9 de fevereiro de 2020

Tokaji Eszencia

Quando lemos e estudamos sobre vinhos, há alguns que, pelo alto custo e/ou pela raridade, pensamos: "taí um vinho que nunca vou ter a oportunidade de provar". Foi isso que pensei nas vezes que li a respeito do Tokaji Eszencia: o ápice, o mais raro e caro vinho de Tokaj, na Hungria. Para se ter uma idéia, no Brasil, uma garrafinha de 250mL é vendida por mais de R$3000.

A região de Tokaj, na Hungria, é famosa por seus vinhos doces - Tokaji Aszú - produzidos com uvas botrytizadas. Diferentes percentuais de uvas botrytizadas levam a vinhos de diferentes concentrações, e já não são exatamente baratos.

Mas Tokaji Eszencia é 100% feito de uvas botrytizadas, produzido a partir do "mosto flor", que se acumula no fundo dos barris, quando as uvas são esmagadas pelo próprio peso. Esse mosto é tão rico em açúcar (mais de meio quilo de açúcar por litro), que as leveduras têm extrema dificuldade em fermentá-lo. Por isso, a fermentação leva alguns anos, para atingir um teor alcoólico que mal chega aos 5%. É um vinho de uma concentração ímpar, em açúcar, acidez e sabor.


E não é que outro dia, no aniversário do Bruno Viana, ele me sai com uma garrafinha dessas da adega!?! Era uma garrafinha de 250mL de Béres Tokaji Eszencia 2005.

Devido a sua altíssima concentração, sugere-se que seja tomado de colher[*]; e assim fizemos. Não usamos as colheres de cristal vendidas pelas vinícolas, e sim de porcelana, que bem serviram ao propósito. Talvez a colher não seja um recipiente tão propício à plena apreciação dos aromas, mas diante da intensidade do vinho, isso não chegou a ser um problema.

O vinho era tudo aquilo que se podia esperar. Tinha cor âmbar, quase castanha, de intensidade média/alta, e consistência viscosa. Os aromas traziam aquele químico dos vinhos botrytizados, além de mel, avelãs, amêndoas, tâmaras, uvas passas, damascos secos, com predominância das frutas. Na boca, trazia doçura intensa, acompanhada de uma acidez incomparável com qualquer outro vinho, e persistência aromática tão longa quanto a intensidade de sabor.


Se sua doçura (504g/L) só pode ser comparada à do PX (e a nenhum outro vinho na face da Terra), para definir sua acidez (17g/L) seria necessário criar um novo patamar. Classificá-la como alta seria um eufemismo. Foi o melhor vinho que já tomei.

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