19 de janeiro de 2013

Pisco

Em 2005, em viagem com meu irmão pela Bolívia e Peru até Machu Picchu, conheci o pisco sour. Por farra, tomamos vários deste drinque nacional peruano, feito com limão, açúcar, clara de ovo, e pisco, o aguardente de uva típico do Peru. No entanto, não demos a devida atenção ao destilado em si.

Em 2011, em Santiago do Chile, finalmente aproveitei a oportunidade de provar o pisco puro, só que o chileno. Era o Alto del Carmen Envejecido. Um aroma inconfundível, frutado, macio no palato. Me encantei com o pisco, e trouxe uma garrafa para casa. É feito de uvas Moscatel, destilado duas vezes (consultando posteriormente, aprendi que a segunda destilação deixa a bebida com 70% de teor alcoólico, sendo utilizada água desmineralizada, para diluir a bebida, até o teor alcoólico desejado, de 40%), e envelhecido em madeira por dois anos, que lhe confere sua cor âmbar. Servido em copo de whisky, com uma pedra de gelo... o pisco evaporou!

Pisco peruano

Ainda em 2011, em viagem ao Equador, fiz escala no aeroporto de Lima, Peru. Na ida, observei uma loja específica de piscos, na área de embarque internacional. E na volta, parei lá para levar umas lembrancinhas para casa. A atendente me explicou que os piscos peruanos não envelhecem em madeira, e são, portanto, sempre transparentes. Além disso, só passam por uma destilação, e o nível de álcool não é retificado com água desmineralizada, ficando normalmente por volta de 42%.

Levei dois diferentes, seguindo a indicação da atendente: o Torontel - mais indicado para se apreciar puro - e o Quebranta - para fazer drinks, por ser mais duro. Ambos, da Bodega Gran Cruz (para falar a verdade, nem sei se havia piscos de outro produtor na loja). Torontel e Quebranta são as variedades de uva com que cada um era feito, e de acordo com a legislação peruana a primeira pertence ao grupo da aromáticas (saiba mais); e a outra, das não-aromáticas (saiba mais).


Já em casa, fui provar primeiro o Torontel. Garrafinha bonitinha, com um desenho interno (Prensa de Huarango). Que pedrada na boca! O álcool queima, e quase não deixa espaço para os aromas da bebida. Achei que eu havia me confundido sobre qual era o mais macio. Provei, então, o Quebranta: a mesma dureza do álcool, com muito menos aroma. No fim, as duas versões só serviram para drinks.

De volta ao chileno

Atualmente, tenho em casa o Alto del Carmen Especial, que recebi de presente de amigos que visitaram Santiago. É um estilo mais leve, com 35% de álcool, obtido de uma única destilação, sem diluição em água desmineralizada; e que passou 3 meses envelhecendo em barrica. O resultado é um pisco ainda mais suave que o Envejecido. Gostei do resultado, mas é tão leve, que não é bom colocar gelo, ou fica diluído demais. O melhor, nesse caso, é colocar a garrafa no freezer, e servir-se direto, como se faz com a vodka.


Disputa comercial

Para quem não sabe, existe uma disputa comercial entre Peru e Chile sobre o uso do nome. Para o Peru, o pisco é uma denominação de origem, ligada à cidade de Pisco, e portanto, apenas os destilados produzidos nesta região podem usar o termo pisco. No entanto, as suas requisições de reconhecimento internacional não têm ampla aceitação. O Chile, por sua vez, alega que pisco seja um termo genérico, referente a uma bebida destilada de mosto de uva. Diante disso, defende o reconhecimento de sua denominação de origem 'pisco chileno'.

Na minha opinião, o Peru pode reclamar ser realmente o berço da bebida, mas a versão chilena, para mim, é vencedora: muito mais macia, aromática, agradável.

5 comentários:

  1. Acho que vc precisa voltar ao Perú e provar os piscos de verdade - leia-se "outras marcas". Basta fazer uma analogia entre as N marcas de cachaça no Brasil ... não são iguais né?
    E outra, o pisco é peruano sim, e isso já foi reconhecido internacionalmente. O que o chilenos vendem é chamado de "piscola".
    Abs.

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    1. Prezado leitor,

      pretendo, quando voltar ao Peru, provar outros piscos peruanos. Mas como não acho deles nem no Brasil, nem nos free-shops mundo afora, vou ficando com o chileno.
      No entanto, no que se refere ao reconhecimento internacional, o seu comentário é completamente equivocado. A denominação de origem peruana tem aceitação de poucos paises. Na Europa, o pedido foi rechaçado, sendo que o "Pisco Chileno" é aceito. Nos Estados Unidos, por sua vez, apenas o termo "Pisco de Peru" tem reconhecimento, abrindo margem para o reconhecimento do "Pisco Chileno".
      E pra completar, "piscola" é um drink, em que se mistura pisco e coca-cola. Não é o destilado puro.

      Um abraço.

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  2. Eu tambem tenho uma garrafa que eu trouxe do Chile e achei melhor que Wisk tenho o Alto de Carmen Pisco Especial

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    1. Olá Anderson,
      o que você tem é o do rótulo verde, como o meu? Se for, recomendo colocar no congelador. Fica muito bom!

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