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1 de agosto de 2018

Dos vinhos da Suíça

Raramente encontramos vinhos suíços fora da Suíça. O motivo não é falta de qualidade, muito pelo contrário. O problema é que os suíços gostam muito de vinho, têm alto poder aquisitivo, e portanto, acabam consumindo quase toda a produção localmente. Apenas 2% da produção sai do país (normalmente, para a Alemanha ou Áustria).

A Suíça é apenas o 20º no ranking mundial de produção, mas é o 4º em consumo, com 33 litros por habitante. A produção local, limitada pelas condições climáticas, só atende 35% da demanda; por isso, a Suíça ainda importa duas vezes mais do que produz.

15 de julho de 2018

Às margens do Reno, na Suíça

Eu não poderia imaginar que um dia tomaria um Pinot Noir proveniente de Rheinau. Não, não estou falando da famosa região de Rheingau, na Alemanha. Rheinau (sem o 'g') é uma cidadezinha localizada no norte da Suíça, contornada pelo rio Reno, em seu percurso que define a fronteira entre Suíça e Alemanha. Está localizada no Cantão de Zürich (Zurique).



De monastério a adega

Neste ponto do rio, há uma ilha dominada por um antigo monastério beneditino, que data provavelmente do ano 778 AD. Entre 1585 e 1588, o monastério ganhou uma adega subterrânea, construida para proteger o vinho do risco de congelamento. O complexo monástico recebeu ainda sucessivas extensões até 1744, quando adquiriu o seu formato atual.

Em 1862, o monastério foi dissolvido pelo Conselho Cantonal de Zurique, tendo sido convertido em um hospital; e a adega do complexo passou a ser responsável pelo fornecimento de vinho a todos os hospitais cantonais, dando início à Staatskellerei Zürich. A empresa passou então a comprar e processar as uvas de boa parte dos viticultores da região. Hoje, processando uvas de 90 viticultores, é um dos maiores produtores de Zurique (o que não significa muito, em função da modesta produção da Suíça alemã).

Foto aérea do antigo monastério (fonte: site do complexo turístico)

13 de novembro de 2017

Maître de Chais Syrah 2007

Há pouco mais de 4 anos, recebi uma remessa com 3 vinhos da Suíça, pelo clube de vinhos Winelands. Pelo que provei das duas primeiras garrafas (veja aqui) - eram vinhos com potencial de guarda - decidi guardar a terceira por mais tempo, para abri-la agora em 2017, quando completasse 10 anos.

11 de agosto de 2017

Um bolo de aniversário e um Colheita Tardia da Suíça

Em turma de vinho, quando tem aniversário, até o bolo vai com vinho. No final do mês passado, nos reunimos para comemorar o aniversário de duas confrades, e o nosso confrade Chef Alê se encarregou de fazer um bolo para comemorar. O bolo foi recheado com "baba de moça" - um creme com coco e abacaxi - e coberto de um merengue com raspas de limão, pra dar um toque cítrico. É redundante dizer que estava uma delícia.


A ocasião foi perfeita para abrirmos o Domaine Tourbillon 2008, um vinho de colheita tardia da Suíça (AOC Valais). É produzido pela Provins que, além de um dos maiores produtores do país, é o maior exportador de vinhos. Já comentei aqui a respeito de alguns vinhos desta cooperativa.

28 de novembro de 2016

Marendaz Brut Impérial: borbulhas suíças

A Suíça - com sua altitude e seu clima de verões amenos e curtos, e muita chuva distribuída ao longo do ano - possui condições limítrofes a uma plena maturação das uvas. Está claro que os produtores locais trabalham normalmente com variedades específicas, mais adaptadas, exploram principalmente encostas voltadas ao sul e aproveitam o efeito regulador de grandes massas de água como os lagos de Genebra e Neuchâtel, que permitem uma extensão da maturação. E nessas condições, os produtores suíços têm feito ótimos vinhos (que conforme já comentei aqui no blog, pouco sabemos sobre eles porque os suíços têm poder aquisitivo, e consomem tudo localmente).

Mas com condições tão complicadas de maturação, parece que o país tem um grande potencial para produzir espumantes - afinal, sabemos que para os espumantes, as uvas precisam ser menos maduras, para que tenham maior acidez e menor teor alcoólico. Apesar disso, o investimento na produção deste tipo de vinho é recente, e ainda muito pequeno.

14 de agosto de 2016

Um branco suíço para o Dia Nacional da Suíça

Primeiro de agosto* é um dia especial. É o Dia Nacional da Suíça, o dia em que se celebra a formação da Confederação Helvética, ou seja, a formação do país. Como era uma segunda-feira, decidimos celebrar em casa mesmo, com umas comidinhas e um vinho. Thais havia comprado um queijo brie, pão, umas fatias de atum defumado, além dos ingredientes para fazer um babaganoush. Somando-se a isso, já tínhamos uma geléia de abacaxi com pimenta, que ela tinha feito no fim de semana. Com isso, montamos nosso banquete do Dia Nacional Suíço.

1 de julho de 2016

Um Syrah do Rhône... só que não é da França

Quando falamos de Syrah plantada nas encostas do rio Ródano, pensamos no Vale do Rhône na França, principalmente na porção norte, onde ela reina absoluta. Porém, essa região que é conhecida mundialmente como Vale do Rhône pertence aos últimos 240Km(*) do trajeto que o rio corre até o Mediterrâneo. Aproximadamente 500 quilômetros rio acima, mais especificamente nos Alpes Suíços, o mesmo rio garante condições de cultivo à vinha. E lá, também podemos encontrar vinhedos de Syrah plantados às margens do Rhône.

(*) distância fluvial entre Vienne e Arles, calculada pelo site da VNF - Voies Navigables de France (clique aqui).

2 de outubro de 2013

Vinhos suíços Maître de Chais

Sempre que ouvi falar de vinho da Suíça, ouvi dizer junto que os vinhos são excelentes. Que se não são conhecidos fora do país, é porque os suíços têm dinheiro, e compram o vinho quase todo, sobrando muito pouco para exportação. Aliás, eles consomem 3 vezes mais do que produzem, sendo grandes importadores. Apenas 2% da produção (de 100 milhões de litros) seria destinada à exportação.

Recebi estes rótulos pelo clube Winelands. São todos tintos, da Apelação de Origem Controlada Valais. Eles foram produzidos pela Provins, uma cooperativa do Cantão de Valais, que processa as uvas de mais de 4000 sócios e outros viticultores da região. É um grande produtor, responsável por 10% da produção do país (segundo dados da própria empresa).

Lamentavelmente, os rótulos enrugaram na minha adega