25 de dezembro de 2013

O infame Lambrusco...

O Lambrusco entra na categoria dos vinhos que têm péssima reputação entre enófilos, mas que vendem igual água. Tanto que é o estilo de vinho mais exportado da Itália.

Eu apenas havia provado alguns poucos rótulos, desses que encontramos em qualquer supermercado. E devo confessar que dá para entender porque fazem sucesso. Parecem refrigerante, só que com álcool. São docinhos, pouco alcoólicos, não se sentem os taninos, e o gás ajuda a disfarçar os defeitos. Mal dava pra distinguir entre o branco e o rosé, fora a cor. Só não sei qual é o efeito no dia seguinte, após tomar uma grande quantidade destes vinhos.

Mas já havia lido que nem todo Lambrusco é como esses, e que há os de qualidade superior. Primeiro, li no blog Pecado de Vinho: como escolher um bom Lambrusco. E este mês, na Revista Adega saiu uma matéria sobre o assunto.

Só faltava encontrar destes Lambruscos de melhor qualidade, para poder provar. E neste final de ano, encontrei alguns exemplares na Wine.com.br. E mesmo sendo de melhor qualidade, eles não são mais caros: entre R$18 e R$22, por garrafa. Comprei dois: Porta Soprana Lambrusco di Sorbara DOC Secco e Porta Soprana Lambrusco Grasparossa Di Castelvetro DOC Amabile.

24 de dezembro de 2013

Cave Geisse Brut 2011


Eu já tinha lido diversas vezes que o chileno Mario Geisse era um dos melhores produtores de espumante do Brasil. Porém, não é fácil encontrar seus espumantes em Campinas. Para minha grata surpresa, o clube de vinho Winelands distribuiu um de seus rótulos no mês de outubro, e me permitiu finalmente provar um de seus vinhos.
O Cave Geisse Brut 2011 é um espumante safrado, feito pelo método tradicional, com 24 meses de maturação. O processo de finalização do espumante, em que as borras são retiradas, o licor de expedição é adicionado, e a garrafa é finalmente tampada com a rolha definitiva - o dégorgement - ocorreu este ano - como atesta o rótulo - e provavelmente, no segundo semestre do ano. Ele contém 8g/L de açúcar e 12,5% de álcool.
No início do mês, eu levei uma garrafa para ser apreciada em um jantar da minha confraria, onde foi muito elogiado. Mas também foi apreciado nestes dias de festas, como aperitivo. Seu aroma, que evoca das frutas secas ao mel, lhe dá uma sensação de doçura, deixando-o muito agradável. Tem cor amarelo-palha, bolhas muito pequenas e boa acidez.
Jovem, como está, é realmente um espumante agradável. Mas eu gostaria agora de saber como irá evoluir nos próximos anos. Infelizmente, só me restou uma garrafa. Vou ver quanto tempo eu resisto antes de tomá-la.

22 de dezembro de 2013

Ventrechas de pacu e Vinho Verde

Eu e Thais adoramos Vinho Verde, pois são refrescantes, e harmonizam como nenhum outro com o nosso verão. Mais ainda com o calor de Cuiabá. Nesta semana de Natal, que passamos lá, aproveitei para levar algumas garrafas. Levei na mala, duas garrafas do Cativo 2012, vinho que comprei no supermercado Pão de Açúcar. Eu já o tinha comprado por R$25,90 antes, e gostado, mas desta vez estava a R$17,90. Por isso, gostei mais ainda.


Além disso, comprei outros dois rótulos diferentes pela Wine.com.br, que programei para serem entregues diretamente em Cuiabá: Solar das Bouças Loureiro 2012, por R$32,00, e Quinta da Aveleda Vinho Verde Branco 2012, por R$39,00. O primeiro, como não conhecia, comprei apenas uma garrafa. O segundo, eu já conhecia. Sabia, portanto, o que esperar do vinho, e sabia que ele não vale os R$54,00 que estão cobrando em diversos lugares. Achei, no entanto, mais condizente o preço de R$39,00 com que estava sendo vendido na Wine.com.br.

19 de dezembro de 2013

Crémant com flocos de ouro

A Borgonha é muito mais conhecida pelos seus tintos de Pinot Noir, e brancos de Chardonnay. Mas lá também se fazem espumantes, pela Denominação de Origem Crémant de Bourgogne. São espumantes feitos pelo método tradicional, podendo-se utilizar as tradicionais variedades mencionadas acima, além da menos conhecida - mas também típica da região - Aligoté, e representam 9% do total da produção da Borgonha.
A ABS Campinas trouxe para degustarmos os Crémants da Maison Parigot & Richard, sendo apresentados pelo proprietário e enólogo Gregory Georger. A Maison foi criada em 1917, e está na quinta geração da família, produzindo exclusivamente espumantes. Possuem 16ha de vinhedos próprios, que correspondem a 60% do total de uvas que utilizam. O restante é comprado de vizinhos, em contratos às vezes com duração de 50 anos. Eles têm produção anual de 200 mil garrafas, dos quais 80% são exportados.
Ao verificar que ele não tem os sobrenomes dos fundadores da empresa, as pessoas poderiam ser levadas a pensar que a empresa não estaria mais nas mãos da família fundadora. Eu, pelo menos, pensei. Porém, Georger é descendente direto de Emile Parigot, e de Gaston Richard (genro de Parigot), que deram os nomes da empresa. Só que essa descendência veio pelo lado da mãe, mas como herdou o nome do pai, não possui nenhum dos sobrenomes da empresa.

17 de dezembro de 2013

Retrospectiva vinhos da Bulgária

A Bulgária é um país sobre o qual pouquíssimo sabemos, mas que tem uma longa tradição vinícola, já foi o segundo maior produtor de vinhos no mundo (embora quantidade não implica em qualidade), e hoje vem mostrando bons resultados em vinhos de qualidade. A Winelands trouxe este ano para o mercado brasileiro uma boa diversidade de rótulos do país, e eu tive a oportunidade de provar 8 deles, de 3 produtores diferentes. Entre eles, o vinho mais velho que já tomei, com 22 anos. Neste texto, deixo minhas impressões sobre cada um deles.



Breve história do vinho na Bulgária

Vestígios arqueológicos acusam a produção e consumo de vinho desde 6000 anos atrás, nas terras que hoje são a Bulgária. É possível que essas terras tenham sido a porta de entrada das uvas viníferas na Europa. Porém registros históricos só existem do período helenístico em diante. Desde então, até o fim do império bizantino, em 1453, o vinho era parte intrínseca da vida social e religiosa.
O início do domínio do império otomano no século XV causou uma recessão da produção e consumo do vinho. Mas como o domínio muçulmano tolerava os cultos e tradições dos cristãos, sua cultura sobreviveu ao período. Porém, a independência em relação aos otomanos, em 1878, foi seguida da infestação da filoxera, que dizimou os vinhedos por toda a Europa.
A década de 1920 viu a formação de cooperativas, com o intuito de fortalecer o mercado. Antes desse período, praticamente só haviam variedades autóctones, mas a partir da década de 1930, começou-se a introdução de variedades estrangeiras.
Sob influência da União Soviética, a Bulgária virou o principal fornecedor de vinhos para os países comunistas. A ênfase foi em produção de vinhos com variedades estrangeiras. Chegou a ser o segundo maior produtor no mundo. Na década de 80, o excedente de produção e a necessidade de captação de moeda forte (moedas ocidentais) levaram a um significativo volume de exportações para países ocidentais, principalmente Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Japão.
A transição da economia comunista para a capitalista representou a decadência da indústria vinícola do país. Entre outros problemas, o processo de privatização de terras priorizou a partilha em pequenas propriedades, e os novos donos tinham interesse em cultivo de outros alimentos. Além disso, faltava um plano estratégico que englobasse toda a indústria. Com viticultores querendo colher as uvas o mais rápido possível, e vinicultores que não se importavam com a origem da matéria prima, a qualidade dos vinhos caiu drasticamente.
Este quadro começou a mudar a partir do início do século XXI, com investimento e conhecimento estrangeiros. Agora os vinhos búlgaros voltam a ganhar prêmios e mercados.
A legislação atual é de 1999, e está em acordo com a legislação da União Européia.

10 de dezembro de 2013

Casa Silva Rosé 2011

Ainda nem é oficialmente verão, mas o calor está instalado. Ora ou outra, vem uma pancada de chuva para amenizar o calor, mas para aqueles dias em que a chuva não cai, é bom ter um vinho rosé para refrescar.
O vinho fica vistoso na foto, com um visual brilhante, tonalidade de pomelo, e intensidade média/alta. Vinhos rosés em geral costumam ser mais adocicados, o que não me agrada muito. Mas não é o caso deste. Ele é fresco, sem açúcar residual perceptível, com um pouquinho mais de corpo do que a média dos rosés, e dá até pra sentir os taninos, se prestar atenção. O aroma é predominantemente frutado, com um toque herbáceo, e um final de merengue.
Na minha opinião vai bem com diversas pizzas, vegetais grelhados, berinjela à parmegiana, frango, e bisteca grelhada com farofa.


O Casa Silva Rosé 2011 foi mais um que veio com a Winelands.

8 de dezembro de 2013

Nykteri Reserve 2009

Da última viagem dos meus pais da Grécia, minha mãe veio falando maravilhas de um vinho branco da ilha de Santorini. Tanto que fez questão de trazer uma garrafa. Na loja de vinhos, lhe disseram que, do que ela queria, não havia mais, mas havia do vinho 'primo', do mesmo produtor, que ela acabou trazendo. Na mesma loja ela havia comprado um Vinsanto, vinho de sobremesa que é tradicionalíssimo da ilha, e pertence a Denominação de Origem Controlada. Infelizmente, o Vinsanto se quebrou na mala, no regresso, mas o vinho branco chegou, e ela aguardou para tomá-lo comigo.