8 de novembro de 2013

Vinhos Verdes da Quinta de Santa Cristina

Esta sexta-feira, 08/11, foi o encerramento da 10ª edição da Semana Mesa São Paulo. E eu tirei o dia para ir até o Senac Santo Amaro, no sul da cidade, conhecer mais Vinhos Verdes, que assim como na edição passada, foram trazidos pela Comissão dos Vinhos Verdes. Entre eles, fui conhecer os vinhos da Garantia das Quintas, a convite do seu representante comercial Iono Santos.
A Garantia das Quintas é uma empresa jovem (de 2004) e possui uma pequena gama de produtos, a linha Quinta de Santa Cristina, em referência à propriedade em que são produzidos. A quinta, uma propriedade de 40ha, se localiza na sub-região do Basto, a mais continental, com menor influência do Atlântico, e portanto, uma região com mais insolação, e menos chuva, comparado com a maior parte do Minho.
A linha Quinta de Santa Cristina consiste de 6 produtos. É pequena, mas representa todos os estilos de Vinho Verde - dois brancos, um rosé, um tinto, e um espumante - além de um Vinho Regional do Minho (branco).
Iono me falou que, frequentemente, ao comentar sobre açúcar residual no vinho, muita gente acha que foi adicionado açúcar. A não ser nos espumantes, em nenhum Vinho Verde se adiciona açúcar. Aliás, em Portugal, não é permitido adicionar açúcar. O açúcar residual se refere ao que não foi consumido pelas leveduras durante a fermentação. Todo vinho tem açúcar residual. Todo vinho seco tem normalmente entre 2 a 3g/L (raramente menos que isso; algumas vezes, mais).


    Vinho Verde Branco Escolha 2012: um corte com Azal, Loureiro, Trajadura e Arinto, sendo que, nesta safra de 2012, há predominância da última. É um vinho seco, com 2g/L de açúcar residual, corpo leve, e o nível de álcool engana, pois não percebemos que tem 12,5%. De cor citrina, tem agulha fina e bastante acidez, aromas predominantes de maçã verde e pêra, e também um toque herbáceo interessante.
    Vinho Regional do Minho Alvarinho/Trajadura 2012: Este não recebe a denominação de Vinho Verde, porque a Alvarinho não é permitida na sub-região de Basto. Por isso, é classificado como Vinho Regional do Minho, mas tem características muito semelhantes. Também é seco, com muita acidez, e um pouco de agulha, como o anterior. Porém, devido à casta Alvarinho, é mais encorpado e untuoso. Muito aromático, tendeu a notas de frutas de caroço e abacaxi, na minha opinião. Já o Iono sentia mais manga. Como já descrevi antes (veja Dos Aromas), a descrição dos aromas tem uma parcela muito grande de subjetividade. Mas ambos concordamos que sentimos frutas mais maduras. Em 2012 a Trajadura representa 30% do corte, mas é provável que não seja mais usada nas próximas safras.
    Séquito 2012: ele é feito com as mesmas variedades de uvas que o Escolha, porém em proporções diferentes, tendo mais Azal e Arinto, privilegiando a acidez. Também tem uma proposta ligeiramente diferente, sendo mais leve, e um pouco mais adocicado, com 6g/L de açúcar. É o único em que é adicionado gás carbônico, e isso reflete na qualidade das bolhas, que são mais intensas, e ligeiramente mais grossas.


    Vinho Verde Rosé 2012: este rosé é feito com Vinhão e Espadeiro. Assim como a maioria dos Vinhos Verdes rosés, é 'adamado' - como dizem os portugueses - com uma doçura perceptível, e aroma de morangos e framboesas. Não é enjoativo, pois, como sempre, tem muita acidez e agulha, que ajudam a equilibrar o açúcar. Porém, não é o meu estilo preferido.
    Espumante de Vinho Verde Bruto 2010: assim como todo espumante de Vinho Verde, este foi feito pelo método clássico, e estagiou 9 meses após a segunda fermentação, antes de ser lançado no mercado. É bruto, ou brut, como costumamos dizer no Brasil. Mesmo assim, na minha opinião tem uma sensação de doçura - muito bem vinda, devo ressaltar. É jovem e fresco, porém tem capacidade de guarda de mais 5 anos, chegando a desenvolver aroma de brioche, segundo Iono.


    Vinho Verde Tinto 2012: é elaborado com Vinhão, 100% elaborado com pisa em lagar. Vinhos Verdes tintos são um produto muito diferente, e merecem um texto à parte. Por isso, falarei deste no próximo texto. Veja: Vinhos Verdes tintos: exóticos, e incompreendidos.

Os três vinhos brancos estão vindo para o Brasil, e Iono espera que já estejam nas prateleiras em Janeiro. Esta será a primeira exportação dos vinhos da Quinta de Santa Cristina. Eles virão em um acordo de importação entre o Grupo Pão de Açúcar e a Comissão de Vinhos Verdes, que envolve vários outros produtores. Infelizmente, o espumante não está na lista dos que virão, mas os que vêm serão muito bem vindos, já que vemos poucas opções de Vinho Verde, aqui no Brasil. Como o grupo Pão de Açúcar fará importação, distribuição e venda, eu espero que chegue no mercado com um preço final interessante.
A título de curiosidade, o Séquito é um rótulo destinado ao mercado nacional (português). A versão internacional do mesmo vinho deverá se chamar Santa Cristina, porém os rótulos não ficaram prontos a tempo do engarrafamento, e por isso, a primeira remessa a chegar ao Brasil virá com o nome português.

Quer conhecer mais a respeito de Vinhos Verdes? Leia: Dos Vinhos Verdes: Mas afinal, o que é Vinho Verde?.

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