Durante o último curso de vinhos portugueses que
assisti com Rui Falcão, aproveitei para pedir que ele me explicasse melhor sua posição a respeito de uma suposta dicotomia entre a denominação Vinho Verde Alvarinho e a sub-região de Monção e Melgaço (leia
Alvarinho ou Monção/Melgaço?). A conversa que tive - uma aula particular - partiu deste texto, mas foi muito além, e me ajudou a compreender melhor o que são os dois mundos de Vinho Verde.
Eu compreendia que existe uma diferença, em termos de estilo e de reputação, em relação aos Vinhos Verdes Alvarinho e o restante dos Vinhos Verdes. A Comissão dos Vinhos Verdes (CVRVV - entidade responsável pelas normas, controle e divulgação dos Vinhos Verdes), no seu
site, nos seus encartes e nas sua campanha de divulgação, dá total ênfase naqueles Vinhos Verdes que representam a maioria esmagadora do mercado: muito leves, pouco alcoólicos, com agulha (sensação gasosa) que os tornam ainda mais refrescantes, muita acidez, bons para dias quentes, e para acompanhar diversos tipos de refeições mais difíceis (molhos doces, muito apimentados, muita gordura). Por outro lado, mesmo que de forma passageira, e quase negligente, eles distinguem os Vinhos Verdes Alvarinhos, lembrando-nos que são mais encorpados, mais alcoólicos, sempre secos. Mas a CVRVV não dá a devida ênfase em como a proposta deles é muito mais distinta. Estes dois mundos são mais distantes do que dão a entender (e não se restringe aos Vinhos Verdes Alvarinho).