28 de junho de 2016

Os velhinhos

Tenho um amigo que gosta de viver perigosamente. Em mais de uma ocasião, encontrou vinhos velhos, sendo vendidos a preços muito baratos em um outlet de vinhos, e resolveu comprar alguns para experimentar, ou em suas palavras, "conhecer como é o vinho que passou do ponto". Ele trouxe quatro desses vinhos em diferentes encontros da confraria, para analisarmos juntos.

24 de junho de 2016

Løiten Linie Aquavit

Da Noruega à Austrália, e de volta



Fazia tempo que eu não via uma garrafa daquelas. Meu pai foi ao armário de bebidas, abriu a porta, moveu uma ou duas garrafas da frente, e tirou de lá do fundo o Løiten Linie Aquavit, que eu havia trazido de presente pra ele, há mais de uma década, da época em que eu morei na Noruega. Restavam apenas três dedos da bebida, que meu pai não toma com dó de acabar. Ele nos serviu uma dose para cada, e nos sentamos no sofá.

19 de junho de 2016

Cantu Day BH

O Cantu Day - a feira de vinhos da Cantu Importadora - já conquistou seu espaço no calendário nacional de eventos relacionados ao vinho. O evento vem sendo promovido desde 2014; e em vez de se centralizar em um evento único, a importadora optou por ampliar sua zona de ação, realizando edições em algumas capitais estratégicas. Essa abordagem tem trazido bons frutos, pois a importadora - que iniciou suas operações em 2013 - teve um crescimento de 33% em 2015, já é uma das 10 grandes importadoras do país, e tem planos de se colocar entre as 5 maiores nos próximos anos.

Pôr-do-sol em BH - não foi no dia da feira, foi dois dias depois

Eu já havia sido convidado em outras oportunidades para atender ao Cantu Day, em São Paulo, mas com minha atividade profissional baseada em Campinas, fica complicado participar de um evento na capital paulista durante a semana. Mas este ano, veio a calhar que estava em BH visitando meus pais, exatamente durante o período de realização da feira. E com isso, aproveitei para atender ao evento na capital mineira.

15 de junho de 2016

Tierra Imperial Gran Reserva 2008

Para ajudar a aquecer neste clima frio, nada como se enfiar debaixo de um cobertor na frente do sofá, entrelaçando as pernas com a sua amada, e tomar um bom vinho tinto. O vinho escolhido para essa noite foi o Tierra Imperial Gran Reserva 2008, produzido pelas Bodegas Verduguez, e importado pela Winelands.

14 de junho de 2016

Sidra na Inglaterra

A Inglaterra é muito mais conhecida pelas cervejas do que pelo vinho. Mas há outro produto muito popular no país: a sidra. O fermentado de maçã não possui uma grande reputação, mas em qualquer pub, você vai encontrar sidra, e muitas vezes servida on tap, ao lado das cervejas.

O país é o maior produtor de sidra do mundo, mas é na grande maioria um produto industrializado de massa: um produto de baixo teor alcoólico, docinho, feita de suco importado, que agrada principalmente pessoas pouco habituadas a beber, ou que não gostam de cerveja. Mas como podemos perceber pela sua presença constante, tem uma base de apreciadores bastante grande, no país.

Mesmo assim, devem haver produtores interessados em oferecer um produto distinto, com maiores aspirações, feito a partir de melhores práticas - como escolha das melhores variedades da maçã, cuidados na colheita, produção de estilos menos doces, sem pausterização, sem chaptalização, com espumatização natural [*]. E na medida do possível, procurei algumas sidras em mercados e pubs. A minha experiência com sidra é praticamente nula; mas do que provei, nada me convenceu muito. Ainda assim, achei ao menos duas dignas de nota, que se destacaram da demais, e que menciono abaixo.


Henry Westons Vintage Cider 2015

Nomeada em homenagem ao fundador da marca Westons, esta sidra é produzida com maçãs de uma safra, provenientes de diferentes pomares, de diferentes condados do oeste da Inglaterra. Após a fermentação, ela é maturada em tonéis de carvalho, provavelmente por poucos meses, já que a safra de 2015 já estava engarrafada em maio de 2016 (a colheita ocorreu entre setembro e novembro do ano anterior). Ela possui 8,2% de teor alcoólico, o que é bem acima da média para uma sidra, e classificada como medium dry (meio seca) quando à doçura.

A bebida era de um amarelo-palha translúcido, com poucas bolhas. O aroma de maçã era intenso e predominante, mas o toque da madeira, numa lembrança de especiarias doces é o que a distingue das demais. Ela não me pareceu menos doce do que outras sidras que provei, então, quem tem glicofobia rejeita na hora; mas a acidez é adequada, pra não deixar muito enjoativo. O corpo também me pareceu igual ao de outras, leve, em comparação com vinhos brancos. O gás é pouco, mais para um Vinho Verde do que pra um frisante efetivamente.


Aspall Suffolk Premier Cru Cyder

A Aspall - localizada em Suffolk, leste da Inglaterra - existe desde 1728, nas mãos da mesma família. Eles escrevem o nome de sua sidra com 'Y' - o que segundo eles indica uma sidra com qualidade superior, resultado de dupla fermentação. Atualmente, eles fermentam suas sidras com leveduras selecionadas de Champagne.

O termo Premier Cru é puro marketing - não existe nenhuma demarcação de pomares de qualidade superior, e nem mesmo a garantia de que todas as maçãs sejam provenientes do mesmo pomar - mas me chamou a atenção. O teor alcoólico de 7% é um pouco menor do que a outra, mas ainda acima da média; e segundo consta no contra-rótulo, é seca.

Ela me pareceu um pouco mais seca que a outra, mas não muito. A doçura ainda era bem perceptivel, mais uma vez, equilibrada pela acidez. O perlage era similar ao das sidras mais básicas, mais intenso e de bolhas maiores do que no Westons. O seu destaque estava na mineralidade de aroma, lembrando pedra de mármore. A cor era bem similar, uma amarelo-palha translúcido.

Conclusão

Possivelmente estes não sejam os exemplares de maior qualidade produzidos na Inglaterra, mas os sites especializados em sidra normalmente as consideram um degrau superior. Eu poderia provar novamente essas sidras algum dia, ou outros produtos dos mesmos produtores que pareçam mais distintos, mas seria algo longe das minhas metas em uma próxima viagem ao país.

12 de junho de 2016

Adgestone: vinhos na Ilha de Wight

Neste mês de maio, fui com minha esposa e meus pais passear na Inglaterra. Fomos visitar meu irmão, que está estudando em Portsmouth, no litoral sul do país. Montamos base em Porstmouth, e visitamos principalmente os arredores. Logo ao sul da cidade se localiza uma ilha, pequena se comparada à própria Grã-Bretanha, mas cheia de atrações turísticas, apesar de ser mais conhecida dos britânicos do que de estrangeiros. Chama-se Isle of Wight, e contém castelos, abadias, igrejas medievais, pubs, belas vistas de seus mirantes, falésias por todo lado, e uma abundante produção agrícola. Sua localização no extremo sul do país, e a freqüente chuva que o mar traz o ano todo fazem da Ilha de Wight uma importante zona de produção agrícola do Reino Unido, principalmente de frutas.

Loja e café da Adgestone Vineyard

10 de junho de 2016

Um breve panorama sobre a vinicultura no Reino Unido

Existe um consenso de que a faixa ideal de vinicultura no hemisfério norte se concentra entre os paralelos 40ºN e 50ºN. O Reino Unido (formado por Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte) se localiza completamente ao norte desta faixa do globo, portanto, fora da área considerada viável. Mas isso não impede que alguns produtores sigam tentando.

Vinhedos de Painshill Park, Surrey

5 de junho de 2016

Coyam 2009

Em 2012, um amigo viajou para o Chile, e eu encomendei uma garrafa do Coyam, o segundo melhor vinho da vinícola Emiliana. Na época, eu conhecia apenas as linhas mais básicas (Adobe e Novas), mas gosto bastante do trabalho deles, e tinha interesse em conhecer os rótulos superiores. Porém, no Brasil, além de difíceis de achar, tinham preços proibitivos. Meu amigo me trouxe o 2009, que creio que era a safra mais recente lançada na época.