25 de janeiro de 2014

Terras de que ninguém faz idéia e o olho de perdiz


Este espumante veio direto das Terras do Demo para aplacar esse calor dos infernos. Produzido pela Cooperativa Agrícola do Távora, com D.O.C. Távora-Varosa, que vem a ser uma pequena região espremida entre Douro e Dão. Távora-Varosa não é uma região tão conhecida quanto seus vizinhos de norte e sul, porém tem os espumantes como sua maior reputação. Foi inclusive a primeira D.O.C. de espumantes de Portugal, em 1989.

Os vinhos de Göttweiger Berg...

e uma reflexão sobre os últimos vinhos da Sociedade da Mesa


Nos últimos meses, me parece que as remessas da Sociedade da Mesa têm estado entre extremos, talvez para tentar satisfazer perfis antagônicos de clientes. De um lado, diversos Tempranillos espanhóis excessivamente amadeirados, e Malbecs da Argentina. Incluindo as duas primeiras remessas deste ano, são 3 Tempranillos e 3 Malbecs, em 9 meses!
Do outro lado, vinhos de países exóticos - Geórgia e da Áustria - simples, leves e frutados, sem nenhuma passagem por madeira.

Sucos de carvalho

Existe uma clara relação entre o uso de barricas, e o preço dos vinhos. A barrica por si só já é cara, mas ocupar largos armazéns em temperatura controlada cheios de barricas, durante longos períodos, torna o produto ainda mais caro. A partir dessa observação, alguém no passado andou a proferir a falácia de que o vinho, quanto mais tempo passava em barrica, melhor. E deveriam ser barricas novas, pois reusar barrica seria uma forma de tentar economizar na produção, em detrimento da qualidade. Essa falta de compreensão acabou resultando numa tendência a se produzir 'sucos de carvalho', e uma legião de consumidores, que tentaram se formar seguindo maus exemplos, que enaltecem estes vinhos.

Créditos da foto: Wine Folly

18 de janeiro de 2014

Salmão e Vinho Verde


Adoraz 2012 é Vinho Verde feito com o tradicional corte entre Alvarinho e Trajadura. E quem me acompanha, já sabe: Vinho Verde de Alvarinho implica em sub-região de Monção e Melgaço. E é lá mesmo que fica a Quinta de Alderiz, uma pequena propriedade com 12ha de vinhas, sendo 10,5 de Alvarinho, e apenas 1,5ha de Trajadura.

17 de janeiro de 2014

Terroirs Originels: um por todos

Do sul da Borgonha vem este exemplo de união de esforços de pequenos produtores para, juntos, ganharem competitividade no acirrado mercado globalizado. Ele se chama Terroirs Originels, e é formado por 22 propriedades - com média de 12ha - nas sub-regiões de Beaujolais e de Mâconnais.
A sociedade fica a cargo dos trabalhos de comercialização, contabilidade e marketing, dividindo os custos nessas áreas, que seriam impeditivos a cada produtor independentemente. Com isso, os proprietários podem se dedicar exclusivamente à produção do vinho.
Cada um dos Domaines tem produção independente, exclusivamente a partir das próprias uvas (100% récoltants, como se diz em francês), buscando diversidade, de forma que cada um possa buscar a expressão de seu próprio terroir.
A empresa possui representantes de todas as denominações de origem de Beaujolais, principalmente os 10 crus, quase que na totalidade tintos (e da uva Gamay), e 7 denominações da vizinha Mâconnais, apresentando brancos da uva Chardonnay.
E por que estou falando dessa empresa? Porque tive a oportunidade de comprovar a qualidade de 4 dos seus vinhos. Um espumante rosé fantástico, dois crus de Beaujolais de impressionante estrutura, e um branco de Mâconnais.

14 de janeiro de 2014

Pitars Refosco 2011


Terceiro vinho do mesmo produtor, e que havia recebido pelo clube de vinhos Winelands, na mesma remessa, calhou de poder prová-lo na seqüência, graças a uma folga que o verão deu. Começaram as pancadas de chuva, e a noite ficou agradável, com uma brisa fresca. Já não era sem tempo!
E portanto, fui lá eu abrir o Pitars Refosco 2011, feito com a uva Refosco dal Pedúncolo Rosso. Esta vem a ser a única uva tinta autenticamente italiana, dentre as utilizadas na denominação de origem de Friuli Grave, à qual pertence o vinho. Todas as outras variedades utilizadas são francesas.
Conforme falei, este é o terceiro vinho que provo deste produtor. Antes, provei um Prosecco para tomar com um sanduíche, e logo em seguida, um branco que me pegou de surpresa. Faltava provar o tinto. E foi o vinho que mais me agradou. Em primeiro lugar, é macio, não pesa, tem apenas 12,5% de álcool, é muito fácil de beber. Em segundo lugar, tem um aroma fora do lugar-comum: sem nada exótico, mas com algo de original. Acredito que seja bastante gastronômico, apesar de eu tê-lo tomado sem acompanhamento, o que também é uma ótima experiência. Recomendo fortemente.
    Pitars Refosco 2011: cor de intensidade média, centrada no rubi, mas que parecia oscilar entre reflexos violáceos e granada. Apresenta aromas de frutas negras, chocolate, especiarias, e um herbáceo, meio que balsâmico. Tem corpo médio, taninos macios, acidez refrescante e boa persistência aromática.

12 de janeiro de 2014

Pitars Pinot Grigio 2012...

...e como a temperatura do vinho faz diferença


Este vinho da Cantine San Martino chegou junto do Prosecco, que havia tomado na véspera. E a experiência com o Prosecco aumentou meu interesse neste, sendo fator decisivo para escolher que vinho iria abrir.


Ao ver a descrição do Pitars Pinot Grigio 2012 no site, ele inicialmente me interessou, por algumas boas experiências que tive com essa uva - apesar de a moda da Pinot Grigio ter passado, e no efeito típico do pós-hype, ela estar com a reputação manchada. Porém, em um segundo momento, vi que este vinho teve nota boa de Robert Parker, o que para mim soa a vinho bombado, e me desanimei um pouco.
Mesmo com a nota do Mr. Parker, resolvi arriscar. Afinal, nominalmente, o vinho possuía apenas 12,5% de teor alcoólico, e não tinha passagem por madeira. E ainda antes de abrir o vinho, vi um relato na Internet de que ele seria fresco, leve, de ótima acidez.
Sendo assim, no dia de abri-lo, resolvi colocar a garrafa por meia hora no congelador, e depois passá-la ao balde com gelo, para tomá-lo na temperatura recomendada. Logo ao abrir a garrafa, senti notas de limão, e ao servi-lo na taça, vi uma presença massiva de micro-bolhas, denunciando uma leve efervescência. No entanto, ao prová-lo, foi como se tomasse um murro na boca. Era tudo aquilo que eu temia da nota do RP. Era alcoólico e amargo, e o aroma inicial havia se transformado em cascas de laranjas amargas. Acidez, tinha, mas não era aquilo tudo que havia sido descrito. Imediatamente, tirei o vinho do balde, e deixei-o esquentar.
E melhorou. Não é que tenha ficado fantástico, mas pelo menos ficou equilibrado. Definitivamente, este vinho deve ser bebido acima dos 15ºC.
    Pitars Pinot Grigio 2012: cor amarelo-palha, com muita presença de bolhas, denunciando uma possível fermentação malolática na garrafa. Corpo médio, acidez média, álcool equilibrado, e certa untuosidade. Aromas inicialmente de cítricos frescos, passando a laranjas amargas, mas também de pêssego e ameixa frescos, além de um toque de avelã.

11 de janeiro de 2014

Prosecco Brut La Corte 2010


No final do ano passado, a Winelands enviou alguns vinhos italianos, da Cantine San Martino, também chamada de Pitars, localizada em Friuli, no nordeste da Itália, na fronteira com a Eslovênia. É uma empresa razoavelmente grande, com 120ha. Entre outros vinhos, também produzem espumantes de D.O.C. Prosecco, como este.

8 de janeiro de 2014

Vinha da Defesa rosé 2012


Mais uma noite quente, resolvi abrir um vinho rosé, aproveitando para testar uma harmonização com uma berinjela à parmegiana. O Vinha da Defesa rosé é produzido pela conceituada Herdade do Esporão, no Alentejo. Ele é um corte entre Aragonês e Syrah, vinificado com maceração curta. Há dezenas de comentários a seu respeito pela Internet, em diversos blogs, brasileiros e portugueses, todos sempre elogiosos, o que me animou bastante.

2 de janeiro de 2014

Periquita Reserva 2010


Desde a época da faculdade, quando a grana era 'curta', o vinho Periquita era uma das minhas compras favoritas. Bom custo e satisfação garantida. Na época, custava menos de R$20. Parei de tomá-lo com frequência por volta de 2004, quando trocou de rótulo, ganhou meio ponto percentual de álcool, e quase duplicou de preço. Já o meu pai, mesmo com o aumento de preço, continuou tomando, sendo para ele sempre uma opção de segurança. Porém, ele e eu nunca havíamos saído do básico, e tomamos sempre o Periquita tradicional.