14 de junho de 2016

Sidra na Inglaterra

A Inglaterra é muito mais conhecida pelas cervejas do que pelo vinho. Mas há outro produto muito popular no país: a sidra. O fermentado de maçã não possui uma grande reputação, mas em qualquer pub, você vai encontrar sidra, e muitas vezes servida on tap, ao lado das cervejas.

O país é o maior produtor de sidra do mundo, mas é na grande maioria um produto industrializado de massa: um produto de baixo teor alcoólico, docinho, feita de suco importado, que agrada principalmente pessoas pouco habituadas a beber, ou que não gostam de cerveja. Mas como podemos perceber pela sua presença constante, tem uma base de apreciadores bastante grande, no país.

Mesmo assim, devem haver produtores interessados em oferecer um produto distinto, com maiores aspirações, feito a partir de melhores práticas - como escolha das melhores variedades da maçã, cuidados na colheita, produção de estilos menos doces, sem pausterização, sem chaptalização, com espumatização natural [*]. E na medida do possível, procurei algumas sidras em mercados e pubs. A minha experiência com sidra é praticamente nula; mas do que provei, nada me convenceu muito. Ainda assim, achei ao menos duas dignas de nota, que se destacaram da demais, e que menciono abaixo.


Henry Westons Vintage Cider 2015

Nomeada em homenagem ao fundador da marca Westons, esta sidra é produzida com maçãs de uma safra, provenientes de diferentes pomares, de diferentes condados do oeste da Inglaterra. Após a fermentação, ela é maturada em tonéis de carvalho, provavelmente por poucos meses, já que a safra de 2015 já estava engarrafada em maio de 2016 (a colheita ocorreu entre setembro e novembro do ano anterior). Ela possui 8,2% de teor alcoólico, o que é bem acima da média para uma sidra, e classificada como medium dry (meio seca) quando à doçura.

A bebida era de um amarelo-palha translúcido, com poucas bolhas. O aroma de maçã era intenso e predominante, mas o toque da madeira, numa lembrança de especiarias doces é o que a distingue das demais. Ela não me pareceu menos doce do que outras sidras que provei, então, quem tem glicofobia rejeita na hora; mas a acidez é adequada, pra não deixar muito enjoativo. O corpo também me pareceu igual ao de outras, leve, em comparação com vinhos brancos. O gás é pouco, mais para um Vinho Verde do que pra um frisante efetivamente.


Aspall Suffolk Premier Cru Cyder

A Aspall - localizada em Suffolk, leste da Inglaterra - existe desde 1728, nas mãos da mesma família. Eles escrevem o nome de sua sidra com 'Y' - o que segundo eles indica uma sidra com qualidade superior, resultado de dupla fermentação. Atualmente, eles fermentam suas sidras com leveduras selecionadas de Champagne.

O termo Premier Cru é puro marketing - não existe nenhuma demarcação de pomares de qualidade superior, e nem mesmo a garantia de que todas as maçãs sejam provenientes do mesmo pomar - mas me chamou a atenção. O teor alcoólico de 7% é um pouco menor do que a outra, mas ainda acima da média; e segundo consta no contra-rótulo, é seca.

Ela me pareceu um pouco mais seca que a outra, mas não muito. A doçura ainda era bem perceptivel, mais uma vez, equilibrada pela acidez. O perlage era similar ao das sidras mais básicas, mais intenso e de bolhas maiores do que no Westons. O seu destaque estava na mineralidade de aroma, lembrando pedra de mármore. A cor era bem similar, uma amarelo-palha translúcido.

Conclusão

Possivelmente estes não sejam os exemplares de maior qualidade produzidos na Inglaterra, mas os sites especializados em sidra normalmente as consideram um degrau superior. Eu poderia provar novamente essas sidras algum dia, ou outros produtos dos mesmos produtores que pareçam mais distintos, mas seria algo longe das minhas metas em uma próxima viagem ao país.

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