3 de setembro de 2015

Tămâioasă Românească. Hein?

A Winelands tem se especializado em garimpar grandes vinhos a bons preços nos países do Leste Europeu. São vinhos desconhecidos, de países pouco conhecidos. E muitas vezes, feitos de uvas desconhecidas para nós.

Um desses vinhos diferentes, exóticos, e muito cativantes que eles importaram foi o Artisan Tămâioasă Românească Demidulce 2009, produzido pela Aurelia Vișinescu, a enóloga mais famosa da Romênia. Ele é feito de uma uva chamada Tămâioasă Românească, na região de Dealurile Munteniei. Você que leu o texto Regiões e uvas da Romênia, já conhece um pouco sobre as características da região, e sobre esta uva.


Mas pra quem não leu, Tămâioasă Românească, cujo nome se traduz como 'romena de incenso', é uma variedade romena da família das Moscatéis. Como tal, é extremamente aromática, e tem muita concentração de açúcar. Por isso, é recomendada principalmente para vinhos doces e semi-doces. É o caso deste vinho, como é possível inferir do 'demidulce', em seu nome.

Ele exibe uma cor dourada intensa. Como um vinho feito para guarda, é preciso aerar um pouco para se abrir e mostrar a boa complexidade de aromas: abacaxi e pêssego em calda, um toque de lima, mel, cera, um toque iodado e amêndoas torradas. Ao despejá-lo na taça, ele mostra que possui uma densidade diferenciada, mais viscoso que outros vinhos. Ele é denso, encorpado, untuoso, com doçura bem destacada, mas uma boa acidez que traz frescor, e deixa a boca salivando por mais um gole. A persistência é muito boa, rica, floral, e com o toque iodado mais em evidência. É delicioso, diferente, cativante.

Aurelia Vișinescu

A empresa que produziu este vinho se chama Domeniile Sahateni, mas o nome de Aurelia Vișinescu, enóloga e sócia, é muito mais conhecido, e se sobrepõe ao da empresa. Ela, formada em horticultura com especialização em vitivinicultura, em 1993, iniciou a carreira na Vinexport, empresa que controlava 95% das exportações do país na primeira metade da década de 1990. Depois de estágios nos Estados Unidos e em outros países da Europa, voltou ao país, na Cramele Halewood, e na sequência, em diversas vinícolas da região de Dealu Mare. Quando iniciou no mundo do vinho, o cenário do país era completamente dominado por homens. Mas ela conquistou seu espaço, mostrando que 'o vinho não se faz sozinho', como era a mentalidade do país à época, e hoje é a enóloga mais conceituada do país.

O Domeniile Sahateni surgiu em 2002, da parceria com Steve Cacenco, e contou com o financiamento da União Européia, num investimento total de 5 milhões de Euros. A vinícola tem sede em Sahateni, região de Dealu Mare, e 76ha de vinhas na região. Desde então, a empresa está em constante investimento em qualidade, e a maior parte da produção é destinada a exportações: China, Estados Unidos, restante da Europa, e agora, Brasil.

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