o Crane White Colombar 2014.

O Crane White Colombar 2014 é um vinho diferente. Primeiro, ele tem apenas 11% de álcool, e isso chega a ser um alívio, dado a grande quantidade de vinhos bombados por aí. Segundo, é feito de uma variedade francesa que, apesar de ser muito cultivada no pais, é pouco conhecida. Isso porque a Colombard (na África do Sul, normalmente referida como Colombar), é utilizada principalmente para a produção dos famosos Cognac e Armagnac. Além de destilados, ela também é usada na produção de vinhos brancos da Gasconha, no sudoeste da França, normalmente em corte. É raro encontrar um monovarietal desta uva.

24 de julho de 2015

Para quê o garçom te entrega a rolha no restaurante?

Você foi ao restaurante, e pediu um vinho. O garçom traz a garrafa até você, e mostra o rótulo, para que você possa conferir que foi exatamente o vinho que pediu. Você confirma: é esse mesmo. Então, ele pega o saca-rolhas, corta a cápsula da garrafa, tira a rolha, e te entrega. Ora, pra quê? O que se pode inferir dela? Muita gente, sem saber pra quê o garçom lhe entregou a rolha, cheira, sem saber o que esperar.

Pois bem, pra quê o garçom tradicionalmente entrega a rolha ao cliente? Para que ele possa conferir se a rolha vazou, como a da foto abaixo.


O vinho percorreu toda a altura da rolha, como é possível visualizar na foto acima, e um pouco do que vazou, secou e formou essa coroa tinta ao redor da parte de cima dela. No caso desta, a parte de fora já estava seca, mas poderia até mesmo ainda estar úmida, não importa. É quase certo que, assim como aconteceu com o vinho em questão, ele havia entrado em contato com oxigênio, e estava avinagrado. Não é como se fosse vinagre puro, mas como se tivessem pingado algumas gotas de vinagre dentro da garrafa.


Qual a chance de isso acontecer? Uma em mil? Uma em dez mil, provavelmente, mas acontece. Acho que foi a primeira vez que vi acontecer. E se isso ocorrer no restaurante, certamente você tem o direito de pedir para trocar a garrafa. Aliás, em um restaurante com serviço sério, com o vinho avinagrado, o sommelier nem deveria esperar o cliente pedir, já levaria a garrafa embora, e traria outra.

Como eu vi na minha visita a uma fábrica de rolhas, a indústria tem investido fortemente na melhoria da qualidade de seu produto, para que esse e outros problemas sejam cada vez mais raros. Mas acontecem, e por isso você ainda pode cruzar o caminho com uma. E se encontrar uma rolha assim, na dúvida, pode recusar a garrafa.

19 de julho de 2015

Penderyn Madeira Single Malt Welsh Whisky

Estava voltando de viagem, e de passagem pela loja de whiskies da área internacional do aeroporto de Londres, me deparei com umas garrafas de Penderyn Madeira Single Malt. É um whisky produzido no País de Gales, e envelhecido em barris de vinho Madeira! Adoro vinho Madeira, imagina o que suas barricas não poderiam fazer pelo whisky!?! Resultado, trouxe para casa uma garrafa.

Este wysgi (como eles gostam de se referir ao próprio produto) é produzido pela Penderyn, a única destilaria do País de Gales. Ela iniciou suas atividades em 2000, exatamente um século depois da última destilaria galesa ter encerrado as atividades, em 1900.

12 de julho de 2015

Ktapodi Krasato, um prato típico grego

Harmonizado com um tinto do Nordeste brasileiro


O Ktapodi Krasato, ou polvo ao molho de vinho tinto, é um prato típico grego que conhecemos num restaurante muito interessante de São Paulo, o Acrópoles. Fomos lá duas vezes, e tudo que comemos, adoramos, mas o polvo ao vinho tinto encantou a Thais. Ela até quis fazer a receita em casa, em fevereiro deste ano, mas na ocasião, não havia polvo na feira, por isso, acabou saindo lulas ao vinho tinto, que ficou muito bom, também.

Aproveitando uma quantidade de restos de vinho tinto que se acumulava na geladeira, esta semana ela pensou de novo em fazer a receita, e por sorte, desta vez havia polvo. Então, ela finalmente conseguiu preparar o prato que ela queria (com algumas pequenas mudanças - toque de chef), e eu vou contar como foi que ela fez.

Rio Sol Alicante Bouschet Winemaker's Selection 2009

Quando a Thais fez a lula ao vinho tinto, há poucos meses, eu havia tentado harmonizar o prato com um vinho tinto - afinal, o prato era feito de vinho tinto! - mas não havia ficado completamente contente com o resultado. Desta vez, ela fez polvo ao vinho tinto, e mesmo insatisfeito com a harmonização da outra vez, resolvi tentar um vinho tinto novamente. O prato ficou tão bom, que resolvi escrever um texto só pra falar da harmonização: Ktapodi Krasato.

Uma barganha

O assunto deste texto é o vinho que eu escolhi para acompanhar o prato: Rio Sol Alicante Bouschet Winemaker's Selection 2009. Eu tive a oportunidade de prová-lo, assim como vários outros da marca Rio Sol, na Expovinis deste ano. Eu gostei especialmente dos espumantes, e deste tinto. A representante da distribuidora do vinho, que estava no stand da feira, disse que ele sairia para o consumidor final a partir de R$32,00, o que não seria nada mal pela sua qualidade, mas não é que encontrei-o pouco depois no site da Sonoma, por R$18,00?

Sinceramente, mesmo antes dos aumentos de preços acarretados pelas mudanças nos tributos e pela vertiginosa desvalorização do Real, já não era fácil encontrar vinhos razoáveis por menos de R$30,00. Encontrei algumas recomendações abaixo desse preço, e gosto não se discute, mas provei algumas delas, e não gostei dos vinhos. Mas este Alicante Bouschet não é apenas razoável, é bom, mesmo. Bate facilmente muito vinho de R$50 a R$60, e também alguns de R$100 que não valem R$50.


9 de julho de 2015

Primo Pinotage 2009

Pinotage não é das minhas uvas favoritas. Tanto que é a primeira vez que escrevo a respeito de um vinho feito com ela. E escrevo agora porque este vinho merece, é excelente. E isso me faz pensar que talvez o problema não seja a variedade de uva, mas sim os exemplares dela que normalmente são trazidos ao Brasil. Para mim, costumam ser desequilibrados, sem corpo, com pouca expressão, e com aromas desagradáveis.

Para quem não sabe, a Pinotage é uma variedade vitis vinifera autenticamente sulafricana. Ela foi desenvolvida em laboratório, em 1925, por um professor da Universidade de Stellenbosch, chamado Abraham Izak Perold. É um cruzamento entre a nobre Pinot Noir, com a menos conhecida Cinsault, que era mais conhecida na África do Sul como Hermitage. Daí, o nome: pinot + age. O objetivo deste cruzamento era obter uma variedade que tivesse a elegância e qualidade da primeira, com a resistência ao calor da segunda, já que o clima da África do Sul é bem diferente daquele onde normalmente reina a Pinot Noir.


Fairview é originalmente uma propriedade de 1693, que possuía cultivo de vinhas e criação de cabras, incluindo produção de leite e derivados, na de Paarl, África do Sul. Apenas a partir de 1974, a propriedade passou a engarrafar e distribuir os vinhos com marca própria. Ao mesmo tempo, abandonou o conceito de propriedade agrícola, e hoje é uma empresa com diversas propriedades, como diz o proprietário atual, Charles Back, buscando o terroir onde ele está.

O Primo Pinotage 2009 é seu Pinotage topo de gama. Feito de uvas colhidas a mão, das melhores parcelas, após a fermentação alcoólica, ele realizou malolática em barris, e depois estagiou mais 12 meses, uma parte em barris de carvalho francês, e outra parte, em carvalho americano, sendo que 40% era de barris novos. A sua cor rubi de média intensidade já começa a mostrar nuances atijoladas. O nariz é exuberante, trazendo uma nuance jovial de violetas, ao lado de aromas mais evoluídos, com frutas negras, caramelo, bálsamo e especiarias doces. Seu corpo elegante é composto de uma excelente acidez, taninos intensos, mas muito finos, e com seu 14% de teor alcoólico completamente equilibrado (e olha que eu tenho rejeição alta a vinhos alcoólicos, não gosto de vinho bombado). Ele termina com boa persistência, dominada pelas notas balsâmicas. Muito bom.

8 de julho de 2015

Innis & Gunn Oak Aged Beer

Fui à padaria comprar pão, e resolvi comprar uma cerveja, para variar. Olhando os rótulos, havia uma, que eu nunca tinha ouvido falar, mas que me chamou atenção: Innis & Gunn Original Oak Aged Beer. Ao pé da garrafa, a etiqueta diz "cuidadosamente maturada por 77 dias". Uma cerveja maturada em carvalho, é algo pouco comum; e o fato de ser escocesa, produzida em Edimburgo, também contribuiu para que resolvesse levá-la.

1 de julho de 2015

Dönnhoff Oberhauser Leistenberg Riesling Kabinett 2011

Um nome complicado, um vinho diferenciado


Conheci este vinho em uma reunião da minha confraria este ano, com tema de vinhos alemães. Tem um nome complicado, como costumam ter os vinhos alemães, mas o nome reflete também o sistema de classificação de qualidade do país. Conhecer o nome ajuda a trazer sentido ao vinho, então deixe-me explicar cada parte.

28 de junho de 2015

Krasno Rdeče 2012

Grande tinto do 'Collio esloveno'


Este vinho tinto me surpreendeu. O Krasno Rdeče 2012 é um corte de três variedades bordalesas: Cabernet Franc, Cabernet Sauvigon, e Merlot, e é produzido em Goriška Brda, o Collio esloveno. É uma região de clima fresco, e este frescor realmente se reflete em seus vinhos, como pude comprovar com este.

O Krasno Rdeče 2012 foi produzido pela Vinska Klet Goriška Brda, a mesma cooperativa que produz os vinhos Quercus Rebula e Quercus Sauvignonasse. Assim como nos outros vinhos, as vinhas são plantadas em terraços, e as uvas são colhidas manualmente. A propósito, as variedades são originárias de Bordeaux, mas estão muito bem adaptadas à região. Elas são as três variedades tintas mais cultivadas em Goriška Brda, e as vinhas utilizadas para este vinho têm até 30 anos de idade.

Cada variedade é vinificada separadamente, realiza fermentação malolática completa, e envelhece em tonéis de 60 hectolitros por 12 meses. Esta safra acabou de ser engarrafada, e o vinho se mostra muito fresco, com reflexos violáceos, aromas intensos de frutos vermelhos maduros, um toque de especiarias, alcaçuz e discreto tostado. Mesmo passando um ano em madeira, o sabor da madeira não é intenso, sobressaindo-se as frutas vermelhas. O sabor também apresenta o frescor em destaque, com boa acidez, e taninos muito finos, numa estrutura elegante. É um vinho muito gostoso e fácil de agradar.


Ele foi importado pela Winelands.

19 de junho de 2015

Uma ginjinha com elas


Óbidos é um destino imperdível em Portugal. A uma curta distância de Lisboa, é fácil de chegar, e de se apaixonar. É uma cidadezinha toda cercada por muros, com um castelo medieval em um dos lados, que hoje é hotel. Tão pequena, que nem 300 pessoas moram dentro dos muros da cidade, de acordo com o garçom do restaurante.

14 de junho de 2015

Kronos e Rhea, um casal mitológico

De acordo com a mitologia grega, Rhea e Kronos são deuses Titãs, descendentes do deus-céu (Urano) e da deusa Terra (Gaia). Kronos, que possuía o poder de controlar o tempo, destronou o pai, e reinou o cosmos durante a era dourada da mitologia grega. Ele teve com Rhea 6 filhos. Porém, assim como o tempo devora tudo, Kronos devorava seus filhos, para tentar impedir a profecia de que um descendente seu iria destroná-lo. Ele devorou todos, exceto o 6º, Zeus, que Rhea escondeu, e que veio efetivamente a destroná-lo, terminando a era dourada, e dando origem ao Olimpo.

A história deles não é das mais românticas, mas este casal nos fez companhia no jantar de 12 de junho, e tornou nossa noite ainda mais especial. Optamos por um jantar em casa, sem o caráter comercial dos restaurantes. Além do mais, onde poderíamos comer melhor do que em casa? Comida preparada da melhor forma, com os ingredientes frescos e de origem conhecida. Thais preparou um cardápio delicioso, e eu escolhi os vinhos para acompanhar: Rhea Viognier 2011 e Kronos Pinot Noir 2011, ambos topo de gama da Cramele Halewood.

11 de junho de 2015

As singularidades da Provence

Provence é a terra dos rosés. Algo entre 80% e 90% dos vinhos da região são rosés. E por mais que existam dezenas de variedades de uva autorizadas, a maioria dos vinhos se limita a um conjunto das 5 principais: Syrah, Grenache, Cinsault, Mourvèdre e em menor escala, Carignan. Por mais que estes vinhos sejam deliciosos, aromáticos e refrescantes, existe muito mais variedade, e quem viaja à região precisa conhecer, pois é ali que estão os melhores vinhos. Por falar em viajar à região, julho é a melhor época, quando os campos de lavanda estão florindo, portanto, façam as malas e sigam essas dicas.

7 de junho de 2015

#somostodosgirafa



Parabéns a Marcelo Melo e Ivan Dodig, pelo título em Roland Garros. Uma conquista em um Grande Slam, muito merecida, que insistia em tardar, veio coroar estas duas carreiras de sucesso do Tênis de duplas.

Uma conquista desta merece uma celebração, e portanto, abrimos ontem um espumante para comemorar! Em homenagem ao Dodig, o mais brasileiro dos croatas, que forma esta grande dupla com nosso querido Marcelo, escolhi um espumante da Croácia, que acabou de chegar pela Winelands: Poy Premium Brut, produzido pela Podrum Mladina.

O espumante foi feito pelo método tradicional, isto é, com segunda fermentação na garrafa, permanece em contato com as borras por 12 meses. Possui 12% de álcool, e 5,4g/L de açúcar, e Denominação de Origem Controlada Plešivica. Ele já mostra um perfil evoluído, onde a crocância e inquietação dão lugar a aromas complexos, intensos. As notas de levedura, como massa de pão e brioche, além de alguma fruta como abacaxi, dão uma falsa impressão de doçura, que traz um bom equilíbrio ao espumante. E mais importante, sem nenhum amargor, um problema que é comum ocorrer em espumantes quando já apresentam alguma idade.


Bom espumante, agradou a todos, fez jus à conquista da nossa dupla Brasil-Croácia. Um brinde a Dodig e Melo!

5 de junho de 2015

Bucanero, 100% cubana

Semana passada, fui a trabalho para a Costa Rica. Ao final de um dia, para descontrair, fui com colegas a um bar local que vende cervejas especiais, para tomar uma cerveja, provar o chiliguaro, e comer um chifrijo, o tira-gosto mais típico do país. Quer dizer, eles chamam de tira-gosto (para eles, una boca), e comem normalmente tomando cerveja, mas é uma refeição bem servida. É uma tigelinha cheia de arroz, feijão, carne de porco em cubinhos frita, coberto com uma vinagrete de tomate e cebola crua picados (dispenso) que eles chamam de chimichurri. Costuma também vir com pedaços de abacate por cima, e tortilhas. Basta uma vasilhinha dessas, e já está jantado.

4 de junho de 2015

Bolo de banana harmoniza com que vinho?

Imagino que para quase todo mundo, a pergunta que veio à cabeça foi: "bolo de banana harmoniza com algum vinho?" É claro que não proponho tentar tomar nenhum vinho tinto ou branco seco com bolo de banana. Não vai dar certo, mesmo. Mesmo assim, a harmonização que experimentei e proponho quebra paradigmas, mas quem deixar de lado o preconceito, vai ver que harmoniza muito.

O bolo em questão foi um bolo 'invertido', isto é, 'desenformado' ao contrário. E mais curioso, é feito sem bater a massa. Leva caramelo, bananas fatiadas, e os ingredientes da massa, sem bater. Deixo aqui o link para a receita. Ao ser desenformado, a banana fica por cima da massa, e o caramelo, cobrindo tudo. Muito prático, eficiente, e fica bom!

22 de maio de 2015

Jerez Amontillado, Palo Cortado, Oloroso

Já escrevi algumas vezes sobre vinhos de Jerez, aqui no blog (veja aqui), mas eles continuam sendo vinhos exóticos e desconhecidos da maioria. Caso seja um leitor assíduo, já deve saber que os diversos estilos de Jerez pendem entre a crianza biológica e a oxidativa. Não sabe o que isso significa? Então recomendo primeiro a leitura dos dois textos abaixo:

Neste texto, venho relatar uma experiência muito interessante que tive: provar três estilos diferentes, ao mesmo tempo, em escala crescente de crianza oxidativa. Em minha última viagem à Inglaterra, comprei os três vinhos: Dry Amontillado, Palo Cortado e Dry Oloroso, todos da linha Solera Jerezana, que é produzida pelas Bodegas Lustau especificamente para a rede de supermercados Waitrose. Não são os Jerez mais complexos do mercado, mas são feitos por um produtor respeitável, e se prestam perfeitamente à atividade didática de comparação entre os três, para identificar mais claramente as diferenças entre os estilos.


Um resumo dos estilos

A crianza biológica é uma peculiaridade de Jerez. O vinho amadurece coberto por uma camada de leveduras, chamada de flor. Essa camada protege o vinho da oxidação, e lhe dá aromas característicos, muito peculiares. Alguns Jerez envelhecem todo o tempo sob a flor; outros, passam um tempo sob a flor, e outro tempo sem ela. E sem a flor, o oxigênio age, oxidando o vinho. E quando ele oxida, ele ganha a cor âmbar, além de aromas característicos da oxidação.

Um Amontillado é um vinho assim, que passa alguns anos com a flor, e mais alguns anos sem a flor, incorporando características das duas formas de amadurecimento. O Palo Cortado é similar, só que passa muito menos tempo com a flor, (de 6 meses a um ano); e na seqüência, passa anos oxidando. Ou seja, tem muito mais características da oxidação do que da flor. Por fim, o Oloroso passa todo o tempo em oxidação, e não apresenta características da crianza biológica. Os três estilos são feitos da mesma variedade de uva, são fortificados e secos, e variam unicamente no tempo com a flor.

18 de maio de 2015

Quercus Sauvignonasse: a Friulano na Eslovênia

Sauvignonasse? Sauvignon Vert? Friulano!


A uva Sauvignonasse nada mais é do que a Friulano, variedade símbolo do Friuli, no nordeste da Itália, região famosa pelos seus vinhos brancos, principalmente na pequena região do Collio Goriziano, encostado na fronteira com a Eslovênia. E na Eslovênia, do outro lado da fronteira, ela é mais comumente chamada por Sauvignonasse, e também é uma das uvas mais cultivadas. Possui uma acidez viva, e é capaz de fazer vinhos refrescantes. Por isso já foi erroneamente relacionada à Sauvignon Blanc, sendo conhecida também como Sauvignon Vert. Mas testes de DNA mostraram que elas não têm nenhum parentesco.

13 de maio de 2015

Peique Viñedos Viejos 2007, DO Bierzo

Eu provei bons vinhos em Portugal feitos com a uva Jaen. Mas o vinho espanhol com a Mencía - que em termos de DNA, é a mesma uva - tinha achado um vinho bem ordinário (era um D.O. Valdeorras). Isso, até semana passada, durante o curso de vinhos espanhóis, quando tive a oportunidade de provar um bom vinho da D.O. Bierzo.

Bierzo é uma Denominação de Origem localizada no nordeste espanhol. Pertence à região de Castilla y León, mas está desgarrada das outras áreas vinícolas da região, e localiza-se muito mais próxima à Galícia. Aliás, faz divisa com Valdeorras, e apesar de protegida pela Cordilheira Cantábrica, tem um clima com influência atlântica, e portanto muito mais ameno do que o restante de Castilla y León, com amplitudes de temperatura menos intensas, e pluviosidade um pouco maior.

10 de maio de 2015

Rebula, a rainha do 'Collio esloveno'

Conforme já escrevi antes, na fronteira entre a Itália e Eslovênia se estende uma única região vinícola, formada por colinas, cercada entre os Pré-Alpes e o mar Adriático. Do lado italiano, a região se chama Collio Goriziano, e do lado esloveno, Goriška Brda. Observe que Collio vem do italiano colli, que significa colinas. E Brda também significa colinas, em esloveno. Ou seja, em ambos os casos, trata-se das colinas de Gorizia, que é o nome da comuna do lado italiano.

7 de maio de 2015

Um autêntico Sémillon de Hunter Valley

Um vinho branco australiano, com 10% de teor alcoólico, sem estágio em madeira, mas com muita complexidade e longevidade. Este é o Brokenwood Sémillon 2008, produzido pela Brokenwood Wines, e importado pela KMM Vinhos.

4 de maio de 2015

Dos vinhedos do monastério de Mega Spileo

Os primeiros registros de produção de vinho pelos monges do monastério de Mega Spileo datam de 1550. Os vinhedos se localizam em um plateau a mais de 800m de altitude, e podem ser avistados dos terraços do monastério, que fica encrostado em um paredão rochoso, a 924m de altitude, a 10Km da pequena cidade de Kalavryta (Καλάβρυτα), no nordeste do Peloponeso.

O monastério sofreu sucessivas destruições, incêndios e ataques ao longo de sua história, sendo o último realizado pelos nazistas, que tentaram executar todos os monges. Alguns conseguiram se esconder em cavernas, e sobreviveram. Mesmo assim, o monastério foi sendo abandonado gradualmente, até que os vinhedos deixaram de ser cultivados a partir da década de 1980[*].

Monastério de Mega Spileo. Créditos: Commons Wikimedia

1 de maio de 2015

Conhece a uva Durif?

Talvez você já tenha tomado um vinho com esta uva, mas não saiba. Ela não é assim tão rara. Caso tenha costume de beber vinhos dos Estados Unidos, deve conhecê-la por outro nome.

26 de abril de 2015

Vertical A Sirio: 2001, 2003, 2007, 2008 e 2009

A ABS Campinas aproveitou a presença no Brasil do Sr. Luca Tommasini, que é proprietário e enólogo da Azienda Agricola Sangervasio, para realizar uma degustação vertical de seu principal vinho, o 'supertoscano' A Sirio.

A Sirio é o carro-chefe da vinícola, e seu nome é uma homenagem ao avô de Luca, Sirio Tommasini. É um 'supertoscano', isto é, um vinho da Toscana que não segue as regras de DOC da sua região, optando por um estilo mais 'internacional', no entanto com produção de qualidade reconhecida. Oficialmente, é classificado como Toscana Rosso IGT, mas independente disso, recebe altas pontuações e ótimas críticas há quase duas décadas, e foi elevado a uma categoria de vinhos venerados. É importado pela Zahil, e vendido por R$222 (safra 2008), no site da importadora.

A degustação foi um evento especial. Provamos as antigas safras 2001 e 2003, que já não estão mais disponíveis para venda - existem apenas algumas garrafas no acervo da vinícola, que são guardadas para ocasiões como esta. Além delas, havia também a 2007, que ganhou o prêmio no Top10 da Expovinis este ano, na categoria tinto do velho mundo; a safra 2008, que é a atualmente comercializada; e a safra 2009, que ainda não foi lançada.

24 de abril de 2015

Icewine da Eslovênia

No meu texto anterior, comentei a respeito da maior parte dos vinhos apresentados pela Puklavec & Friends, em sua participação na Expovinis 2015. Mas deixei o melhor para o final. Além da participação na feira, a empresa realizou uma degustação comentada, dirigida pelo enólogo Mitja Herga. E nesta degustação, ele apresentou o Gomila Icewine Welshriesling 2009.

Da Eslovênia para o clima do Brasil

Terminou hoje a Expovinis 2015. No meio dos grandes espaços de vinhos da Itália, França e Espanha havia um pequeno stand, representando um pequeno país da Europa, que chamou a atenção: vinhos da Eslovênia. O país é pequeno, mas o produtor é grande: a Puklavec & Friends é o maior produtor de seu país, controla 1100 hectares de vinhas - sendo 650ha próprios, e o restante arrendados - e produz 7,5 milhões de litros por ano.

Grandes também são as expectativas da empresa com o mercado brasileiro: eles garantem que têm o clima perfeito pra produzir os vinhos perfeitos para o clima do Brasil. As terras da empresa se localizam no nordeste do país, em uma região montanhosa de clima continental, de invernos rigorosos e verões frescos, um clima ideal para a produção de vinhos brancos e espumantes frescos e frutados. No clima da região, a maturação das uvas é muito lenta, garantindo vinhos de excelente acidez e muito frutados. É uma maturação tão lenta que não é possível produzir vinhos tintos de qualidade, por isso a empresa produz vinhos tintos na República da Macedônia (um foi apresentado na feira, conheça-o clicando aqui).

21 de abril de 2015

Portugal esteve em Campinas

... e estará na Expovinis


Neste último 20 de abril, Portugal esteve presente em Campinas, trazido pela CAP - Confederação dos Agricultores de Portugal - e pela Essência do Vinho, em duas ações voltadas ao trade, para apresentação de novos produtos. Durante o dia, houve uma feira com degustação livre no Hotel Vitória, além de duas degustações comentadas pelo crítico de vinhos Rui Falcão, e à noite, um jantar harmonizado no restaurante Pobre Juan, com a presença dos produtores.

Os eventos contaram com 14 produtores, alguns já bem conhecidos, como a Gran Cruz (Porto Cruz), a Sogevinus (detentora das marcas de vinho do Porto Kopke, Burmester, Cálem e Barros), a Companhia das Quintas, e outros bem menos conhecidos, mas com produtos muito interessantes. Todos estarão na Expovinis, a partir de amanhã, e quem gosta de vinhos portugueses, recomendo fortemente uma visita ao stand da CAP, para conhecê-los.

Produzido na República da Macedônia

Este vinho é produzido pela Puklavec & Friends, a mesma empresa que faz o espumante Sauvignon Blanc Demi Sec. A sede da empresa fica na região de Ljutomer-Ormož, no nordeste da Eslovênia. Acontece que esta região é adequada para produção de vinho brancos, mas não para vinhos tintos, onde as uvas não atingiriam a maturação adequada. Por isso, eles buscaram outro local para a produção de tintos de qualidade. E encontraram as condições que buscavam na região de Negotino, na República da Macedônia. Portanto, este é um vinho engarrafado na Eslovênia, mas produzido na Macedônia!

17 de abril de 2015

Espumante Sauvignon Blanc da Eslovênia


Segundo a lenda, um grupo de cruzados que ia em direção a Jerusalém parou para descansar em uma região montanhosa. Ali, foram recebidos por um povo hospitaleiro, e tomaram de seus vinhos. Gostaram tanto, que decidiram ficar, e batizaram a localidade de Jerusalem.

Este lugarejo se localiza na região de colinas entre os municípios de Ljutomer e Ormož, região de Podravje, no nordeste da Eslovênia, quase na fronteira com a Croácia. Devido ao clima mais frio, os vinhedos desta região são considerados ideais para a produção de vinhos brancos e espumantes. Nessas terras estão os vinhedos e a vinícola de Puklavec & Friends.

11 de abril de 2015

Gnocchi GG e vinho GG

Cardápio

  • Gnocchi alla salvia com costelinha flambada
  • O clássico gnocchi de mandioquinha da casa, porém feito em pelotas de tamanho extra-grande, recheadas com queijo Canastra, e refogadas com sálvia na manteiga. Acompanha costelinhas de porco marinadas em vinho, depois refogadas e flambadas em cachaça envelhecida (de Salinas).
  • Rioja Vega GG 2013, DOCa Rioja (Espanha - tinto)
  • Corte inusitado entre Garnacha e Graciano (50% cada), duas castas tradicionais da região de Rioja, com estágio de 6 meses em barris da carvalho americano.

Este foi o cardápio no bistrô Chez Thais, um bistrô exclusivíssimo, que atende pouquíssimas pessoas (eu, e eventualmente alguns convidados), e funciona poucos dias da semana, sem data fixa. A harmonização fica por conta do cliente, que pode levar o próprio vinho, sem pagar taxa de rolha. Para os convidados que preferirem, a casa possui uma adega com rótulos muito bem selecionados, e de excelente custo-benefício.