28 de novembro de 2016

Marendaz Brut Impérial: borbulhas suíças

A Suíça - com sua altitude e seu clima de verões amenos e curtos, e muita chuva distribuída ao longo do ano - possui condições limítrofes a uma plena maturação das uvas. Está claro que os produtores locais trabalham normalmente com variedades específicas, mais adaptadas, exploram principalmente encostas voltadas ao sul e aproveitam o efeito regulador de grandes massas de água como os lagos de Genebra e Neuchâtel, que permitem uma extensão da maturação. E nessas condições, os produtores suíços têm feito ótimos vinhos (que conforme já comentei aqui no blog, pouco sabemos sobre eles porque os suíços têm poder aquisitivo, e consomem tudo localmente).

Mas com condições tão complicadas de maturação, parece que o país tem um grande potencial para produzir espumantes - afinal, sabemos que para os espumantes, as uvas precisam ser menos maduras, para que tenham maior acidez e menor teor alcoólico. Apesar disso, o investimento na produção deste tipo de vinho é recente, e ainda muito pequeno.


O rei das borbulhas vaudoises

Pouquíssimos são os produtores do país que realizam o processo de espumatização. Um deles é Daniel Marendaz, proprietário da Cave de la Combe, que se localiza dentro da AOC Côtes de l'Orbe, no Cantão de Vaud, parte da Suíça 'francesa'. Vinhateiro sem formação, inicialmente produzia apenas vinhos tranquilos; mas um dia decidiu que queria fazer 'algo diferente', e em 1990, foi a Champagne para aprender o método tradicional. Hoje ele é a referência em espumantes em Vaud, e uma das referências na Suíça. Além dos 5 espumantes que produz a partir de suas próprias vinhas, ele é responsável pela prise de mousse de espumantes de mais de 30 outros produtores do país.

Além do processo de produção ele busca promover a criação de uma regulamentação específica para espumantes suíços. O sistema de Apelações de Origem do país é, digamos, mais flexível que o de outros países europeus, e não regulamenta muita coisa além da própria origem das uvas (mais ou menos como os sistemas de classificação de Chile, Estados Unidos, África do Sul, etc). Dentro deste cenário, em qualquer apelação é permitido produzir espumantes, chamados em francês pelo termo genérico vin mousseux. Além disso, não existe distinção, em termos de classificação, entre espumantes feitos por método tradicional, Charmat, ou mesmo gaseificação artificial. O Sr. Marendaz despreza o termo oficial da legislação suíça, e promove a criação de um novo nome que represente os espumantes de alta qualidade do país.


Brut Impérial

Eu e Thais temos uma amiga que trouxe uma porção de vinhos da Suíça, aos que vamos provando aos poucos. O único espumante que ela trouxe foi o Marendaz Brut Impérial Blanc de Blanc, o principal espumante de Daniel Marendaz. Ele é um Blanc de blancs (isto é, branco de uvas brancas), feito 'principalmente' de Chardonnay (eu não encontrei em nenhum lugar quais outras variedades ele usa nesse espumante) e após a fermentação passa 4 anos sobre as borras, em giropaletes (em vez dos tradicionais pupitres).

É um espumante bem 'bruto', mesmo, até parece extra-brut. De cor amarelo-palha de média intensidade, com perlage intenso, de borbulhas bem finas. O aroma que mais ressaltou para mim foi o de manteiga, mas também tem bastante massa de pão fresca, e frutas tanto de polpa branca quanto de caroço. Na boca, é encorpado, volumoso, com uma acidez vibrante, sem nenhum amargor, e nenhum traço de doçura. Um espumante 'porrada', de altíssimo nível, que provavelmente poderia ser guardado por anos.

Referências

Abaixo, algumas reportagens sobre Daniel Marendaz, da mídia suíça (todas em francês):

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