7 de março de 2017

Taurasi, a estrela do sul da Itália

Talvez você ainda não tenha provado, nem mesmo ouvido falar da Aglianico. Mas apesar de relativamente pouco conhecida, ela é tida por especialistas como a principal variedade de uva do sul da Itália. Mais ainda, é considerada uma das três mais nobres variedades daquele país, ao lado da Nebbiolo - responsável pelos Barolos e Barbarescos - e da Sangiovese - que dá origem ao Brunello di Montaltino.

Devido à sua grande intensidade de acidez e taninos, ela costuma resultar em vinhos com grande estrutura e potencial de envelhecimento. De maturação muito tardia, seu cultivo é restrito à Campania e ao norte da Basilicata, regiões ao sul da Itália, de clima mediterrâneo com médias de temperatura mais elevadas do que o norte do país. Seu terroir ideal são áreas montanhosas, com altitudes médias de aproximadamente 400 metros, em solos de origem vulcânica, sobre a cadeia de montanha dos Apeninos Meridionais, que dominam o interior dessas duas regiões. A Aglianico encontra essas condições especiais em três territórios diferentes, que recebem status DOCG, devido à reputação de seus vinhos.


Taurasi

Talvez a principal dessas 3 DOCGs seja Taurasi, localizada na província de Avellino, na Campania. A Aglianico deve compor pelo menos 85% dos vinhos, apesar de os melhores serem 100% varietais. Eles devem passar por no mínimo 3 anos de envelhecimento, sendo ao menos um ano em madeira, antes de serem comercializados.

Assim como em outras regiões da Campania, Taurasi deve sua reputação a Antonio Mastroberardino. Sua família possuía uma propriedade de mais de dois séculos na região da Campania, mas após a Segunda Guerra estava em um estado franco declínio, devido à guerra, pragas e depressão econômica. Ele assumiu o controle, reergueu as propriedades, e apostou nas variedades autóctones da região para produzir vinhos de excelência. Com o sucesso, ao longo do tempo, foi adquirindo outras propriedades.

A reputação de seu Taurasi no final dos anos 1960 resultou na criação da DOC já em 1970; e posterior promoção a DOCG em 1993. Antonio se aposentou em 1997, e faleceu em 2014. Hoje, a propriedade é dirigida por seus filhos, e continua a ser um centro de referência na valorização da tradição vinícola de toda a região.


Tive oportunidade de degustar seu Radici Taurasi 2008, em uma reunião de confraria. É 100% Aglianico, produzido a partir de uvas colhidas a mão entre finais de outubro e início de novembro daquele ano. E após uma fermentação em temperatura controlada e com longa maceração, o vinho estagiou por 2 anos em barris, e mais dois em garrafa - um ano a mais do que exige a legislação.

Sua coloração de intensidade média não condizia com a sua potência. Com grande acidez e taninos muito intensos (apesar de finos) era um vinho ainda jovem, e poderia ser guardado por mais alguns anos. Mas já mostrava boa complexidade, que foi só crescendo com o tempo em taça. De início com frutas negras, folhas secas e um especiado bem equilibrado, evoluiu para apresentar notas de caramelo, mentolado e balsâmico. Os 14% de álcool estavam em perfeito equilíbrio, e o sabor intenso, tinha uma longa persistência. Um vinhaço que certamente faz jus à fama.

Um comentário:

  1. Eu particularmente adoro os vinhos feitos com Aglianico, mesmo tendo provado poucos. Acho que têm muita personalidade, mesmo os de categoria IGT. Pena que seja tão difícil encontrar Aglianicos por aqui, o jeito acaba sendo recorrer a compras online.

    Ainda não tive a honra de degustar um Taurasi, mas qualquer dia será meu dia.

    Obrigado pela postagem, como sempre muito informativa.
    Abraço!

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