20 de maio de 2014

Evidência 2007

Como a aeração no vinho certo pode transformá-lo


Ele já tem 7 anos de idade, por isso achei estranho a Winelands dizer que apresentava reflexos violáceos, e continha aromas florais (sinais de juventude). Ainda mais dizer que ele não necessitava de aeração. Bem, confiei, abri o vinho e me servi. A cor dele já tinha nítidas nuances de tijolo, e veio um cheiro forte de AAS (ácido acetilsalicílico, remédio que tomei muito quando criança), que foi um impacto muito negativo. Mas eu provei o vinho, e vi que tinha estrutura de sobra (leia-se acidez e taninos). Sendo assim, o deixei respirando (na garrafa, mesmo) e continuei a refeição.

16 de maio de 2014

Sanduíche acompanhado de vinho francês. Sacrilégio?

O que lhe parece abrir um vinho de Bordeaux para tomar junto de um sanduíche? Um sacrilégio? Bobagem.

Esta noite, ocorreu uma feliz coincidência, que eu não poderia deixar de aproveitar. Mal chegaram os vinhos do mês da Winelands, e o lanche da noite era sanduíche de rosbife com queijo de cabra. Era como um sinal de que eu tinha que abrir um dos Sauvignon Blancs recém-chegados.

13 de maio de 2014

Nemea em três altitudes


Nemea é a região mais importante da Grécia no que se refere a vinhos tintos. Localizada a nordeste da península do Peloponeso (ao sul do país, próxima a Atenas), os vinhos que recebem a Denominação de Origem são produzidos exclusivamente com a uva Agiorgitiko. A uva e a região são amalgamados, já que a uva é nativa dali, é a única permitida na Denominação de Origem, e a D.O. é a única que recomenda o seu uso.

5 de maio de 2014

Vinho Verde, não. Um grande vinho branco.

Durante o último curso de vinhos portugueses que assisti com Rui Falcão, aproveitei para pedir que ele me explicasse melhor sua posição a respeito de uma suposta dicotomia entre a denominação Vinho Verde Alvarinho e a sub-região de Monção e Melgaço (leia Alvarinho ou Monção/Melgaço?). A conversa que tive - uma aula particular - partiu deste texto, mas foi muito além, e me ajudou a compreender melhor o que são os dois mundos de Vinho Verde.

Eu compreendia que existe uma diferença, em termos de estilo e de reputação, em relação aos Vinhos Verdes Alvarinho e o restante dos Vinhos Verdes. A Comissão dos Vinhos Verdes (CVRVV - entidade responsável pelas normas, controle e divulgação dos Vinhos Verdes), no seu site, nos seus encartes e nas sua campanha de divulgação, dá total ênfase naqueles Vinhos Verdes que representam a maioria esmagadora do mercado: muito leves, pouco alcoólicos, com agulha (sensação gasosa) que os tornam ainda mais refrescantes, muita acidez, bons para dias quentes, e para acompanhar diversos tipos de refeições mais difíceis (molhos doces, muito apimentados, muita gordura). Por outro lado, mesmo que de forma passageira, e quase negligente, eles distinguem os Vinhos Verdes Alvarinhos, lembrando-nos que são mais encorpados, mais alcoólicos, sempre secos. Mas a CVRVV não dá a devida ênfase em como a proposta deles é muito mais distinta. Estes dois mundos são mais distantes do que dão a entender (e não se restringe aos Vinhos Verdes Alvarinho).