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13 de outubro de 2019

Stellenrust Chenin Blanc '48' Barrel Fermented 2012

Qual a variedade mais cultivada da África do Sul? Não é a Cabernet Sauvignon, e muito menos a Pinotage. As uvas mais cultivadas no país são as brancas, e a Chenin Blanc, de longe, ocupa a primeira posição.

A Chenin Blanc é originária do Vale do Loire, na França, onde, no clima marítimo e frio, costuma ser usada para vinhos secos e minerais, ou néctares doces, inclusive com botrytis cinerea. Na clima mais quente da África do Sul, gera estilos bastante distintos, do Loire, e entre si. Grande parte da produção se destina a vinhos frescos, para matar a sede. A outra parte busca na malolática, bâtonnage e estágio em carvalho, diferenciar seus vinhos, aportando mais corpo e complexidade.

31 de julho de 2015

Crane White Colombar 2014

Recentemente, tive a oportunidade de conhecer uma boa parte da linha de produtos da Goedverwacht Wine Estate, da África do Sul, que foi importada pela Winelands. São vinhos interessantes, prazerosos, que fogem do padrão de vinhos de alto teor alcoólico que costumam ser importados de lá. Dentre eles, um me chamou a atenção: o Crane White Colombar 2014.

O Crane White Colombar 2014 é um vinho diferente. Primeiro, ele tem apenas 11% de álcool, e isso chega a ser um alívio, dado a grande quantidade de vinhos bombados por aí. Segundo, é feito de uma variedade francesa que, apesar de ser muito cultivada no pais, é pouco conhecida. Isso porque a Colombard (na África do Sul, normalmente referida como Colombar), é utilizada principalmente para a produção dos famosos Cognac e Armagnac. Além de destilados, ela também é usada na produção de vinhos brancos da Gasconha, no sudoeste da França, normalmente em corte. É raro encontrar um monovarietal desta uva.

9 de julho de 2015

Primo Pinotage 2009

Pinotage não é das minhas uvas favoritas. Tanto que é a primeira vez que escrevo a respeito de um vinho feito com ela. E escrevo agora porque este vinho merece, é excelente. E isso me faz pensar que talvez o problema não seja a variedade de uva, mas sim os exemplares dela que normalmente são trazidos ao Brasil. Para mim, costumam ser desequilibrados, sem corpo, com pouca expressão, e com aromas desagradáveis.

Para quem não sabe, a Pinotage é uma variedade vitis vinifera autenticamente sulafricana. Ela foi desenvolvida em laboratório, em 1925, por um professor da Universidade de Stellenbosch, chamado Abraham Izak Perold. É um cruzamento entre a nobre Pinot Noir, com a menos conhecida Cinsault, que era mais conhecida na África do Sul como Hermitage. Daí, o nome: pinot + age. O objetivo deste cruzamento era obter uma variedade que tivesse a elegância e qualidade da primeira, com a resistência ao calor da segunda, já que o clima da África do Sul é bem diferente daquele onde normalmente reina a Pinot Noir.


Fairview é originalmente uma propriedade de 1693, que possuía cultivo de vinhas e criação de cabras, incluindo produção de leite e derivados, na de Paarl, África do Sul. Apenas a partir de 1974, a propriedade passou a engarrafar e distribuir os vinhos com marca própria. Ao mesmo tempo, abandonou o conceito de propriedade agrícola, e hoje é uma empresa com diversas propriedades, como diz o proprietário atual, Charles Back, buscando o terroir onde ele está.

O Primo Pinotage 2009 é seu Pinotage topo de gama. Feito de uvas colhidas a mão, das melhores parcelas, após a fermentação alcoólica, ele realizou malolática em barris, e depois estagiou mais 12 meses, uma parte em barris de carvalho francês, e outra parte, em carvalho americano, sendo que 40% era de barris novos. A sua cor rubi de média intensidade já começa a mostrar nuances atijoladas. O nariz é exuberante, trazendo uma nuance jovial de violetas, ao lado de aromas mais evoluídos, com frutas negras, caramelo, bálsamo e especiarias doces. Seu corpo elegante é composto de uma excelente acidez, taninos intensos, mas muito finos, e com seu 14% de teor alcoólico completamente equilibrado (e olha que eu tenho rejeição alta a vinhos alcoólicos, não gosto de vinho bombado). Ele termina com boa persistência, dominada pelas notas balsâmicas. Muito bom.