25 de janeiro de 2014

Terras de que ninguém faz idéia e o olho de perdiz


Este espumante veio direto das Terras do Demo para aplacar esse calor dos infernos. Produzido pela Cooperativa Agrícola do Távora, com D.O.C. Távora-Varosa, que vem a ser uma pequena região espremida entre Douro e Dão. Távora-Varosa não é uma região tão conhecida quanto seus vizinhos de norte e sul, porém tem os espumantes como sua maior reputação. Foi inclusive a primeira D.O.C. de espumantes de Portugal, em 1989.

Terras do Demo é uma homenagem da Cooperativa ao escritor Aquilino Ribeiro, natural da região, e que a imortalizou na obra homônima. "Terras bárbaras", "de que ninguém faz idéia", onde "Cristo não passou, nem El-Rei" [*]. Terra agreste, moldada pelo suor do homem, ao mesmo tempo em que o homem é condicionado pela estreita dependência que tem dela [*]. Ao menos, assim está imortalizado por Aquilino Ribeiro.

O Terras do Demo Rosé Brut 2011 é feito a partir de Touriga Nacional, pelo método tradicional, com 6 meses em garrafa. Garrafa, aliás, com um formato não usual de corpo muito bojudo, não cabia nas prateleiras da adega.

Aproveitei a visita dos meus pais para servi-lo, para refrescar o calor e abrir o apetite. Seus aromas lembram frutas cítricas como a tangerina, e vermelhas como o morango. Tem boa acidez, corpo médio, açúcar na medida, com final adocicado e longo, de alcaçuz vermelho. Foi servido bem frio, agradou a paladares exigentes, e caiu muito bem nessa tarde quente.

Apresenta bolhas finas, e uma bela cor que, segundo o produtor, é a mesma do olho de perdiz.

Créditos da foto: The Internet Bird Collection

Fica a critério de cada um, concordar ou não.

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