26 de junho de 2019

Château Musar 2010

Apesar do predomínio da religião muçulmana, o Líbano tem uma tradição na produção de vinhos de mais de 150 anos - ininterruptos, apesar da guerra civil entre 1975 e 1990, e dos conflitos com a vizinha Israel. Em 1857, monges jesuítas fundaram a primeira vinícola (Château Ksara), com videiras da variedade Cinsault, trazidas da colônia francesa da Argélia.

Desde o início a indústria vinícola se centrou no Vale do Bekaa. O Vale está encrustado entre duas cordilheiras (Monte Líbano e Antilíbano), que correm paralelas ao litoral. As montanhas fornecem abrigo de influências marítimas, garantindo ao vale um clima continental. A altitude base de 1000 metros sobre o nível do mar garante importante amplitude térmica entre o dia e a noite 0 que compensa a baixa latitude (33°N). E além de proteger contra influências mediterrâneas, as duas cadeiras de montanha proveem grande quantidade de água, na forma de degelo, que garante ao vale um clima muito propício para produção de diversas frutas, inclusive uvas.

A influência francesa na vinicultura, se intensificou no período entre guerras (1918-1945), em que o país foi colonizado pela França. Neste período, imigrantes franceses fundaram novos châteaux no Vale do Bekaa, plantaram mais variedades francesas, principalmente do sul do Rhône - Cinsault, Carignan, Grenache, Syrah - além das internacionais Cabernet Sauvignon e Merlot. Além das vinícolas e das variedades de uva, até a associação nacional de produtores tem nome francês: Union Vinicole du Liban.

11 de junho de 2019

Grappa di Sassicaia

Bagaceira em Portugal, marc na França, orujo na Espanha, grappa na Itália... cada país europeu com tradição vinícola tem a sua versão de destilado de bagaço das uvas - o material sólido, descartado na produção do vinho. Foi uma forma, em épocas de escassez, de aproveitar ao máximo o que a natureza oferecia.

30 de maio de 2019

Justino's Madeira Colheita 1995

Na Madeira, as uvas brancas são consideradas as mais nobres, mas quem domina os vinhedos é a Tinta Negra Mole. De acordo com as estatísticas oficiais[*], ela ocupa 80% da área de vinhedos. Versátil, resistente a doenças, adaptada ao clima local, vigorosa e produtiva, ela provavelmente foi introduzida na ilha durante o Século XVIII, mas passou a dominar os vinhedos com o replantio que se seguiu à filoxera, que atingiu a ilha em 1872.

19 de maio de 2019

Vinho tinto de uvas brancas?

Vinho branco de uvas tintas, ok. Como a pigmentação que dá cor aos tintos, normalmente, está na casca, com um esmagamento e prensagem cuidadosos, em bica aberta (sem curtimenta), tiramos um mosto incolor de uvas tintas, que resulta em vinho branco. Em vinhos tranquilos, não é comum, mas os há, aqui e ali. Já no mundo dos espumantes, é bem mais comum, como nos confirma a expressão blanc de noirs.

E vinho tinto de uvas brancas?

Não é permitido adicionar corante nos vinhos, portanto são necessárias uvas tintas para se fazer um vinho tinto. Já uma mescla de uvas brancas e tintas, aí sim, é possível. Pequenas adições de uvas brancas em vinhos tintos não são incomuns. O exemplo mais notório são os Syrahs do Rhône Norte, que podem contar com uma adição de até 20% de uvas brancas.