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26 de julho de 2022

Soalheiro Terramatter 2015

A Alvarinho é uma variedade bastante eclética. De um lado ou do outro da fronteira (Portugal e Espanha), é bastante comum que o mesmo produtor faça diferentes estilos de vinho Alvarinho, aplicando diferentes técnicas de vinificação: maceração pré-fermentativa, fermentação em barris, conversão malolática, estágio sur lies com ou sem bâtonnage, estágio em madeira... ou nenhuma dessas técnicas. Um que eu ainda não tinha provado era um Alvarinho engarrafado sem filtragem. O primeiro, foi o Soalheiro Terramater 2015.

24 de abril de 2022

A longevidade da Loureiro

Este ano, voltei a participar da Essência do Vinho - Porto; desta vez, como morador da cidade. Uma das atividades que me chamou a atenção na feira, e que não pude deixar de participar, foi a degustação Loureiro, a Estrela do Lima, que prometia abordar a capacidade de envelhecimento desta variedade.

1 de março de 2022

Quinta do Canto Garrafeira 1994

Ou, De Quando um decanter é realmente útil

Já li por aí em algum lugar na Internet, algum "digital influencer" dizer que os decanters são um acessório completamente supérfluo, de esnobismo. É verdade que não é qualquer vinho que se irá beneficiar dele. Mas quando abrimos um vinho como o Quinta do Canto Garrafeira 1994, é que vemos o quanto um decanter pode ser importante.

6 de fevereiro de 2021

Principele "R" 2011 revisitado

Em 2014, escrevi a respeito do vinho Principele "R" 2011 (releia, aqui), um vinho romeno importado pela Winelands. Na época, havia comprado 3 garrafas; e por ser um vinho de guarda, guardei uma até este ano.

26 de outubro de 2020

Hyperion Fetească Neagră 2010

A Cramele Halewood foi uma das mais importantes empresas vinícolas da Romênia. De origem inglesa (daí o nome Halewood), iniciou as operações na Romênia no ano de 1987, inicialmente monopolizando a exportação de vinhos romenos, e posteriormente, também atuando na importação de vinhos estrangeiros, e finalmente, produção de vinhos na Romênia. Como uma grande empresa, tinha produção em todas as faixas de preço. Alguns de seus melhores vinhos são da linha inspirada nos deuses titãs, como Kronos e Rhea, Theia (que eu jurava que já tinha descrito aqui no blog, mas buscando as referências para este texto, não encontrei) e, principalmente, a linha Hyperion.

13 de abril de 2020

O vinho amarelo

Na época da faculdade, participei do programa de "Graduação Sanduíche", precursor do Ciência Sem Fronteiras. Passei um ano na França; e durante o verão, antes do início das aulas na faculdade, o programa alocou os estudantes brasileiros em um curso intensivo de francês, em Besançon, leste da França. Como de costume por lá, a escola promovia diversas atividades extra-curriculares aos alunos. Uma delas foi uma visita à vizinha cidade de Arbois, encravada na pouco conhecida região vinícola do Jura.

9 de fevereiro de 2020

Tokaji Eszencia

Quando lemos e estudamos sobre vinhos, há alguns que, pelo alto custo e/ou pela raridade, pensamos: "taí um vinho que nunca vou ter a oportunidade de provar". Foi isso que pensei nas vezes que li a respeito do Tokaji Eszencia: o ápice, o mais raro e caro vinho de Tokaj, na Hungria. Para se ter uma idéia, no Brasil, uma garrafinha de 250mL é vendida por mais de R$3000.

A região de Tokaj, na Hungria, é famosa por seus vinhos doces - Tokaji Aszú - produzidos com uvas botrytizadas. Diferentes percentuais de uvas botrytizadas levam a vinhos de diferentes concentrações, e já não são exatamente baratos.

Mas Tokaji Eszencia é 100% feito de uvas botrytizadas, produzido a partir do "mosto flor", que se acumula no fundo dos barris, quando as uvas são esmagadas pelo próprio peso. Esse mosto é tão rico em açúcar (mais de meio quilo de açúcar por litro), que as leveduras têm extrema dificuldade em fermentá-lo. Por isso, a fermentação leva alguns anos, para atingir um teor alcoólico que mal chega aos 5%. É um vinho de uma concentração ímpar, em açúcar, acidez e sabor.

18 de janeiro de 2020

Anthemis Samos 2011

O grande orgulho dos gregos são seus vinhos doces. Seja fortificado, ou feito de uvas secas ao sol, esses vinhos eram o grande sucesso de exportação durante a Idade Média, e foram os primeiros a ganhar o status de Denominação de Origem Controlada (Ονομασία Προέλευσης Ελεγχόμενη). Há vinhos doces produzidos no continente, e em diversas ilhas. A variedade de uva mais usada e difundida em mais regiões é a Moscatel, dando origem aos vinhos: Moscatel de Patras, Moscatel de Rio Patras, Moscatel de Lemnos, Moscatel da Cefalônia, Moscatel de Rodes, e o mais renomado de todos, Samos.

15 de novembro de 2019

Malamado Viognier 2013

Há quatro anos, nos reunimos pela primeira vez na casa de um confrade da Nossa Confraria, e na ocasião, ele nos mostrou a sua 'adega'. Tratava-se do fundo do armário do quarto, onde ele deixava os melhores vinhos (os vinhos do dia-a-dia, ele mantinha na despensa, mesmo).

13 de outubro de 2019

Stellenrust Chenin Blanc '48' Barrel Fermented 2012

Qual a variedade mais cultivada da África do Sul? Não é a Cabernet Sauvignon, e muito menos a Pinotage. As uvas mais cultivadas no país são as brancas, e a Chenin Blanc, de longe, ocupa a primeira posição.

A Chenin Blanc é originária do Vale do Loire, na França, onde, no clima marítimo e frio, costuma ser usada para vinhos secos e minerais, ou néctares doces, inclusive com botrytis cinerea. Na clima mais quente da África do Sul, gera estilos bastante distintos, do Loire, e entre si. Grande parte da produção se destina a vinhos frescos, para matar a sede. A outra parte busca na malolática, bâtonnage e estágio em carvalho, diferenciar seus vinhos, aportando mais corpo e complexidade.

18 de setembro de 2019

Brandina Assemblage 2013

Nos últimos 15 anos, a técnica da dupla poda - usada para "inverter" o ciclo da videira, transferindo a colheita para o inverno - tem possibilitado uma explosão de novas vinícolas produzindo vinhos finos em lugares antes inimagináveis, na Serra da Mantiqueira.

12 de julho de 2019

Colle Maggio Montepulciano d'Abruzzo Riserva 2013

Nesse fim de semana da friaca, eu e Thais fomos almoçar com um amigo no Lume. Eu queria aproveitar o período de friagem, para tomar um tinto; mas considerando o cardápio do restaurante, quis evitar um muito encorpado. Acabei optando pelo Colle Maggio Montepulciano d'Abruzzo Riserva 2013, que recebi da Winelands.

9 de julho de 2019

Hétfürtös Tokaji Aszú 6 Puttonyos 2000

A famosa podridão nobre é caprichosa. Esse fenômeno, que apodrece as uvas, mas "só um pouquinho" - o suficiente para furar as cascas, e assim permitir a perda de água, concentrando nas uvas acidez, açúcar e sabor - depende de condições bastante específicas e efêmeras. Ocorre em poucas regiões do mundo, e não ocorre todos os anos. Por isso, a intensidade desses vinhos pode variar bastante: de liquidozinhos insossos, aos melhores vinhos doces do mundo.

26 de junho de 2019

Château Musar 2010

Apesar do predomínio da religião muçulmana, o Líbano tem uma tradição na produção de vinhos de mais de 150 anos - ininterruptos, apesar da guerra civil entre 1975 e 1990, e dos conflitos com a vizinha Israel. Em 1857, monges jesuítas fundaram a primeira vinícola (Château Ksara), com videiras da variedade Cinsault, trazidas da colônia francesa da Argélia.

Desde o início a indústria vinícola se centrou no Vale do Bekaa. O Vale está encrustado entre duas cordilheiras (Monte Líbano e Antilíbano), que correm paralelas ao litoral. As montanhas fornecem abrigo de influências marítimas, garantindo ao vale um clima continental. A altitude base de 1000 metros sobre o nível do mar garante importante amplitude térmica entre o dia e a noite 0 que compensa a baixa latitude (33°N). E além de proteger contra influências mediterrâneas, as duas cadeiras de montanha proveem grande quantidade de água, na forma de degelo, que garante ao vale um clima muito propício para produção de diversas frutas, inclusive uvas.

A influência francesa na vinicultura, se intensificou no período entre guerras (1918-1945), em que o país foi colonizado pela França. Neste período, imigrantes franceses fundaram novos châteaux no Vale do Bekaa, plantaram mais variedades francesas, principalmente do sul do Rhône - Cinsault, Carignan, Grenache, Syrah - além das internacionais Cabernet Sauvignon e Merlot. Além das vinícolas e das variedades de uva, até a associação nacional de produtores tem nome francês: Union Vinicole du Liban.

5 de maio de 2019

Benedito Beef Wellington

Já fazia um tempinho que a Thais falava que queria ir ao Benedito. Trata-se de um restaurante estilo bistrô, localizado no Cambuí. Finalmente calhou de marcarmos com uns amigos, de almoçarmos lá num domingo.

Olhando o cardápio no site, quando bati o olho no Beef Wellington, não tive duvida de qual prato iria pedir; e também, qual vinho iria levar, para acompanhar o prato. Levei o Moulins de Citran 2006, um vinho de Bordeaux (AOC Haut-Médoc), que havia comprado havia já uns meses, no Sonoma.

8 de abril de 2019

PX Solera Fundación 1902

Montilla-Moriles é inevitavelmente associado a Jerez, afinal, também se localiza na Andaluzia, e produz os mesmos estilos de vinhos: Fino, Amontillado, Palo Cortado, Oloroso, PX, Pale Cream, etc, em sistemas de criaderas y solera. No entanto, Montilla-Moriles é uma denominação de origem distinta. Localizada a 160Km de Jerez em direção ao interior, apresenta um clima mais quente e mais árido, com menor influência marítima. Além disso, a variedade Pedro Ximénez é usada para produzir tanto vinhos doces, quanto os secos; e nesse clima árido, ela consegue atingir níveis muito altos de açúcar, de forma que os vinhos conseguem atingir naturalmente até 16% de teor alcoólico. Por isso, os estilos secos de Montilla-Moriles em geral não são fortificados.

31 de março de 2019

Clos Mogador 2005

Se hoje o Priorato é uma das regiões mais conceituadas da Espanha (se não a mais), é graças ao Clos Mogador, e ao seu produtor, René Barbier.

23 de março de 2019

Single Vineyard Stevens Hunter Semillon

Em 2015, escrevi a respeito de um autêntico Sémillon de Hunter Valley, vinho memorável que eu havia conhecido na ocasião. Infelizmente, se já é difícil achar vinhos australianos por aqui, imagina um vinho tão específico. Mas fuçando pelas prateleiras do Museu da Gula, há um par de meses, encontrei uma garrafa de um Sémillon de Hunter Valley esquecido na prateleira; nem preço tinha. Catei a única garrafa, pra perguntar o preço no caixa. E diante da barganha (R$83), perguntei se havia mais em estoque, mas infelizmente, não havia.

17 de fevereiro de 2019

A Promessa de Aurelia Vişinescu

Já conheço desde 2013 os vinhos de Aurelia Vişinescu, e já comentei a respeito de sua história aqui. Ela é nada menos que a mais famosa enóloga romena, fazendo sucesso internacional com sua vinícola fundada em 2002, na região de Dealu Mare, a mais conhecida da Romênia.

Este ano, chegou ao Brasil seu mais novo lançamento, chamado Promessa - assim mesmo, igualzinho em português. O vinho é uma síntese de seu trabalho, um corte entre a romena Fetească Neagră com a internacional Syrah, com DOC Dealu Mare, envelhecido por 12 meses em barris de carvalho romeno [*].

30 de novembro de 2018

Gheller Tannat 2010

Faz uns dois meses, um amigo da confraria fez propaganda a respeito de um vinho brasileiro que tinha conhecido em sua última viagem para o sul, e iria fazer uma encomenda direto com o produtor. Ele iria encomendar algumas caixas do Gheller Tannat 2010, por R$50 a garrafa, e perguntou se queríamos entrar no pacote. Mesmo sem conhecer a vinícola, e sem ser assim um grande entusiasta da Tannat, eu topei comprar duas garrafas pra conhecer, já que era indicado por alguém que conhece de vinho, e está barato para um vinho de 2010.


A vinícola Gheller iniciou suas atividades em 2004, na Serra Gaúcha. Ou seja, é ainda bem nova, tem produção relativamente pequena, mas já começa a acumular boas avaliações na rede. Alguns vinhos nacionais, depois de receberem boas avaliações, têm seus preços inflacionados (às vezes mais de 100% de reajuste). Não é o caso dos vinhos da Gheller, que continuam acessíveis. Este, no site da vinícola, está por R$60 (o preço que pagamos foi uma negociação especial, que esse confrade teve direto com o produtor).

O vinho tinha cor rubi intensa; de cara, exuberante e complexo no aroma (frutas negras, tostado, baú, couro, bálsamo), de corpo médio para leve e uma deliciosa acidez, taninos presentes e macios, sabor intenso correspondendo o nariz, e média persistência aromática. Eu o abri para acompanhar um hambúrguer, em casa. Considerando taninos, acidez e pouco corpo, creio que foi o acompanhamento ideal para um bom hambúrguer. Com o tempo mostrou notas de fruta seca e mentol, mas não deu muito tempo pra evoluir, pois logo a garrafa acabou. E vale ressaltar que não é comum matarmos uma garrafa a dois, de uma tacada só, principalmente tinto.