12 de junho de 2016

Um breve panorama sobre a vinicultura no Reino Unido

Existe um consenso de que a faixa ideal de vinicultura no hemisfério norte se concentra entre os paralelos 40ºN e 50ºN. O Reino Unido (formado por Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte) se localiza completamente ao norte desta faixa do globo, portanto, fora da área considerada viável. Mas isso não impede que alguns produtores sigam tentando.

Vinhedos de Painshill Park, Surrey

Localizado no norte da Europa, e com um clima muito chuvoso, o Reino Unido possui imensa dificuldade - comparável a Champagne - para atingir o amadurecimento ideal de uvas. A referência a Champagne não é em vão. Acontece que a vocação de Champagne vem exatamente dessa dificuldade de pleno amadurecimento, já que a produção de espumantes precisa de uvas com menor maturação: menor teor de açúcar, e maior acidez, do que no vinho comum. Por essa razão, o Reino Unido tem se dedicado a produzir espumantes, e famosos críticos ingleses vêm dizendo que eles são bons! - mesmo que os preços não sejam lá tão convidativos.

Vinha em brotação no final de maio - Isle of Wight

Apesar de não conseguirem o mesmo reconhecimento com outros estilos, há diversos produtores tentando produzir brancos, rosés e até tintos, nesse clima desafiador. E para tentar alcançar uma maturação adequada das uvas, esses produtores têm que escolher variedades mais aptas a climas frios. Muitas vezes, variedades especialmente desenvolvidas para climas muito frios. Populam os rótulos ingleses nomes como Madeleine x Angevine 7672 (normalmente referida apenas como Madeleine Angevine), Seyval Blanc, Phoenix, Regent, Rondo, Siegerrebe, Schönburger, Bacchus - todas cruzamentos criados durante o século XX, com o intuito de serem mais resistentes a doenças e a climas frios. A maioria delas são utilizadas em outros locais de clima muito frio, como Alemanha, Estados Unidos, Canadá, República Tcheca... e algumas são híbridas, isto é, cruzamentos de uvas viníferas com não viníferas.

Vinho até no País de Gales... mas por £27, não dava pra encarar

No mês passado fui à Inglaterra a passeio. O objetivo não era conhecer vinícolas ou ficar tomando vinhos locais, mas devido à minha curiosidade enológica, procurei um pouco a respeito, na medida do possível. A primeira coisa que percebi foi que mesmo por lá, eles não estão amplamente disponíveis. Em mercados e supermercados, nem pensar. É preciso buscar lojas e/ou restaurantes especializados em vinhos, ou visitar os produtores. Ou com alguma sorte, pode encontrar alguns disponíveis naquelas lojinhas que ficam dentro de atrações turísticas.

Além disso, os preços não são convidativos. Os mais baratos que encontrei custavam a partir de £10 (10 libras), sendo que encontrei alguns a £27 e £32. Para se ter uma idéia de preço, por lá mesmo é possível encontrar vinhos melhores a partir de £5, vindos do Chile, Itália, França ou Austrália. Com esses preços, não me arrisquei muito.

Vinho de Madeleine Angevine. Só para constar, era horrível.

No total, comprei duas garrafas de vinhos brancos que provei por lá mesmo; também tive a oportunidade de visitar um produtor, e provar seus vinhos; e ainda trouxe na mala duas garrafas de espumantes, que é realmente o maior potencial do país. São espumantes feitos pelo método tradicional, com mínimo de 9 meses em contato com as borras. Um, eu já provei, o outro, ainda não.

No próximo texto, irei descrever a respeito da minha visita a um produtor local, chamado Adgestone, que produz vinhos desde 1968, na Ilha de Wight.

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