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8 de outubro de 2017

Bacalhôa Moscatel Roxo 2002

Há três anos, tive a oportunidade de degustar o Moscatel Roxo 1998 da Bacalhôa, durante um curso de vinhos portugueses. Desta vez, eu pude tomar o vinho (e não apenas degustar), e apreciando-o mais profundamente. A garrafa me foi trazida sob encomenda por um amigo que visitou Portugal, e a compartilhei em um jantar. Tratava-se do Bacalhôa Moscatel Roxo 2002; 4 anos mais novo do que aquele do curso. Mas as impressões foram as mesmas.

14 de abril de 2014

Moscatel Roxo 1998, da Quinta da Bacalhôa

(Como foi a Formação sobre Vinhos de Portugal nível III)

A Formação sobre Vinhos de Portugal teve grandes vinhos, mas um merece um texto só pra ele: um Moscatel de Setúbal, mas não um qualquer, e sim um Moscatel Roxo! Desde que ouvi a primeira vez a respeito do Moscatel Roxo, minha curiosidade enológica me fez cobiçar este vinho, caro e raro. Qual não foi minha alegria ao xeretar entre as garrafas que seriam servidas, e encontrar entre elas o Moscatel Roxo!


A uva Moscatel Roxo é tida como uma mutação natural da Moscatel, e teria ocorrido na região de Setúbal. Ela é mais rosada do que propriamente tinta, com pouca matéria corante. O vinho é feito com as mesmas técnicas do outro Moscatel: o mosto é colocado para fermentar com as cascas das uvas, e é fortificado logo no início do processo, para manter a maior parte do açúcar. O vinho é mantido com as cascas, macerando durante alguns meses. Em seguida, é colocado em barris de madeira, já sem as cascas, em ambientes com constantes variações de temperatura, para acelerar o processo de oxidação.

O Moscatel Roxo 1998 da Quinta da Bacalhôa, que degustamos no curso, foi maturado por 9 anos em barris de whisky! Eu já conhecia whiskies maturados em barris de vinho, mas o contrário, foi a primeira vez. A cada ano, 10% do vinho evapora, fica para os anjos.

A verdade é que eu esperava um vinho mais escuro, e com aromas que remetessem a frutas mais escuras, como figos, tâmaras e ameixas. Em vez disso, ele tem cor âmbar de intensidade média, e os aromas de damascos secos, cascas de laranja cristalizadas, e um pouco de mel. É viscoso, denso. A doçura é intensa, e percebe-se no primeiro plano. Mas pudera, tem mais de 200g/L de açúcar! Por outro lado, a acidez também é alta, e lhe dá frescor. É um vinho que não enjoa, só dá vontade de continuar bebendo. E a persistência aromática parece eterna.

Como foi a Formação sobre Vinhos de Portugal nível III

Nesta segunda-feira, aconteceu a Formação de Vinhos de Portugal nível III, no Hotel Vitória, em Campinas. A aula faz parte da campanha da Viniportugal para promoção dos vinhos portugueses, e conta com a participação do crítico de vinhos Rui Falcão. O objetivo da campanha é promover o conhecimento sobre as características e particularidades do vinho português, como forma de divulgação.

Neste curso nível III, Rui Falcão abrangeu todas os os assuntos que já havia falado no nível II. Porém este ano o tempo de curso foi bem maior, com duração de 7 horas, o que lhe permitiu entrar em mais detalhes a respeito de algumas regiões menores, às quais havia mencionado com muito mais brevidade da outra vez.

Sendo assim, falou da densidade de castas nativas, de como todas elas são efetivamente utilizadas, das vinhas misturadas; descreveu as influências climáticas e diversidade de relevo e solos, formando inúmeros micro-climas; mencionou as técnicas tradicionais de vinificação, como pisa a pé em lagares, e a tecnologia desenvolvida em Portugal de robôs que realizam a pisa; também citou a fermentação em ânforas de barro (lá, se diz talhas), que hoje se populariza no mundo, mas que em Portugal, há uns poucos produtores que sempre fizeram o vinho desta forma; comentou sobre os benefícios em se fazer vinhos em corte... enfim tudo que faz os vinhos portugueses se distinguirem do restante do mundo.

Após a introdução, veio a descrição das diversas regiões vinícolas do país, e junto, como não poderia deixar de ser, a degustação dos vinhos, de algumas delas. Como foram muitos, selecionei os que mais me agradaram, e os descrevo a seguir.