7 de outubro de 2018

Michel Fonné Riesling Tradition

Uma boa comida pede um bom vinho. E quando vamos a um bom restaurante, quase sempre carregamos nosso vinho. Não que os restaurantes não tenham boas cartas de vinho para oferecer, mas se podemos levar nosso próprio vinho, fica bem mais em conta; e, consequentemente, podemos ir mais vezes.


Alguns restaurantes cobram taxas de rolha impeditivas: não costumamos frequentar esses lugares. Para nossa sorte, Campinas tem bons restaurantes com políticas bem amigáveis. Um caso legal é o do restaurante do Chef Theo Medeiros. Para uma garrafa, eles não cobram a "rolha". Para um casal levando uma garrafa, é perfeito. Acho até que eu e Thais aproveitamos pouco, pois fazia um tempo que não íamos lá. Mas em um sábado passado, Thais teve a idéia de almoçarmos lá. Fomos com intenção de frutos do mar, por isso, levei um Riesling da Alsácia que veio pela Winelands: Michel Fonné Riesling Tradition 2015.

Esse Riesling foi produzido por Michel Fonné, um Vingeron Independent, isto é, um pequeno vinhateiro que produz e engarrafa os próprios vinhos, o que é garantido e certificado por uma associação francesa existente desde 1976. Michel Fonné é natural da Alsácia, mas estudou enologia na Borgonha, e trabalhou em Champagne e nos Estados Unidos, antes de voltar à terra natal, em 1989, para assumir os vinhedos de seu tio. São 13 hectares, repartidos em 4 comunas diferentes da Alsácia, incluindo algumas parcelas grand cru, e cultivados com as 7 variedades autorizadas na Alsácia.


O Riesling Tradition é parte da linha básica do produtor, isto é, não vem de um grand cru. Ainda assim, são vinhedos de aproximadamente 35 anos, em que a colheita e a triagem são manuais, resultando em um Riesling mais maduro e frutado do que os semelhantes alemães. Ele tinha cor amarelo-palha com reflexos dourados, aroma intenso, com frutas de caroço, flor de amendoeira, casca de limão siciliano, melado, e um toque químico que tendia mais para cera do que para o petrolato normalmente associado à variedade. Na boca, corpo médio/alto, boa acidez, bom volume, álcool discreto, sabor intenso, e uma persistência adequada.

Nós começamos pedindo um croquete de pato com molho de laranja. Foi a primeira vez que pedimos essa entrada, e gostamos muito, bastante carne, quase nada de massa. Depois, as clássicas vieiras marinadas - é difícil irmos ao Chef Theo, e não pedirmos as vieiras. E de prato principal, pedimos polvo na brasa acompanhado de batatas galegas (assadas com páprica), aspargos frescos, e tomates e alho confitados. Eu, particularmente, abriria mão de uma batata em troca de uma cabeça inteira desse alho confitado. Fora isso, o prato é bom demais, muito saboroso, e com o polvo no ponto certo, muito macio.

Minha gula não me permitiu tirar uma foto legal, então peguei uma no Instagram

Eu ainda não tinha pensando em Riesling com pato. Pelo menos com o croquete, foi muito bem. Também, a boa acidez faz o vinho gastronômico: acompanha uma grande variedade de comidas. Com frutos do mar, não há dúvidas, Riesling sempre vai bem, e esse não foi exceção.

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