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23 de junho de 2018

Renoble Sauvignon Blanc 2013

A vista da janela de um avião frequentemente nos brinda com imagens muito interessantes. A vista dos topos cobertos de neve dos Andes, na travessia a caminho de Santiago, por exemplo, é arrebatadora.

O vôo entre Santiago e Puerto Montt é certamente menos impressionante, no entanto, não menos revelador em relação à peculiar geografia do país, ao menos para alguém atento e ciente. O trajeto de pouco menos de duas horas percorre o trecho em paralelo à pré-cordilheira e à Cordilheira da Costa, expondo, às vezes de forma incrivelmente nítida, como o seu relevo delimita e define suas 3 faixas longitudinais - Andes, Entre-Cordilheiras e Costa - que só há pouco tempo foram reconhecidas como fator de classificação regional dos vinhos chilenos.

25 de março de 2018

Visita a Bodegas RE


No final de fevereiro, fui ao Chile de férias. O objetivo foi visitar a região de Puerto Varas e os lagos andinos; mas aproveitei para dar uma passadinha em uma vinícola. E ao escolher uma só vinícola, não poderia ser outra que não as Bodegas RE, cujos vinhos criativos, frescos e cheios de personalidade me conquistaram no ano passado.

A vinícola é o mais novo projeto de Pablo Morandé, um dos principais enólogos do Chile. Ele foi o pioneiro na produção de vinhos no Vale de Casablanca, hoje uma referência no Chile na produção de vinhos brancos. Na década de 1980, como enólogo da Concha y Toro, ele sugeriu a esta o investimento na região. A empresa não demonstrou interesse, então ele mesmo decidiu plantar os primeiros vinhedos, e formar a vinícola que leva seu nome, a Morandé. No início do século, ele vendeu sua parte na Viña Morandé, e criou o novo projeto familiar, as Bodegas RE, cujo nome remete a recriar, reinventar, revelar, renascer, reviver. Hoje, a condução da empresa está mais a cargo dos filhos, mas Don Pablo segue acompanhando.

A nova vinícola, como não podia deixar de ser, se localiza no vale de Casablanca. E nos vinhedos da região, eles cultivam principalmente variedades brancas - Sauvignon Blanc, Riesling, Gewürztraminer, Chardonnay e Pinot Gris - mas também Pinot Noir e Syrah, duas variedades tintas que se adaptam bem a climas mais frios. Além disso, a família possui vinhedos no Maule, onde cultivam outras variedades tintas, como Carignan, Garnacha, Cabernet Sauvignon, Cinsault, e também um pouco de Syrah.

7 de março de 2018

Um vinho da Síria: Bargylus Blanc 2011

Imagina produzir vinho em um país parcialmente dominado pelo Estado Islâmico, e estraçalhado por uma guerra civil. Imagina os riscos em levar a cabo essa produção, as dificuldades em importar garrafas e rolhas, e depois retirar de lá os vinhos. Imagina o medo diário dos funcionários locais, com o risco de serem julgados e condenados por extremistas, ou mesmo de serem atingidos por balas ou morteiros 'perdidos'. Imagina coordenar essa produção a distância, radicado em Beirute, Líbano. Essa é a batalha cotidiana do Domaine de Bargylus, a única vinícola a produzir em escala comercial na Síria, que segue produzindo ano a ano, resistindo à guerra civil.

Mapa da Síria (Original: Commons Wikimedia)

28 de novembro de 2017

Miras Joven Pinot Salvaje 2016

Vinhos interessantes, criativos, fora do lugar-comum, sempre atraem minha atenção; e mais ainda quando encontro muitos comentários positivos a seu respeito. Por isso, quando o Miras Joven Pinot Salvaje 2016 saiu na Vinumday, tive que comprar pra provar.

4 de fevereiro de 2017

Vinho à beira da praia: por quê não?


Neste verão, tirei uns dias de férias na praia, em Natal. Fazia mais de 20 anos que não ia a Natal, e como mudou a cidade! O cajueiro, coitado, foi todo cercado de lojinhas, e não tem mais pra onde crescer. A lagoa de Genipabu, disseram que secou; e o 'skibunda' agora fica na lagoa de Jacumã, que parece estar caminhando para a mesma triste sina. Mas nem tudo que o progresso trouxe foi de ruim, e a região de Ponta Negra, distante da realidade de Alcaçuz, bomba de bares, restaurantes e vida noturna (soldados do exército patrulhavam a todo momento, garantindo a segurança da população e dos turistas).

25 de março de 2016

Queijos de cabra e vinhos

Queijo Serra do Lopo (e no segundo plano, Rolinho do Bosque)

Conforme comentei no início da semana passada, depois que fui pela primeira vez ao Capril do Bosque, no ano passado, fiquei com vontade de realizar uma degustação de seus queijos e alguns vinhos com o pessoal da Nossa Confraria. Pois agora, este mês, esta oportunidade se concretizou, e fizemos um delicioso encontro com vinhos e queijos de cabra, além de outras comidinhas. Além dos queijos do Capril do Bosque, tínhamos patê de damasco, mousse de gorgonzola, lingüiça apimentada curada, frutas secas, e antepasto de bacalhau (com bacalhau, alho, salsinha e tomate), além de pães e torradas. Tudo delicioso!

8 de fevereiro de 2016

Sauvignon Blanc Rosé ?!?


A Bodega Lauca, localizada no Vale do Maule, Chile, criou um vinho inusitado: o Lauca Sauvignon Blanc Rosé 2014. Para quem possa estar se perguntando como pode-se fazer um vinho rosé a partir da Sauvignon Blanc, que é uma variedade branca, sem nenhuma pigmentação de cor, informo que na realidade foi utilizada uma pequena quantidade de Carignan, uma variedade tinta, para dar a cor rosé. E como esta quantidade foi muito pequena, a legislação permite que o vinho seja considerado um monovarietal, como se tivesse sido feito unicamente de Sauvignon Blanc.

24 de abril de 2015

Da Eslovênia para o clima do Brasil

Terminou hoje a Expovinis 2015. No meio dos grandes espaços de vinhos da Itália, França e Espanha havia um pequeno stand, representando um pequeno país da Europa, que chamou a atenção: vinhos da Eslovênia. O país é pequeno, mas o produtor é grande: a Puklavec & Friends é o maior de seu país, controla 1100 hectares de vinhas - sendo 650ha próprios, e o restante arrendados - e produz 7,5 milhões de litros por ano.

Grandes também são as expectativas da empresa com o mercado brasileiro: eles dizem que têm o clima perfeito pra produzir os vinhos perfeitos para o clima do Brasil. As terras da empresa se localizam no nordeste do país, em uma região montanhosa de clima continental, de invernos rigorosos e verões frescos, um clima ideal para a produção de vinhos brancos e espumantes frescos e frutados. A maturação das uvas é muito lenta, garantindo vinhos de excelente acidez e muito frutados. É um clima tão fresco, que não é possível produzir vinhos tintos de qualidade, por isso a empresa produz seus tintos na República da Macedônia (um foi apresentado na feira, conheça-o clicando aqui).

17 de abril de 2015

Espumante Sauvignon Blanc da Eslovênia


Segundo a lenda, um grupo de cruzados que ia em direção a Jerusalém parou para descansar em uma região montanhosa. Ali, foram recebidos por um povo hospitaleiro, e tomaram de seus vinhos. Gostaram tanto, que decidiram ficar, e batizaram a localidade de Jerusalem.

Este lugarejo se localiza na região de colinas entre os municípios de Ljutomer e Ormož, região de Podravje, no nordeste da Eslovênia, quase na fronteira com a Croácia. Devido ao clima mais frio, os vinhedos desta região são considerados ideais para a produção de vinhos brancos e espumantes. Nessas terras estão os vinhedos e a vinícola de Puklavec & Friends.

15 de outubro de 2014

Vinhos da Azienda Agricola Livon, Friuli

No final do mês passado, em função da degustação de vinhos laranjas na ABS, falamos da região de Collio, uma pequena DOC na fronteira com a Eslovênia. Nesta região, Josko Gravner faz os seus vinhos laranjas, que são a referência neste estilo. Mas a região já tinha grande reputação com seus vinhos brancos, muito antes dos vinhos laranjas de Gravner.

Coincidentemente, esta semana, a loja Excelência Vinhos - junto com o importador Mercovino - realizou uma degustação de vinhos com produtos da Azienda Agricola Livon, cuja sede se localiza nesta mesma região. Foi uma grande oportunidade de conhecer mais os vinhos da região, e comprovar a qualidade de seus brancos. A degustação foi um evento descontraído, um coquetel sem formalidades - como ocorre de praxe na loja - e contou com a presença do representante comercial da vinícola, Maurizio Dalmasson. Foram degustados 8 vinhos, sendo 6 brancos, já que é o principal produto do Friuli.

16 de maio de 2014

Sanduíche acompanhado de vinho francês. Sacrilégio?

O que lhe parece abrir um vinho de Bordeaux para tomar junto de um sanduíche? Um sacrilégio? Bobagem.

Esta noite, ocorreu uma feliz coincidência, que eu não poderia deixar de aproveitar. Mal chegaram os vinhos do mês da Winelands, e o lanche da noite era sanduíche de rosbife com queijo de cabra. Era como um sinal de que eu tinha que abrir um dos Sauvignon Blancs recém-chegados.

4 de novembro de 2012

Galinha com arroz


A preparação começou na véspera. Comprei sobrecoxas de frango, com pele e osso, cortadas a passarinho. D. Cida lavou as peças com um pouco de vinagre, e as deixou marinando no tempero de um dia para o outro, na geladeira. O tempero continha alho, pimenta-do-reino, pimenta-malagueta em pó, sementes de coentro, canela e sal, tudo macerado no pilão.

No dia seguinte, as peças foram fritas em imersão, em azeite comum. Em seguida os pedaços de frango foram reservados, o azeite separado à parte, e na mesma panela, foram colocados para refogar, na seguinte ordem, pedaços de pimenta cambuci, extrato de tomate, tomate picado, salsinha, milho verde, o arroz, e por último, o frango. Tudo cozinhou até que o arroz estivesse cozido, mas ainda 'molhadinho', suculento. O azeite do frango ainda foi usado para fritar a banana-da-terra, que foi usada para fazer a farofa de banana, que não poderia faltar em uma refeição cuiabana. Ainda acompanharam o prato, feijão e uma salada de folhas.