25 de janeiro de 2014

Os vinhos de Göttweiger Berg...

e uma reflexão sobre os últimos vinhos da Sociedade da Mesa


Nos últimos meses, me parece que as remessas da Sociedade da Mesa têm estado entre extremos, talvez para tentar satisfazer perfis antagônicos de clientes. De um lado, diversos Tempranillos espanhóis excessivamente amadeirados, e Malbecs da Argentina. Incluindo as duas primeiras remessas deste ano, são 3 Tempranillos e 3 Malbecs, em 9 meses!
Do outro lado, vinhos de países exóticos - Geórgia e da Áustria - simples, leves e frutados, sem nenhuma passagem por madeira.


Já comentei como me arrependi de receber dois destes Tempranillos (reveja Sucos de Carvalho). Na sequência, veio a remessa da Geórgia que, apesar de ser um vinho simples, me agradou (reveja o relato aqui). Afinal, existem momentos para vinhos complexos, e momentos que simplesmente pedem vinhos simples. E mais vale um vinho simples gostoso, do que dois 'sucos de carvalho'.
Logo na sequência, vieram os vinhos austríacos: um branco, e um tinto, ambos do produtor Weingut Müller. O tinto, seria mais um vinho simples e leve. Mas eu tinha mais receio do branco, que era feito da uva Grüner Veltliner. Eu já havia provado outros dois vinhos dessa uva, e não havia gostado muito. Não que fossem completamente ruins, apenas os havia achado meio adocicados, um pouco enjoativos. Mas estas do clube seriam apenas duas garrafas, e custariam R$46,00, sendo que vinhos austríacos não costumam sair por menos de R$100, por aqui.


Realmente, eu não me dou bem com esta variedade. A cor do Göttweiger Berg Grüner Veltliner 2012 é bonita, amarelo-palha, de baixa intensidade. Mas seu aroma é adocicado, enjoativo: remete a algo como suspiro sobressaindo-se à bala de abacaxi. Além disso, sobra álcool, e é amargo. Então, deixei o vinho esquentar até 14ºC, o que ajudou a melhorá-lo. O amargor passou, e o álcool ficou menos aparente, mas ainda assim, sobrando. E nominalmente, são apenas 12,5%, ou seja, é um vinho sem estrutura.
O vinho tinto foi melhor. Mais uma vez: simples, mas agradável. E veio a calhar com o calor tórrido deste início de ano, pois eu não tinha outro vinho tinto que ajudasse a refrescar, como esse. Ele se chama Göttweiger Berg Zweigelt 2011. A uva Zweigelt foi criada em laboratório, na Áustria, em 1922, e é hoje uma das mais cultivadas no país. O vinho, por sua vez, tem cor rubi violácea, de intensidade média. Aroma direto de frutas vermelhas, corpo muito leve, poucos taninos, e boa acidez. Por essa combinação, se mostrou muito fácil de tomar. Recomendo tomá-lo entre 15ºC e 18ºC.

Os vinhos espanhóis do semestre me decepcionaram. Fiquei abarrotado de vinhos desequilibrados, que não devem melhorar com o tempo. Por isso, vinhos tintos leves e sem madeira, como o da Geórgia e o da Áustria, valeram mais.

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