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16 de setembro de 2023

As origens da Syrah

Um dos vários mitos a respeito da origem da Syrah, é que seria original da Pérsia (Irã), onde há uma cidade de nome Shiraz. De lá, teria sido levada para a França. Segundo essa lenda, a Austrália teria mantido o nome correto da uva, enquanto que na França, ele teria sido afrancesado para Syrah.

No entanto, esta e outras hipóteses de sua origem foram completamente enterradas com as conclusões obtidas dos estudos genéticos: a Syrah é de origem francesa, e nasceu do cruzamento entre duas variedades francesas, que eram e são cultivadas ao redor da provável região de origem - e de excelência - o norte do vale do Rhône.

17 de julho de 2020

Secreto de Viu Manent Viognier

Viognier é uma variedade complicada. Tem uma intensidade e complexidade aromática excelentes, mas frequentemente peca pela acidez.

Original do norte do Rhône, mais especificamente das encostas de Condrieu, esteve próxima da extinção na década de 1960, com míseros 14ha plantados, todos no norte do Rhône. Antes que fosse tarde, seu potencial foi redescoberto, e hoje ela é virtualmente plantada em todo o mundo. Na França, se espalhou pelo restante do vale do Rhône e pelo Languedoc, mas é em Condrieu que alcança a excelência. Também cresceu muito em popularidade na Austrália, e na Califórnia, muitas vezes usada em corte, inclusive nos tintos, ao lado da Syrah, ao estilo da Côte-Rôtie.

O Chile não é um dos países que dão destaque para a Viognier. Há poucos hectares plantados (263ha, de acordo com o Wine Grapes). Mas algo eles estão fazendo de certo, pois o Secreto de Viu Manent Viognier 2017 é o terceiro Viognier que provo de lá, e todos os 3 cumpriram o objetivo de entregar a complexidade aromática com a acidez, tão difícil de se manter.

15 de novembro de 2019

Malamado Viognier 2013

Há quatro anos, nos reunimos pela primeira vez na casa de um confrade da Nossa Confraria, e na ocasião, ele nos mostrou a sua 'adega'. Tratava-se do fundo do armário do quarto, onde ele deixava os melhores vinhos (os vinhos do dia-a-dia, ele mantinha na despensa, mesmo).

20 de janeiro de 2019

Campanha de espumantes da Vinumday

Dentro da grande diversidade de e-commerces de vinho, a Vinumday tem a proposta mais singular (literalmente): a cada dia, oferecem apenas um vinho. Mas a grande sacada - e ainda não entendo como outros sites ainda não adotaram a mesma idéia - é a adega virtual: para não embutir o custo do frete nos preços, nem onerar o cliente, eles oferecem guardar o vinho comprado em uma adega virtual, até que o cliente solicite despachar os vinhos (com a possibilidade de alcançar o valor para frete grátis, que depende do destino).

Mas neste mês de dezembro, eles lançaram uma campanha diferente, dentro da proposta deles, de espumantes brasileiros. Foram 5 produtores diferentes, um a cada 3 dias, com diversos rótulos de cada produtor, com possibilidade de compras individuais, ou em pacotes de ofertas. Haviam desde espumantes básicos, para matar a sede à beira da piscina, quanto tops, para se beber contemplando. Me abasteci de espumantes pras festas de fim de ano, e o resultado saiu melhor do que a expectativa. Por isso, resolvi dedicar um texto ao tema, comentando os que comprei.

21 de maio de 2018

Indómita Gran Reserva Viognier

No mês passado, fui surpreendido por um Viognier, produzido no norte do Chile, no Valle del Limarí (releia, aqui). E na minha viagem ao Chile, fui surpreendido por outro Viognier do Chile, mas produzido quase no extremo oposto, Valle del Bío Bío, no sul do Chile.

Os climas de ambas regiões do Chile não poderiam ser mais diferentes. No Limarí, muito sol, calor, e pouquíssima chuva. Mas a altitude provê o arrefecimento que permite produzir vinhos com frescor. Já o Bío Bío tem o clima bem mais fresco e bem mais úmido, a ponto de muitas vezes não ser necessário irrigar.

16 de abril de 2018

Mais um vinho chileno que foge do lugar-comum

Os vinhos chilenos são os mais importados do Brasil, e abarrotam as prateleiras dos supermercados com vinhos básicos, de qualidade constante; mas ao mesmo tempo sem personalidade, padronizados, aburridos. Normalmente se restringem a vinhos monovarietais, de Cabernet Sauvignon, Merlot, Carmenère, Syrah, Chardonnay ou Sauvignon Blanc; na grande maioria, são oriundos dos maiores produtores, e quase sempre das mesmas regiões do Vale Central: Maipo, Cachapoal ou Colchagua.

Mas o Chile produz muito mais do que isso: muitos sabores distintos, para todos os gostos. A 'expansão' da fronteira vinícola que vem ocorrendo desde o final do século passado nos tem trazido muitos vinhos interessantes, que fogem do estereótipo dos vinhos 'Coca-cola' do Vale Central. Eles têm sido direcionados principalmente ao mercado externo, e vários deles estão disponíveis nas nossas importadoras.

28 de junho de 2016

Os velhinhos

Tenho um amigo que gosta de viver perigosamente. Em mais de uma ocasião, encontrou vinhos velhos, sendo vendidos a preços muito baratos em um outlet de vinhos, e resolveu comprar alguns para experimentar, ou em suas palavras, "conhecer como é o vinho que passou do ponto". Ele trouxe quatro desses vinhos em diferentes encontros da confraria, para analisarmos juntos.

14 de junho de 2015

Kronos e Rhea, um casal mitológico

De acordo com a mitologia grega, Rhea e Kronos são deuses Titãs, descendentes do deus-céu (Urano) e da deusa Terra (Gaia). Kronos, que possuía o poder de controlar o tempo, destronou o pai, e reinou o cosmos durante a era dourada da mitologia grega. Ele teve com Rhea 6 filhos. Porém, assim como o tempo devora tudo, Kronos devorava seus filhos, para tentar impedir a profecia de que um descendente seu iria destroná-lo. Ele devorou todos, exceto o 6º, Zeus, que Rhea escondeu, e que veio efetivamente a destroná-lo, terminando a era dourada, e dando origem ao Olimpo.

A história deles não é das mais românticas, mas este casal nos fez companhia no jantar de 12 de junho, e tornou nossa noite ainda mais especial. Optamos por um jantar em casa, sem o caráter comercial dos restaurantes. Além do mais, onde poderíamos comer melhor do que em casa? Comida preparada da melhor forma, com os ingredientes frescos e de origem conhecida. Thais preparou um cardápio delicioso, e eu escolhi os vinhos para acompanhar: Rhea Viognier 2011 e Kronos Pinot Noir 2011, ambos topo de gama da Cramele Halewood.

12 de março de 2015

Essência do Vinho - Porto 2015

Texto da série: Descobrindo e Provando Portugal com a ViniPortugal

Este relato trata da minha visita a Portugal como convidado da Vinhos de Portugal. Caso ainda não tenha lido, leia o prólogo.


Os últimos dois dias de nossa programação em Portugal estavam reservados para a participação na feira Essência do Vinho - Porto, no belo Palácio da Bolsa, na cidade do Porto. A feira é organizada pela Essência do Vinho, agência de organização de eventos enogastronômicos, que além da feira, publica a Revista Wine - Essência do Vinho, e organiza os cursos de Formação de Vinhos Portugueses no Brasil. Por falar nisso, as datas dos cursos em 2015 já foram divulgadas, e as inscrições já estão abertas. Quem sabe você não estará entre os próximos convidados de Portugal, no ano que vem?

26 de dezembro de 2014

Km 0 Río de la Plata Gran Reserva Viognier 2011

A pequena cidade de Carmelo, no sudoeste do Uruguai, se localiza no encontro entre os rios Uruguai e Paraná, quando nasce o famoso Rio da Prata. É o 'Km 0' do rio. Ali, o imigrante basco Don Lorenzo Irurtia se estabeleceu, no final do século XIX, e fundou sua vinícola: a Bodega Irurtia. É uma das vinícolas mais antigas do país. A primeira colheita ocorreu em 1913, e ano passado, com a quarta geração da família, a empresa festejou a centésima colheita. Hoje, ela possui mais de 350ha de vinhedos, e capacidade de produção de 9 milhões de litros por ano.

Esta pequena cidade está longe do roteiro enoturístico mais badalado do Uruguai, devido à sua distância em relação à capital Montevidéu (a 235 Km de distância). Mas a Winelands foi até lá para trazer seus vinhos ao Brasil.

23 de abril de 2014

Os irmãos Brun

Esta semana está sendo repleta de eventos de vinhos pelo estado de São Paulo. Mas sem dúvida, o mais importante é a Expovinis. Em sua 18ª edição, é a primeira vez que pude comparecer. Quem já foi em alguma, sabe que é uma feira imensa, e é preciso escolher bem o que quer conhecer, pois é impossível visitar todos os estandes. Entre os meus objetivos estava conhecer os vinhos dos quatro produtores da Provence, que vieram à feira.


Gostei, claro, de todos os vinhos que provei, porém, para mim merece destaque o Château de Brigue. O menor dos quatro produtores, e único que não possui importador no Brasil, é propriedade de quatro irmãos, em que cada um possui uma responsabilidade. Cabe ao irmão Olivier Brun a divulgação e comércio, e portanto, veio representar a empresa na feira. O principal produto, claro, são os rosés, mas ele trouxe quase todo o seu portefólio, incluindo brancos, rosés, um espumante e um vinho de sobremesa.

17 de dezembro de 2013

Retrospectiva vinhos da Bulgária

A Bulgária é um país sobre o qual pouquíssimo sabemos, mas que tem uma longa tradição vinícola, já foi o segundo maior produtor de vinhos no mundo (embora quantidade não implica em qualidade), e hoje vem mostrando bons resultados em vinhos de qualidade. A Winelands trouxe este ano para o mercado brasileiro uma boa diversidade de rótulos do país, e eu tive a oportunidade de provar 8 deles, de 3 produtores diferentes. Entre eles, o vinho mais velho que já tomei, com 22 anos. Neste texto, deixo minhas impressões sobre cada um deles.

20 de julho de 2013

Winelands: vinhos orgânicos

Além de ser o clube de vinhos mais eclético do mercado - oferecendo todos os meses vinhos tintos, brancos, rosés e espumantes - a Winelands também me conquistou pela oferta frequente de vinhos exóticos. Mas existe um outro fator de interesse no clube: com freqüência selecionam vinhos orgânicos e biodinâmicos, o que é uma opção mais saudável, mais sustentável, e ainda assim pode ser de grande qualidade.

28 de abril de 2013

Vinhos do Douro Superior

No texto Vinho e Sabores da Beira Interior, comentei sobre a marca Beyra, que vem a ser um projeto independente do enólogo Rui Roboredo Madeira. Porém este é apenas um dos projetos do enólogo. Além deste, ele também possui várias marcas de vinhos do Douro, agrupadas sob a empresa VDS - Vinhos do Douro Superior. E o stand da Beyra aproveitou para mostrar também os vinhos deste projeto.

Os vinhos Beyra, eu já descrevi nos textos anteriores (veja tintos e brancos). Mas o que o stand tinha a mostrar de melhor foram mesmo os vinhos do Douro Superior.