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22 de outubro de 2023

Vinha Solo Merlot 2009

Desde que me mudei para Portugal, praticamente só tenho tomado vinhos portugueses. Não foi nenhum esforço, pois há imensa diversidade e qualidade. Entretanto, é muito raro encontrar aqui vinhos sulamericanos; e brasileiros, nem pensar. Por isso, na minha última viagem ao Brasil, dei uma pausa nos portugueses, e aproveitei para matar a saudade dos vinhos brasileiros.

Fiz minhas encomendas pela Internet, e quando lá cheguei, já estavam à minha espera. Um dos vinhos que comprei foi o Vinha Solo Merlot 2009. Não conhecia a vinícola, mas a oportunidade de provar um vinho evoluído, somado a um baixo risco de R$78, encomendei duas garrafas. Normalmente não me arrependo dos vinhos que compro pelo Vinumday, e este não foi exceção.

5 de maio de 2019

Benedito Beef Wellington

Já fazia um tempinho que a Thais falava que queria ir ao Benedito. Trata-se de um restaurante estilo bistrô, localizado no Cambuí. Finalmente calhou de marcarmos com uns amigos, de almoçarmos lá num domingo.

Olhando o cardápio no site, quando bati o olho no Beef Wellington, não tive duvida de qual prato iria pedir; e também, qual vinho iria levar, para acompanhar o prato. Levei o Moulins de Citran 2006, um vinho de Bordeaux (AOC Haut-Médoc), que havia comprado havia já uns meses, no Sonoma.

9 de dezembro de 2018

Torta de nascença

Joséphine nasceu em 1984, no sul da França. É filha de Joseph Helfrich, um dos sócios fundadores da J.P. Chenet. Foi criada para os holofotes, para se destacar da multidão, com uma elegância mundana. Tem charme e carisma; é bonita, mas é torta. Torta de nascença. Seu longo pescoço ligeiramente inclinado à esquerda, e sua cintura com um profundo achatamento à direta, lhe atribuem sua silhueta assimétrica. Por que bonita, se torta? Ou neste caso, é bonita por que é torta.

15 de setembro de 2018

Motif Merlot

Já não é segredo que a Bulgária nos brinda com muitos bons vinhos. Desde 2015, Winelands tem trazido uma grande diversidade de bons vinhos búlgaros - sobretudo tintos - maduros, com boa acidez, boa maturação fenólica, equilibrados e saborosos. Uma das uvas que tem demonstrado maior sucesso é a onipresente Merlot, como é o caso do Motif Merlot 2014, produzido pela vinícola Via Verde.

12 de fevereiro de 2018

Via Diagonalis Selected Red 2009

Ruinas do castelo Castra Rubra
(foto obtida do site da ONG Alliance for regional and civil initiatives, sediada na Bulgária)

Quando vejo o nome de Michel Rolland por trás de um vinho, eu costumo torcer o nariz. Apesar de ser o enólogo mais influente do mundo, tem fama de produzir sempre vinhos pesados, sobremaduros, e sem originalidade. Eu mesmo já provei alguns vinhos de sua autoria (confesso que poucos), e não me convenceram. Mas o Fernando Zamboni, da Winelands, sabia que o Via Diagonalis Selected Red 2009 tinha a minha 'cara', e insistiu que eu o provasse, enviando-me uma garrafa. Ainda bem, pois ele me fez rever meu preconceito.

13 de janeiro de 2018

Bessa Valley Enira 2009

Em 2013, eu comentei en passant a respeito do Enira 2008, vinho produzido pela vinícola Bessa Valley, do Vale da Trácia, Bulgária. Eu guardei desde então um certo arrependimento por não lhe ter dedicado um texto exclusivo, pois ele certamente merecia. Dentre tantos bons tintos que provei da Bulgária esses anos, ele está entre aqueles que entregam muito mais do que custam.

24 de setembro de 2017

X Decima Gran Reserva Blend 2008

Há pouco tempo, um amigo trouxe em casa uma garrafa do X Decima Gran Reserva Blend 2008. Ele disse que tinha lhe custado apenas R$60, um preço bem atrativo para um vinho com 9 anos de guarda. O vinho me chamou a atenção pela sua complexidade aromática e sua estrutura, que combinava corpo elegante com taninos bem presentes. Até encomendei uma garrafa para prová-lo com mais calma.

28 de junho de 2017

Château de Panisseau Baccarat 2007

No mês passado, recebi uma mensagem de um leitor bastante decepcionado com a qualidade de vinhos muito baratos adquiridos na Evino. Realmente, o site oferece uma grande quantidade de vinhos a preços muito baixos, mas que na maioria, parecem ser simplesmente compatíveis com os preços, isto é, de qualidade muito baixa. Mas algumas ofertas parecem realmente boas demais para serem verdade, como por exemplo, o Château de Panisseau Baccarat 2007: um vinho francês com 10 anos de guarda, por menos de R$40.

4 de junho de 2017

Guatambu Épico

Inspirado pelo dia nacional do vinho, neste domingo, aproveito para comentar um baita vinho nacional que conheci em uma degustação de uma de minhas confrarias este ano. Trata-se do Guatambu Épico, primeira edição deste vinho não-safrado produzido pela vinícola Guatambu.

21 de dezembro de 2016

Adolfo Lona Brut Nature Pas Dosé


Dentre os estilos de vinho, o espumante é o que tem mais sucesso no Brasil: tanto em qualidade dos produtos, quanto em aceitação do consumidor. É o que mais cresce em vendas, e já não é mais restrito ao brinde da virada do ano, acompanhando o consumidor brasileiro ao longo do calendário, da mesa à beira da piscina. Mas o espumante tem um apelo de festas, e portanto, o consumo aumenta nessa época.

17 de novembro de 2016

Estilo Amarone

Vinhos de sobremesa feitos de uvas passas são lugar-comum: algumas dezenas de locais por toda a Europa possuem tradição secular em vinhos doces desse estilo. Mas vinho seco com uvas passificadas, é bem mais incomum. A única referência mundial neste estilo é o Amarone della Valpolicella; e mesmo ele corresponde a uma tradição relativamente recente.

O Amarone teria surgido como um Recioto que deu errado. Para quem não conhece, Recioto é um passito, isto, é, um vinho doce feito de uvas passificadas (para quem quer conhecer mais a respeito dos estilos de vinho de Valpolicella, clique aqui). Diz a lenda que, eventualmente, a fermentação não era interrompida no momento correto, e o vinho fermentava até consumir todos os açúcares. Ficava seco e ligeiramente amargo, por isso o nome Amarone (amaro é amargo em italiano). Esse vinho nem era comercializado. Apenas a partir da década de 1950, alguns produtores locais começaram a investir especificamente nessas versões secas. O primeiro Amarone lançado no mercado foi o Bertani, em 1958 (na época, ainda chamado de Reciotto della Valpolicella Amarone [*][**]). Ou seja, esse estilo ainda nem chegou aos 60 anos.

Com o tempo, o sucesso dos Amarones della Valpolicella inspirou produtores, aqui e ali, a fazerem vinhos secos (ou quase secos) de uvas desidratadas. E este foi o tema do último encontro de uma de minhas confrarias. Tivemos um vinho chileno, um brasileiro, um autêntico Amarone, e ainda um outro vinho do Vêneto. Todos eles baseados na mesma premissa, porém cada um com suas particularidades de produção, que resultaram em vinhos distintos.

15 de outubro de 2016

San Antolin Reserva 2005

Vinhos maduros, com 10 anos ou mais, a preços convidativos não são fáceis de achar. Encontrei o San Antolin Reserva 2005, DO Navarra, a venda na Evino, por R$68; já não era um preço ruim, mas somando um cupom de 20% de desconto em cima desse preço, e frete grátis, ficou irresistível, e comprei duas garrafas.

Comprar um vinho com mais idade é sempre um risco, mas eu já havia tido uma ótima experiência com outro vinho de idade na Evino (comentei a respeito aqui), por isso, estava confiante.


O San Antolin Reserva 2005 é um corte das famosas Merlot, Cabernet Sauvignon com uma pitada da espanhola Graciano. Ele amadureceu por 24 meses em barris de carvalho, e mais 12 meses, antes de ser lançado no mercado, para poder exibir a denominação Reserva. Mas um ano é pouco, sendo 2005, ele já está há 8 anos em garrafa.

Sua cor começava a mostrar matizes atijoladas, totalmente de acordo com a idade do vinho. Logo ao abri-lo, ele anunciava aromas bem marcados da Cabernet Sauvignon, na forma de uma páprica defumada, suave, além de uma tipicidade de um tinto espanhol evoluído, aquelas notas tostadas complexas, que misturam um pouco de madeira, especiarias, couro, fumo... As frutas negras, em igual importância, completavam o conjunto. Na boca, taninos agradáveis e finos, ótima acidez, que lhe dava leveza, escondia plenamente os 14% de álcool, e muito boa persistência.

Já era agradável logo ao abri-lo, mas ele logo mostrou como o ar lhe fazia bem. Com o tempo, a páprica defumada quase sumia, dando lugar a notas de caramelo e bálsamo; e a fruta também evoluiu um pouco, trazendo um pouco de figo e ameixa seca.

Ele se confirmou como um grande achado para quem, como eu, aprecia vinhos mais evoluídos. Vale ainda observar que ele havia figurado no Clube Evino Red (o mais básico), no mês de janeiro. Não é comum ver um vinho dessa tipicidade em um clube de vinhos, muito menos numa categoria básica.

20 de setembro de 2016

Enira Reserva 2007

Após o fim da União Soviética, a indústria vinícola da Bulgária passou por uma grave recessão. Se na época da Cortina de Ferro, o país foi escolhido como o principal fornecedor de vinhos do bloco soviético - e chegou à posição de segundo maior produtor de vinhos do mundo (atrás apenas da França) - após 1990, a produção vinícola entrou em uma grave crise. Em primeiro lugar, as prioridades mudaram. Se antes, recebiam de outros países alimentos em troca de vinho, com o desmantelamento do bloco comunista, a prioridade passou a ser produzir alimento localmente. As terras foram privatizadas, divididas em pequenas parcelas, dadas a agricultores; e milhares de hectares de vinhas foram arrancadas, e substituídas por culturas de grãos e de batatas. Além disso, a produção remanescente passou a focar apenas na produtividade: os viticultores queriam produzir mais uvas, pois vendiam por peso; e as vinícolas também não se importavam com a qualidade das uvas, apenas queriam produzir o máximo de vinho possível. A qualidade caiu drasticamente, e junto, caiu o interesse de mercados estrangeiros, que foram grandes importadores de vinho búlgaro.

3 de agosto de 2016

Partal 2005

Mesmo associado à categoria básica da Sociedade da Mesa, vez ou outra me senti tentado por algum dos vinhos da Seleção Grandes Vinhos - uma categoria superior, trimestral, de vinhos mais caros. O Partal 2005 foi um desses vinhos, que pedi, e não me arrependi.

27 de julho de 2016

Chianti Classico Gran Selezione

Outro dia, Thais e eu passamos um fim de semana delicioso em Monte Alegre do Sul. Um casal de amigos convidou a nós e a um terceiro casal - todos apreciadores de vinhos - para um fim de semana na casa deles, no alto de um belo condomínio nos arredores da cidade. Nessa época do ano, Monte Alegre tem noites frias, deliciosas para nos juntarmos à mesa para comer bem, e tomar bons vinhos.

5 de junho de 2016

Coyam 2009

Em 2012, um amigo viajou para o Chile, e eu encomendei uma garrafa do Coyam, o segundo melhor vinho da vinícola Emiliana. Na época, eu conhecia apenas as linhas mais básicas (Adobe e Novas), mas gosto bastante do trabalho deles, e tinha interesse em conhecer os rótulos superiores. Porém, no Brasil, além de difíceis de achar, tinham preços proibitivos. Meu amigo me trouxe o 2009, que creio que era a safra mais recente lançada na época.

4 de abril de 2016

Paella no sítio, e um rosé quase tinto


Em mais uma reunião temporã da Nossa Confraria (tivemos a agenda cheia, neste início de ano!), passamos um fim de semana na chácara de um dos confrades. Foi um fim de semana de muito sol e calor. No sábado, já chegamos acendendo a churrasqueira, aproveitamos muito a piscina, e fechamos a noite em uma pizzada, já que o sítio tem forno de pizza.

No domingo, acordamos com o mesmo sol, e depois de um digno café da manhã de sítio, com direito a pão caseiro e bolo de fubá, começamos os preparos para o almoço: uma riquíssima paella, com frutos do mar, frango e chorizo. Não teve coelho, porque a maioria das mulheres se recusaria a comer aquele 'bichinho tão fofinho...'. E também não teve mexilhões, porque o peixeiro da feira não tinha conseguido comprar nesse fim de semana.

14 de março de 2016

De volta ao Capril do Bosque

Depois que fui pela primeira vez ao Capril do Bosque, no ano passado, fiquei com vontade de realizar uma degustação de seus queijos e alguns vinhos com o pessoal da Nossa Confraria. Eu e Thais planejamos esta degustação para este mês de março. Marcamos de ir ao capril novamente uma semana antes, buscarmos os queijos e almoçarmos novamente no bistrô. Mas tanto elogiamos o almoço, que alguns confrades quiseram nos acompanhar. Melhor dizendo, todos queriam ir, mas alguns infelizmente não conseguiram conciliar suas agendas.

Contratamos um transfer, que nos levou num domingo chuvoso até Joanópolis. Chegamos pouco antes do meio-dia, um pouco adiantados para a nossa reserva. Desta vez, a Sra. Heloisa não estava presente, pois havia viajado junto de seus queijos para apresentá-los em uma prova internacional, nos Estados Unidos. Mas sua equipe nos atendeu muito bem.

3 de março de 2016

Krauthaker Mercs 2012

Eu tinha recebido este vinho em junho de 2015, pela Winelands, junto de outros vinhos da Croácia, mas ainda não o tinha provado. Fui abri-lo agora, este mês, em companhia dos meus pais e de uma tia, além da Thais, é claro.

O Krauthaker Mercs 2012 é um tinto produzido pela vinícola Krauthaker, na região de Kutjevo, na Eslavônia, parte mais continental da Croácia. Eu já havia comentado a respeito de outro vinho da vinícola (aqui). Acontece que a Krauthaker é uma vinícola focada em vinhos brancos: apenas 9% das uvas cultivadas são tintas [*].

14 de janeiro de 2016

Château Jupille-Carillon 2002, Saint-Émilion Grand Cru


Eu acabei comprando este vinho sem querer, querendo. Ele estava sendo vendido no site do Sonoma, no mês de outubro de 2015, e pelas suas características, me interessei: Bordeaux, ainda por cima Saint-Émilion, além disso um Grand Cru - uma classificação oficial dada em função da qualidade do vinhedo - e pra completar, é de 2002, já com 13 anos de idade. Mas inicialmente acabei optando por não comprar, primeiro pelo preço em si, e depois por causa do custo do frete para uma compra pequena (de uma só garrafa).