16 de abril de 2018

Mais um vinho chileno que foge do lugar-comum

Os vinhos chilenos são os mais importados do Brasil, e abarrotam as prateleiras dos supermercados com vinhos básicos, de qualidade constante; mas ao mesmo tempo sem personalidade, padronizados, aburridos. Normalmente se restringem a vinhos monovarietais, de Cabernet Sauvignon, Merlot, Carmenère, Syrah, Chardonnay ou Sauvignon Blanc; na grande maioria, são oriundos dos maiores produtores, e quase sempre das mesmas regiões do Vale Central: Maipo, Cachapoal ou Colchagua.

Mas o Chile produz muito mais do que isso: muitos sabores distintos, para todos os gostos. A 'expansão' da fronteira vinícola que vem ocorrendo desde o final do século passado nos tem trazido muitos vinhos interessantes, que fogem do estereótipo dos vinhos 'Coca-cola' do Vale Central. Eles têm sido direcionados principalmente ao mercado externo, e vários deles estão disponíveis nas nossas importadoras.

11 de abril de 2018

Villalobos Carignan Viñedo Silvestre 2014

Vinhas velhas de Carignan no Chile, que foram abandonadas no passado, mas têm sido resgatadas na última década, estão mais associadas ao Vale do Maule, como comprova o projeto Vigno. Mas o vinhedo silvestre de Enrique e Rita Villalobos são uma exceção à regra: plantado entre as décadas de 1940 e 1950, na zona costeira do Vale de Colchagua, o vinhedo passou 60 anos abandonado. Os 4 hectares de vinhas foram tomados pelo mato, e pela mata; e as videiras sobreviveram e cresceram sem intervenção humana, em meio à vegetação.

6 de abril de 2018

Bulgarian Heritage Mavrud Rosé 2016


Tenho um amigo que dificilmente gosta de vinhos rosés: pra ele elogiar um rosé, tem que ser mesmo muito bom. Mas de vez em quando, eu insisto em levar um. Outro dia, fizemos um churrasco à beira da piscina, e levei o Bulgarian Heritage Mavrud Rosé 2016, que recebi pelo clube de vinhos Winelands. E já no primeiro gole, meu amigo elogiou o vinho pra caramba. E eu não poderia deixar de concordar: é um belo rosé.

25 de março de 2018

Visita a Bodegas RE


No final de fevereiro, fui ao Chile de férias. O objetivo foi visitar a região de Puerto Varas e os lagos andinos; mas aproveitei para dar uma passadinha em uma vinícola. E ao escolher uma só vinícola, não poderia ser outra que não as Bodegas RE, cujos vinhos criativos, frescos e cheios de personalidade me conquistaram no ano passado.

A vinícola é o mais novo projeto de Pablo Morandé, um dos principais enólogos do Chile. Ele foi o pioneiro na produção de vinhos no Vale de Casablanca, hoje uma referência no Chile na produção de vinhos brancos. Na década de 1980, como enólogo da Concha y Toro, ele sugeriu a esta o investimento na região. A empresa não demonstrou interesse, então ele mesmo decidiu plantar os primeiros vinhedos, e formar a vinícola que leva seu nome, a Morandé. No início do século, ele vendeu sua parte na Viña Morandé, e criou o novo projeto familiar, as Bodegas RE, cujo nome remete a recriar, reinventar, revelar, renascer, reviver. Hoje, a condução da empresa está mais a cargo dos filhos, mas Don Pablo segue acompanhando.

A nova vinícola, como não podia deixar de ser, se localiza no vale de Casablanca. E nos vinhedos da região, eles cultivam principalmente variedades brancas - Sauvignon Blanc, Riesling, Gewürztraminer, Chardonnay e Pinot Gris - mas também Pinot Noir e Syrah, duas variedades tintas que se adaptam bem a climas mais frios. Além disso, a família possui vinhedos no Maule, onde cultivam outras variedades tintas, como Carignan, Garnacha, Cabernet Sauvignon, Cinsault, e também um pouco de Syrah.

19 de março de 2018

Hugo Casanova Chardonnay Reserva 2015

Numa dessas noites quentes dos últimos dias, resolvi abrir um vinho branco, para ajudar a refrescar. Queria um branco leve e fresco; mas por incrível que pareça, eu não tinha nenhum assim naquele momento (já tinha tomados todos ao longo do verão). O mais próximo me parecia ser o Hugo Casanova Chardonnay Reserva 2015 - apesar de que eu ainda não o conhecia - e resolvi abrir pra ver.

Pesou a seu favor o fato de ser do Maule. Este vale tem atraído bastante atenção recentemente pelos seus vinhos tintos, principalmente Carignans de vinhas velhas (como os do projeto Vigno). Mas eu ainda não conhecia nenhum Chardonnay de lá, e fiquei curioso.

13 de março de 2018

Santo Wines Vinsanto 2010

Quem conhece um pouco de vinhos gregos sabe que a ilha de Santorini produz alguns dos melhores vinhos do país. Seus brancos, baseados na variedade Assytiko são de grande reputação entre os críticos de vinho em nível internacional. Mas a grande especialidade da ilha é o vinho doce, feito de uvas secas ao sol, chamado Vinsanto.

7 de março de 2018

Um vinho da Síria: Bargylus Blanc 2011

Imagina produzir vinho em um país parcialmente dominado pelo Estado Islâmico, e estraçalhado por uma guerra civil. Imagina os riscos em levar a cabo essa produção, as dificuldades em importar garrafas e rolhas, e depois retirar de lá os vinhos. Imagina o medo diário dos funcionários locais, com o risco de serem julgados e condenados por extremistas, ou mesmo de serem atingidos por balas ou morteiros 'perdidos'. Imagina coordenar essa produção a distância, radicado em Beirute, Líbano. Essa é a batalha cotidiana do Domaine de Bargylus, a única vinícola a produzir em escala comercial na Síria, que segue produzindo ano a ano, resistindo à guerra civil.

Mapa da Síria (Original: Commons Wikimedia)

21 de fevereiro de 2018

Cascina Adelaide Barbera D'Alba Superiore Vigna Preda 2007

Além da grande tradição e reputação, a região do Piemonte possui uma grande diversidade de vinhos. No entanto, às vezes a imensa fama dos Barolos e Barbarescos ofusca outros vinhos da região. Se focamos demais nessas classificações mais famosas, corremos o risco de desprezar e perder outros grandes vinhos que o Piemonte tem a oferecer. Eu tive essa sensação quando um amigo trouxe um 'puta' de um Barbera D'Alba para tomarmos. Tratava-se do Cascina Adelaide Barbera D'Alba Superiore Vigna Preda 2007.

19 de fevereiro de 2018

Victoria Geisse Extra Brut Vintage Rosé 2016


Um dos grandes problemas do vinho nacional é alcançar o cliente final. Normalmente, os melhores vinhos não estão facilmente disponíveis na maior parte do país. Isso vem mudando, graças ao acordo que pôs fim àquela exdrúxula tentativa de salvaguarda de 2012. Após ela, importadoras têm passado a distribuir vinhos nacionais junto ao seu portfólio. Um desses exemplos é a linha Victoria Geisse, produzida por um dos mais respeitados produtores nacionais - a Cave Geisse - e distribuída exclusivamente pela importadora Grand Cru.

12 de fevereiro de 2018

Via Diagonalis Selected Red 2009

Ruinas do castelo Castra Rubra
(foto obtida do site da ONG Alliance for regional and civil initiatives, sediada na Bulgária)

Quando vejo o nome de Michel Rolland por trás de um vinho, eu costumo torcer o nariz. Apesar de ser o enólogo mais influente do mundo, tem fama de produzir sempre vinhos pesados, sobremaduros, e sem originalidade. Eu mesmo já provei alguns vinhos de sua autoria (confesso que poucos), e não me convenceram. Mas o Fernando Zamboni, da Winelands, sabia que o Via Diagonalis Selected Red 2009 tinha a minha 'cara', e insistiu que eu o provasse, enviando-me uma garrafa. Ainda bem, pois ele me fez rever meu preconceito.

3 de fevereiro de 2018

História do vinho chileno

Nas duas últimas décadas, a indústria vinícola chilena tem se reinventado, gradualmente abandonando aquele estigma de produtor de vinho "Coca-Cola" - com produção industrial, de qualidade constante, mas tudo igual - para ser uma das indústrias mais dinâmicas das Américas. Boa parte das novidades que o Chile tem apresentado são na realidade um resgate do passado vinícola do país. Variedades como País, Carignan e Cinsault estão voltando à moda; assim como regiões como o Maule, Itata, e Biobío, que já foram o polo da produção nacional. Portanto, vale a pena conhecer a história do vinho chileno para entender o cenário atual.

27 de janeiro de 2018

Villa Francioni Chardonnay Lote II

De volta à casa após o recesso de fim de ano, a turma da Nossa Confraria não se aguentava de ansidedade de nos reunirmos novamente. Então, marcamos um jantar - mais uma vez no Restaurante D'Autore. Tomamos um monte de bons vinhos, mas o texto vem falar apenas de um, o Villa Francioni Chardonnay Lote II, levado por uma de nossas confreiras. Nem ela se lembrava onde e quando adquiriu ou ganhou aquela garrafa. Acontece que aquele branquinho já estava prestes a fazer 10 anos: uma informação bem discreta no contra-rótulo atesta que era da safra de 2008.

20 de janeiro de 2018

Viñedo de los Vientos Arneis/Chardonnay 2015

Conforme comentei no último texto do ano passado, a Wine fez uma série de promoções audaciosas em novembro, com algumas opções tentadoras. Uma delas foi a campanha "leve 6, pague 3", em que o vinho Viñedo de los Vientos Arneis/Chardonnay 2015 saiu por R$34 a garrafa. É uma barganha, pois este vinho certamente entrega muito mais do que isso.

14 de janeiro de 2018

Espumantes ingleses no Brasil

Nos últimos anos, muito temos lido a respeito do sucesso dos espumantes ingleses. Mas no Brasil, normalmente ficamos só na teoria, já que não encontramos deles por aqui, ainda. Mesmo quando estive de passeio pela Inglaterra, não foi fácil achá-los, e o preço era desencorajador. Mas no último mês de dezembro, pude participar de uma degustação de espumantes gabaritados da Inglaterra. Quem organizou foi Andréia Poldi, minha confrade no vinho, que após alguns anos trabalhando no ramo, percebeu a carência de eventos na cidade de Campinas, e por isso está começando uma nova empreitada, a Wine Soul Brasil, para oferecer cursos e eventos na cidade.

A degustação ocorreu no restaurante D'Autore, que possui um excelente espaço para receber eventos do tipo, e um delicioso cardápio, para jantar após a degustação. Nenhum dos vinhos está disponivel no Brasil: todos foram trazidos na mala de amigos e familiares da Andréia, para compor essa que foi provavelmente a primeira degustação de espumantes ingleses em solo brasileiro.

13 de janeiro de 2018

Bessa Valley Enira 2009

Em 2013, eu comentei en passant a respeito do Enira 2008, vinho produzido pela vinícola Bessa Valley, do Vale da Trácia, Bulgária. Eu guardei desde então um certo arrependimento por não lhe ter dedicado um texto exclusivo, pois ele certamente merecia. Dentre tantos bons tintos que provei da Bulgária esses anos, ele está entre aqueles que entregam muito mais do que custam.