16 de janeiro de 2015

Cachaça Havana


Cachaça não é minha especialidade, mas gosto de tomar uma, de vez em quando. E neste início de ano que passei nas Minas Gerais tive uma imersão neste mundo e descobri sabores incríveis e variados. Já falei a respeito da João Mendes - de sabor franco e tradicional - e da Carvalheira Extra Premium - com uma cor café inacreditável e sabor que lembra uma infusão em uvas passas.

Durante este mês também tive a oportunidade de conhecer a cachaça Havana, o mito. Um amigo do meu pai ganhou de presente uma garrafa, que já possuía pelo menos 15 anos, só que ele não aprecia cachaças. Ele ofereceu como presente para meu pai que, conhecendo o preço que uma dessas garrafas pode alcançar, não aceitou como presente, e ofereceu para comprá-la por R$200. Assim, todos ficaram satisfeitos.


É notório que parte do seu preço se deve ao mito, à fama, mas R$200 foram muito bem pagos, pois é realmente um produto diferenciado. Mais do que uma maciez ímpar, é saborosíssima, com aromas muito distintos, fantásticos. Logo ao abrir, já saltava um aroma delicioso de doce de banana, com muito cravo, canela e anis. Também exalou notas que remetem a mel, e com o tempo, foi aparecendo o toque balsâmico, que lembrava algo de remédio de boticário, em um conjunto muito agradável com os doces e especiarias. Ela está definitivamente em um outro patamar, considerando as cachaças que eu havia provado antes.

Meu pai fez uma experiência interessante, e colocou um copinho dela no freezer. A bichinha congelou inicialmente (!?!), mas derreteu rapidamente tão logo foi retirada, e assim, geladinha, exalava aroma ainda mais adocicado, uma experiência muito legal. Você, leitor, ficou espantado por colocar cachaça no freezer? Pois com o renascimento da boa reputação das cachaças, têm surgido novas formas de apreciá-las. Veja as sugestões neste texto bem legal do Mapa da Cachaça: Cachaça não congela?.


A cachaça Havana...

...começou a ser produzida em 1943 por Anísio Santiago, na Fazenda Havana, em Salinas, um dos pólos de cachaça de qualidade do país. Ele foi pioneiro no registro de marca própria na região, e responsável por iniciar a reputação de Salinas como polo de cachaças artesanais de qualidade [História de Salinas: centenário de Anísio Santiago].

O mito da cachaça nasceu do perfeccionismo e personalidade do fundador, e foi alavancado em 2001, quando foi proibido de usar o nome Havana, devido a uma liminar em favor da gigante francesa Pernot Ricard, que produz o rum Havana Club. A partir desta data, o produtor passou a engarrafar a cachaça com nome Anísio Santiago, e as garrafas de rótulo antigo passaram a valer o dobro, ou mais [Nome no rótulo faz preço de cachaça Havana quase dobrar].

Em 2005, a família de Anísio Santiago ganhou o direito de usar o nome Havana novamente, e eles passaram a produzir 20% da produção com o nome Havana, e o restante como Anísio Santiago. É a mesma cachaça, e ainda hoje, os preços das garrafas são diferenciados, com o rótulo Havana podendo alcançar R$600.

Anísio Santiago faleceu em 2002, e hoje a família continua produzindo a cachaça exatamente da mesma forma: 100% de canavial próprio da variedade chamada Java, cultivada sem uso de agrotóxicos na propriedade em Salinas. O fermento é natural (pé-de-cuba), destilação em alambiques, e envelhecimento ocorre em tonéis de bálsamo por aproximadamente 10 anos. A produção se limita a 12 mil litros por ano, e apesar de sempre ter havido demanda para o aumento da produção, Anísio Santiago se opunha ao aumento para manter a qualidade, e hoje a família segue os mesmo princípios [O mito da cachaça Havana].




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sintam-se livres para comentar, criticar, ou fazer perguntas. É possível comentar anonimamente, com perfil do Google, ou com qualquer uma das formas disponíveis abaixo. Caso prefiram, podem enviar uma mensagem privada para sobrevinhoseafins@gmail.com.