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17 de dezembro de 2016

Costasera Amarone Classico Riserva 2011

Este ano, escrevi bastante a respeito de Amarones e outros vinhos de Valpolicella. Entre degustações das minhas confrarias e vinhos tomados entre amigos, tomei de um bocado de vinhos da região. Achei pertinente documentar duas degustações que achei bastante educativas: uma intrínseca (comparação entre os quatro estilos da região); e outra extrínseca (uma avaliação de vinhos feitos ao estilo Amarone); assim como alguns dos vinhos mais dignos de nota (aqui).

Eu não escrevi a respeito de cada um dos vinhos que provei, ou me tornaria muito repetitivo. Mas eu não poderia terminar o ano sem registrar uma garrafa que um casal amigo trouxe da Itália e dividiu com a gente; e que certamente está entre os melhores vinhos que tomei no ano: o Costasera Amarone Classico Riserva 2011. Ele é produzido pela vinícola Masi - uma das mais conceituadas de Valpolicella.

17 de novembro de 2016

Torrazzine Recioto Della Valpolicella 2002

Conforme eu comentei no meu texto anterior, a degustação de vinhos ao estilo Amarone foi finalizada com o 'pai da criança', o doce Recioto della Valpolicella. Um vinho especial como esse não pode passar em branco, sem um registro no blog.

Imagem aérea da vinícola, obtida no Google

Na ocasião, tivemos o Torrazzine Recioto Della Valpolicella 2002, produzido pela Azienda Agricola Villa Erbice. A vinícola se localiza em uma propriedade histórica do século XVII, e começou a produzir vinhos em 1870. Hoje, está na terceira geração da família Erbice, e possui 13 hectares de vinhedos nas regiões de Valpolicella e Soave, cultivados em agricultura integrada, isto é, evitando ao máximo o uso de pesticidas sintéticos.

Estilo Amarone

Vinhos de sobremesa feitos de uvas passas são lugar-comum: algumas dezenas de locais por toda a Europa possuem tradição secular em vinhos doces desse estilo. Mas vinho seco com uvas passificadas, é bem mais incomum. A única referência mundial neste estilo é o Amarone della Valpolicella; e mesmo ele corresponde a uma tradição relativamente recente.

O Amarone teria surgido como um Recioto que deu errado. Para quem não conhece, Recioto é um passito, isto, é, um vinho doce feito de uvas passificadas (para quem quer conhecer mais a respeito dos estilos de vinho de Valpolicella, clique aqui). Diz a lenda que, eventualmente, a fermentação não era interrompida no momento correto, e o vinho fermentava até consumir todos os açúcares. Ficava seco e ligeiramente amargo, por isso o nome Amarone (amaro é amargo em italiano). Esse vinho nem era comercializado. Apenas a partir da década de 1950, alguns produtores locais começaram a investir especificamente nessas versões secas. O primeiro Amarone lançado no mercado foi o Bertani, em 1958 (na época, ainda chamado de Reciotto della Valpolicella Amarone [*][**]). Ou seja, esse estilo ainda nem chegou aos 60 anos.

Com o tempo, o sucesso dos Amarones della Valpolicella inspirou produtores, aqui e ali, a fazerem vinhos secos (ou quase secos) de uvas desidratadas. E este foi o tema do último encontro de uma de minhas confrarias. Tivemos um vinho chileno, um brasileiro, um autêntico Amarone, e ainda um outro vinho do Vêneto. Todos eles baseados na mesma premissa, porém cada um com suas particularidades de produção, que resultaram em vinhos distintos.

15 de julho de 2016

La Bandina 2008 Valpolicella Superiore

Conforme eu escrevi no post anterior, os vinhos de Valpolicella gozam de grande popularidade entre consumidores, mas são desdenhados por enochatos e especialistas. Claro que parte desse baixo conceito se deve a uma tendência de vários produtores que privilegiam a produtividade em detrimento da qualidade. Mas isso acontece em qualquer região. O principal motivo de serem pouco valorizados é porque são vinhos tradicionalmente despretensiosos, macios, frutados, fáceis de beber, enfim, ideais para o dia-a-dia, e acompanham bem uma ampla gama de comidas diferentes.

11 de julho de 2016

Os quatro estilos de Valpolicella

Este semestre, um dos encontros da minha confraria da ABS Campinas SBSomm teve como tema uma instrutiva degustação comparativa dos quatro estilos de vinhos de Valpolicella - desde o popular tinto básico - até as especialidades da região: Valpolicella Ripasso, Amarone della Valpolicella e Recioto della Valpolicella. Os quatro, lado a lado, com seus estilos bem distintos. Creio que nem todo mundo conhece bem tudo o que há na região. Alguns amigos até reconhecem o nome Valpolicella, mas não conhecem todos os estilos. Pra mim mesmo, foi o primeiro Recioto que provei na vida. Por isso, achei interessante registrar a degustação.