24 de abril de 2015

Da Eslovênia para o clima do Brasil

Terminou hoje a Expovinis 2015. No meio dos grandes espaços de vinhos da Itália, França e Espanha havia um pequeno stand, representando um pequeno país da Europa, que chamou a atenção: vinhos da Eslovênia. O país é pequeno, mas o produtor é grande: a Puklavec & Friends é o maior produtor de seu país, controla 1100 hectares de vinhas - sendo 650ha próprios, e o restante arrendados - e produz 7,5 milhões de litros por ano.

Grandes também são as expectativas da empresa com o mercado brasileiro: eles garantem que têm o clima perfeito pra produzir os vinhos perfeitos para o clima do Brasil. As terras da empresa se localizam no nordeste do país, em uma região montanhosa de clima continental, de invernos rigorosos e verões frescos, um clima ideal para a produção de vinhos brancos e espumantes frescos e frutados. No clima da região, a maturação das uvas é muito lenta, garantindo vinhos de excelente acidez e muito frutados. É uma maturação tão lenta que não é possível produzir vinhos tintos de qualidade, por isso a empresa produz vinhos tintos na República da Macedônia (um foi apresentado na feira, conheça-o clicando aqui).

Sauvignon Blanc

A Sauvignon Blanc é uma das variedades mais importantes da empresa, representa 35% dos vinhedos, e é a principal aposta da empresa para o nosso mercado. Começa por um espumante Sauvignon Blanc, do qual já comentei no blog (clique aqui para ler). É pouco usual fazer espumantes com a Sauvignon Blanc, mas este é um de seus produtos de maior sucesso de mercado. Eu o servi nas festas de fim de ano, e foi um sucesso com o calor do verão.


Além deles, a empresa trouxe para o Brasil dois cortes de Sauvignon Blanc, que correspondem à linha Popular Premium: a linha de entrada, de vinhos leves e redondos, com baixo teor alcoólico (11% e 11,5%) e muito boa acidez, ideais para serem consumidos gelados, à beira da piscina ou na praia:
  • Sauvignon Blanc / Furmint Popular Premium 2013, feito em corte com a Furmint - uma uva típica da Hungria, famosa pelos vinhos de sobremesa Tokaji. É um vinho floral e cítrico, que remete a limão siciliano, maçã verde e com um leve herbáceo. Eu conheci este vinho na feira, e gostei muito.
  • Sauvignon Blanc / Pinot Grigio Popular Premium 2014 (esta foi a safra apresentada na feira, mas não foi lançada ainda - pode-se encontrar no mercado a safra 2013), que mostra mais a tipicidade da Sauvignon Blanc (aromas de maracujá e folha de tomate), com um toque de Pinot Grigio (30%) que trás uma sensação de doçura com aromas de frutas de caroço como pêssego. Foi outro vinho que tive a oportunidade de servir em casa, à beira da piscina, e também agradou a todos.


Single Vineyards

A empresa também está trazendo rótulos de brancos mais encorpados e estruturados. A marca Gomila representa os vinhos de categoria superior da empresa. E dentro dela, uma linha é ainda mais especial, os Single Vineyards. Cada um deles é feito a partir de um único vinhedo, que o enólogo-chefe da empresa, Mitja Herga, considera a melhor parcela para cada variedade. No Brasil, apresentaram dois:
  • Gomila Sauvignon Blanc Single Vineyard 2013: mais uma vez, a Sauvignon Blanc, desta vez em um monovarietal, com aroma intenso e muito típico da variedade, com bastante presença de maracujá e folha de tomate. Encorpado, mais seco e com acidez destacada, de forma que o álcool (13%) não aparece. Promete acompanhar pratos de peixes e frutos do mar.
  • Gomila Furmint Single Vineyard 2013: este vinho passou 12 meses com as borras, 10% passou por barrica, e 5% sofreu fermentação malolática, tudo para aumentar a complexidade do vinho. É um vinho muito floral e frutado (maçã verde, pêra, carambola e groselhas verdes), com uma entrada de boca levemente adocicada, mas que rapidamente se mostra seco e amplo, e com um final de longa persistência. É um vinho muito agradável.


Auslese

Em seu stand na feira, a empresa ainda mostrou o vinho Gomila Traminer Auslese 2011. Traminer é a variedade da uva, que é da família da Gewurztraminer, e Auslese é um termo alemão que significa colheita tardia. De acordo com Mitja Herga, é tradicional na Eslovênia utilizarem a Traminer em vinhos de colheita tardia. Na safra 2011, as uvas foram colhidas na metade de novembro. O vinho é doce (60g/L de açúcar) e com pouco álcool (10,5%), com muito boa acidez que limpa o palato e equilibra a doçura natural do vinho. Além disso, é muito aromático, remetendo a lichias, rosa, avelãs e mel, com boa persistência.


Os vinhos realmente têm tudo para serem um sucesso no Brasil. E não me baseio apenas na minha opinião pessoal, mas também na do público que visitou em massa o stand e que participou da degustação comentada. São vinhos que têm tudo a ver com nosso clima: sol, piscina, praia e descontração. Eles já são importados no Brasil, por três importadores diferentes (Global Wine, no RJ; Winelands, no RS; e Doc4Import, em SP).

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