28 de outubro de 2013

Um vinho da Geórgia. Não, da outra Geórgia.

É, me refiro ao país, encravado nas montanhas, entre o Mar Negro, a Rússia, a Turquia, fazendo fronteira também com a Armênia e o Azerbaijão. Um país com um alfabeto próprio e exclusivo, majoritariamente cristão ortodoxo, que tem o vinho como parte intrínseca da sua cultura e sua fé. É provavelmente o berço da vinificação, com as evidências arqueológicas mais antigas, datadas de 6000 A.C.[*]: ânforas de barro (qvevris) com pigmentos de bitartarato de potássio (que indicam que houve fermentação de uvas), e sementes fossilizadas de uva. A mesma forma de fermentação em qvevris enterrados no chão ainda é usada no país; nos dias de hoje, majoritariamente para consumo próprio.

25 de outubro de 2013

Quercus Rosé 2010


O vinho estava na adega, esperando o momento ideal de ser consumido. Era um vinho rosé, da uva Merlot, nada demais, nada mais a se falar dele. A não ser o fato de que era da Eslovênia. O primeiro vinho da Eslovênia que eu teria a oportunidade de provar, e por isso merecia uma ocasião especial.
O tempo passava, outros vinhos foram sendo consumidos, muitos deles sem maiores formalidades. Uns, acompanharam refeições simples (afinal nem todos os dias temos tempo de preparar e apreciar banquetes). Outros, simplesmente abri, e tomei. Sem mais.
Também momentos se fizeram surgir para outros vinhos - que foram devidamente apreciados - mas não para este. Até que chegou-se ao cúmulo, o momento sem volta. Um dia de muito calor. Um dia comum, uma refeição simples, não haviam convidados para compartilhar o vinho. Porém, já nenhum outro vinho parecia adequado para o momento: só ele. E não havia, no momento, nenhum outro parecido, nenhum outro com que eu pudesse me enganar. Havia chegado o momento.
E assim, abri o Quercus Rosé 2010, meu primeiro vinho esloveno. Tomei-o por si mesmo, a ocasião foi o vinho. E o apreciei muito bem apreciado. O que comi, nem me lembro. Só me lembro do vinho.

20 de outubro de 2013

Amazon Beer: cervejas de frutas exóticas

Diferentemente do vinho, em que só se pode fermentar uva, para resultar na bebida final, na cerveja há muito mais liberdade: encontramos por aí cervejas fermentadas com cerejas, banana, mel, rapadura...
De Belém do Pará, a cervejaria Amazon Beer apostou na diversidade vegetal da Amazônia, para inovar na produção de cervejas. Eles produzem 5 cervejas com diferentes ingredientes da Amazônia, das quais provei quatro:

19 de outubro de 2013

Williams & Humbert Oloroso Collection 12 years


A diversidade dos vinhos de Jerez é impressionante. Falando apenas dos generosos (secos), de um lado temos os Finos, e de outro, diametralmente oposto, há os olorosos. Ambos são fortificados, muito secos, feitos a partir da mesma variedade de uva (a Palomino). Mas são completamente diferentes entre si.

Diferentemente dos Finos, com sua crianza biológica, os olorosos são envelhecidos em uma crianza oxidativa; ou seja, em intenso contato com o oxigênio. Este processo não é uma exclusividade de Jerez. Diversos outros vinhos fortificados passam pelo mesmo processo, em todo o mundo (Porto Tawny, Marsala e Madeira são os exemplos mais famosos). Os Olorosos são um pouco mais peculiares por serem completamente secos: você sente aromas que lembram vinhos doces, mas na boca ele tem zero de doçura. Chega até a ser meio salgadinho.

Direto da Inglaterra

O melhor lugar para se comprar Jerez fora da Espanha é a Inglaterra, que é a maior consumidora deste tipo de vinho. E foi lá em Londres que comprei uma garrafinha de 375mL do Williams & Humbert Oloroso Collection 12 years, pela bagatela de £5,69 (uns R$22,00, pelo câmbio do dia). Aqui no Brasil, a primeira dificuldade é achar vinhos de Jerez, e se achar, um de 12 anos vai custar facilmente mais de R$200.

A conexão entre os Jerez e a Inglaterra data de séculos, e devido ao sucesso do vinho em terras anglo-saxônicas, os sobrenomes ingleses são regra entre as empresas da região. Um exemplo está no produtor deste vinho: Williams & Humbert. E apesar dos sobrenomes de dois negociantes ingleses que fundaram a empresa, a marca já passou pelas mãos de uma multinacional holandesa, mas desde 2005 está nas mãos de um grande grupo espanhol. A Williams & Humbert sozinha possui 350ha de vinhas, e uma bodega de 180.000m2, o que a coloca como a maior da Europa.

O Oloroso

A cor do vinho é âmbar de intensidade média. O aroma é intenso (como o nome sugere), oxidado, com destaque para amêndoas torradas. Ele é encorpado, e pesa na boca. O álcool é bem presente, mas é preciso ser servido frio, à temperatura da geladeira. Mesmo assim, o álcool ainda é bem presente: creio que é preciso um parâmetro distinto para julgar o álcool desses vinhos. Afinal, são fortificados, e sem açúcar que possa suavizar o álcool. Apreciando-o como algo sui generis, é agradável, de sabor intenso, longo, e o final traz até uma pontinha de doçura.

Uma das sugestões de harmonização dada pelo Conselho Regulador de Jerez para o Oloroso é guisado de carne. Ótima deixa para a Thais preparar o beef and Guinness stew (guisado de carne com Guinness, prato típico da Irlanda).

Este guisado é composto de carne cortada em cubos, lingüiça, e vegetais, como batatas, cenouras, e talos de salsão. O tempero foi composto de alho, sal, sementes de coentro, e pimenta do reino. No preparo, a carne deve ser temperada e selada. Depois, deve-se acrescentar a água e os vegetais picados. Quando os vegetais já estão cozidos, e a água reduziu bastante, joga-se a cerveja, e cozinha por mais uns poucos minutos, para ela se integrar ao restante. Eles costumam comer com purê de batatas, mas no nosso caso, comemos junto de arroz branco e uma salada de folhas.


Os vinhos de Jerez são considerados gastronômicos, vinhos que harmonizam com comidas difíceis. Mas a minha experiência com eles não tem mostrado isso. Este ano, tentei diversas harmonizações com os Finos (aqui e aqui), mas a maioria não deu certo.

Dessa vez, pelo menos, o Oloroso não sumiu com a comida. Tampouco atropelou o guisado. O problema para mim é que o vinho é muito corpulento, muito alcoólico; e como o prato também é meio pesado, a soma dos dois acabou resultando em uma experiência pesada demais. Tem gente que acha que isso é uma boa harmonização, eu nem tanto. Se a comida me dá vontade de parar de beber, então é porque não está dando certo.

Creio que este vinho vai melhor como aperitivo, mesmo. Antes do almoço, nós bebericamos o vinho com pedaços de queijo grana padano, e com amêndoas torradas (a quintessência da harmonização por semelhança), e ele se saiu bem melhor do que com o guisado.

Leitura adicional

Para quem quiser em conhecer mais a respeito do Oloroso, e dos vinhos de Jerez em geral, recomendo o texto: Dos vinhos de Jerez.

Rose Granit Brut 2010

Dia de sol, e o calor da primavera, que finalmente deu as caras, pediu uma bebida refrescante. Um dia ideal para apreciar um bom espumante como aperitivo. Escolhi o Rose Granit Brut 2010, rosé feito pelo método tradicional com a uva Gamay, vindo da região de Beaujolais-Villages.

6 de outubro de 2013

Via Latina 2012

Vinhos Verdes são mais difíceis de se encontrar do que parece, pelo menos em Campinas. Fora o Casal Garcia, que parece estar em todos os lugares, eu não vejo muita variedade destes vinhos no mercado. Lojas especializadas costumam desdenhar desta denominação de origem. Às vezes encontro alguns que me parecem muito 'adamados' (forma como os portugueses descrevem os vinhos mais doces). E vez por outra encontro vinhos que provavelmente já passaram do ponto, estão velhos demais. Afinal, poucos são os Vinhos Verdes que se aconselham tomar após dois anos; e talvez por esta limitação as lojas especializadas não se dedicam a trabalhar com eles.
Por isso, não posso deixar passar a oportunidade quando encontro um vinho novo no mercado, mesmo que seja em um supermercado com uma adega que, digamos, inspira pouca confiança. Desta vez, era um vinho de 2012, e eu sei que havia dois meses, aquelas garrafas não estavam lá. Portanto, tenho segurança de que acabaram de chegar. É o Via Latina 2012, uma marca da cooperativa Vercoope, feito com Pedernã, Loureiro e Trajadura. Custava apenas R$18,20, e o encontrei no supermercado Taquaral. Está ainda mais barato que o Cativa, que provei no mês passado.
Eu não tinha provado deste vinho ainda, mas pela minha experiência com vinhos verdes, apostei que não seria adamado. E apostei bem. Na boca é seco, com acidez marcante, e agulha intensa: muita borbulha. É leve e tem pouco álcool (11%). O aroma é fresco, meio herbáceo, meio cítrico, sem muita intensidade. Mesmo que a ficha técnica do produtor informe que contém entre 11 e 13g/L de açúcar residual, não dá pra se perceber este açúcar ao provar o vinho.
Eu gostei: é o que eu espero de um Vinho Verde. Abri enquanto cozinhava, e quando me dei conta, tinha-se ido meia garrafa.


Quer conhecer mais a respeito de Vinhos Verdes? Leia: Dos Vinhos Verdes: Mas afinal, o que é Vinho Verde?.

2 de outubro de 2013

Vinhos suíços Maître de Chais

Sempre que ouvi falar de vinho da Suíça, ouvi dizer junto que os vinhos são excelentes. Que se não são conhecidos fora do país, é porque os suíços têm dinheiro, e compram o vinho quase todo, sobrando muito pouco para exportação. Aliás, eles consomem 3 vezes mais do que produzem, sendo grandes importadores. Apenas 2% da produção (de 100 milhões de litros) seria destinada à exportação.
Recebi estes rótulos pelo clube Winelands. São todos tintos, da Apelação de Origem Controlada Valais. Eles foram produzidos pela Provins, uma cooperativa do Cantão de Valais, que processa as uvas de mais de 4000 sócios e outros viticultores da região. É um grande produtor, responsável por 10% da produção do país (segundo dados da própria empresa).

Lamentavelmente, os rótulos enrugaram na minha adega