7 de maio de 2018

Cuatro Gallos: pisco peruano disponível no Brasil

Em 2013, meu texto a respeito dos piscos peruanos causou a indignação de um leitor, que me aconselhou provar outras marcas. Nada mais justo, o problema é encontrar pisco peruano no Brasil. Quer dizer, era, pois finalmente encontrei deles no restaurante Lima Cocina Peruana, que descobri recentemente em Campinas (ele abriu em outubro de 2015, mas só este ano eu e Thais tomamos conhecimento, e fomos conhecê-lo).

O restaurante possui piscos da marca Cuatro Gallos, e de acordo com o atendente, trazidos por importação própria. A casa oferece 3 tipos diferentes: Quebranta, Italia e Acholado. Os dois primeiros se referem a variedades de uva; já o termo acholado é usado na indústria pisquera peruana para se referir destilados produzidos a partir de uma mescla de diferentes variedades. Como o nome me chamou atenção, foi o primeiro que provei.


O Cuatro Gallos Acholado é incolor, pois como todo pisco peruano, não passa por envelhecimento em madeira. O site do produtor não especifica quais são as variedades usadas neste blend, mas cita quais são cultivadas em seu vinhedo: Albillo, Italia, Moscatel e Torontel (aromáticas), além de Mollar, Negra Criolla e Quebranta (não aromáticas). É de se imaginar que o blend seja composto de algumas dessas, incluindo exemplares dos dois grupos. O destilado me pareceu razoavelmente aromático, lembrando bastante a Moscatel. O álcool queimava um pouquinho na boca, mas nada demais. No geral, era agradável, realmente muito melhor que os piscos que havia comprado no free shop de Lima, anos atrás; mas não chega aos pés da maioria dos piscos chilenos que já tomei.

Ainda assim, a boa experiência me levou a querer provar outro. Apostei no Cuatro Gallos Italia, por ser considerada uma variedade aromática. Suponho que se trate da mesma uva Itália, verde e grandona, que consumimos como uva de mesa; mas não dou fé quanto a isso. Eu esperava que fosse ainda mais aromática, mas não foi o caso. Há um leve aroma floral, muito aquém da minha expectativa. Além disso, descia 'rasgando', com o álcool queimando muito. Seu melhor destino é a produção de coquetéis. Com a decepção do segundo, nem cogitei pedir uma dose do Quebranta, uma uva não aromática, que já tinha me desapontado terrivelmente da outra vez.

O Lima Cocina Peruana tem casas em São Paulo e Rio de Janeiro, além de Campinas. Para quem gosta de ceviche e quer conhecer mais da gastronomia peruana, é altamente recomendável. Aproveitando que está lá, se curte bebidas destiladas, vale a pena pedir uma dose do Acholado, pra conhecer. Se não, pode provar um coquetel, como o famoso pisco sour, ou o pismojito, um drink remotamente inspirado no mojito. Os drinks são bem saborosos.

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