14 de dezembro de 2017

Lagostim e Sémillon

Outro dia, vi no mercado uma bandejinha de caudas de lagostim (a embalagem dizia lagosta, mas era meio pequeno pra ser chamado assim). Não era barato, mas era um valor factível pra se fazer uma graça, uma vez ou outra. Mesmo assim, não comprei na hora.

Dias depois, fui com a Thais para comprarmos algo para fazer na churrasqueira, no feriado. Fomos de costelinha suína, mas aproveitamos e compramos o lagostim para o aperitivo. Para acompanhamento, comprei um tronco de palmito fresco, também para assar na brasa. E para completar, a Thais preparou uma salada de batatas.

O preparo do lagostim foi simples. Um pouco de sal, um pouco de manteiga com salsinha picada, e grelha. O palmito, taquei direto na brasa para amolecer. Depois, ficou mais fácil cortar longitudinalmente, para grelhar no meio. O tempero deste também foi só sal e a manteiga com salsinha.


Sémillon do Chile

Para beber, escolhi o Casas del Toqui Sémillon 2016, que comprei pela Vinumday. A Sémillon é uma variedade originária de Bordeaux, e compõe os vinhos brancos da região, ao lado da Sauvignon Blanc. Sem a fama nem a acidez desta, ela costuma contribuir com untuosidade e corpo em seus vinhos.

Hoje em dia, poucas vezes ela aparece em monovarietal. Mas curiosamente, há não muito tempo, foi a uva branca mais cultivada do Chile. Na década de 1960, ela cobria 30 mil hectares de vinhedo. Mas com a onda da Sauvignon Blanc, e depois da Chardonnay, a sua popularidade despencou, e seus vinhedos foram arrancados para dar lugar a outras variedades. Segundo cadastro de 2015, só restam 860 hectares plantados no país [*].

Hoje em dia, apenas 5 produtores chilenos produzem monovarietais de Sémillon no Chile. Um deles é Casas del Toqui, uma marca que se iniciou em 1994, resultado do investimento do Château Larose Trintaudon, de Bordeaux. Hoje, a empresa é dirigida pela família chilena Court J-O, e conta com 100ha de vinhas próprias, sobretudo no Vale do Rapel.


O Casas del Toqui Sémillon Reserva 2016 faz parte da linha Barrel Series; e de acordo com o importador [*], 40% do vinho passou por barris de carvalho. No entanto, a ficha técnica do produtor, que não foi fácil de encontrar, não confirma essa informação. Muitos comentários que encontrei na Internet o posicionam como um estilo mais simples, privilegiando o frescor. De fato, o vinho tem uma acidez muito boa, mas o caráter da Sémillon se faz notar, com notas meladas, de frutas maduras e toque floral; e um corpo untuoso que casou muito bem com a manteiga usada no preparo do lagostim e do palmito.

Ficha técnica escondida no site do produtor: mas eu achei!

Gostei do vinho: fora do lugar-comum, fresco, agradável, aromas interessantes, de preço acessível (R$63), e o melhor: casou bem com a comida.

4 de dezembro de 2017

Uvas tintas da Grécia

Apesar da tradição vinícola milenar da Grécia, conhecemos muito pouco os vinhos desse país. E com o calor tórrido do verão de lá, os mais conhecidos costumam ser os brancos, que encantam os turistas durante o verão. Mas as variedades tintas também possuem grande importância. Existem duas dezenas delas utilizadas em escala comercial, que cobrem 21 mil hectares de vinhedos, o que corresponde a 40% da área de vinhedos destinados a produção vinícola. E algumas dessas variedades são responsáveis por alguns dos vinhos de maior reputação do país.

As três variedades tintas de maior reconhecimento internacional são Xinómavro (ξινόμαυρο), Agiorgítiko (αγιωργίτικο) e Mavrodaphne (μαυροδάφνη); cada uma delas é a estrela em uma das principais Denominações de Origem Protegidas do país. E apesar da limitada oferta de vinhos gregos aqui no Brasil, temos à disposição exemplares de todas essas regiões - e alguns muito bons, por sinal. Por isso, esse foi o tema que escolhi para o encontro de minha confraria, quando chegou a minha vez no rodízio.

A minha seleção contou com 5 vinhos, sendo dois provenientes do norte do país (DOPs Naousa e Rapsani), e três do Peloponeso (DOP Nemea, Mavrodaphne de Patras e IGT Achaia). Mas antes de descrever os vinhos, falemos um pouquinho dos produtores.

28 de novembro de 2017

Miras Joven Pinot Salvaje 2016

Vinhos interessantes, criativos, fora do lugar-comum, sempre atraem minha atenção; e mais ainda quando encontro muitos comentários positivos a seu respeito. Por isso, quando o Miras Joven Pinot Salvaje 2016 saiu na Vinumday, tive que comprar pra provar.

22 de novembro de 2017

Tornatore Etna Rosso 2014

No ano passado, tive a primeira oportunidade de tomar um vinho tinto da DOC Etna Rosso, produzido aos pés do vulcão ativo que domina a paisagem do leste da Sicília. Essa primeira experiência me deixou com uma ótima impressão; por isso, me interessei ao ver o Tornatore Etna Rosso 2014 oferecido na Evino. Aproveitei um cupom de desconto, e o vinho saiu por R$62.