10 de novembro de 2013

Frango à caçadora

O almoço do último domingo foi uma receita de frango à caçadora, do Claude Troisgros, executada com maestria pela Thais. Em vez de descrever os pormenores do prato, deixo o link para a receita, onde é possível ver também o vídeo com o próprio Claude ensinando a prepará-la.
No entanto, para entender sua complexidade de sabores, cito os principais ingredientes: frango marinado em vinho tinto (Syrah), azeitonas pretas, alcaparras, bacon, aliche, funghi porcini. Ou seja, dá pra perceber que o prato é intenso. As uvas verdes, frescas, junto do prato são um toque interessante, que suaviza um pouco as sensações.
Eu fiquei intrigado apenas com o vinho tinto listado na receita. Ela diz explicitamente vinho tinto de Syrah. Só serve Syrah, mas serve qualquer Syrah? Dos mais aguados australianos, aos mais bombados chilenos, passando pelos Ermitage do Rhône, vale qualquer um? Por outro lado, o que um Syrah Reservado qualquer do cône sul tem de tão diferente do seu equivalente Merlot? Bem, eu acho que evitaria usar um Ermitage de R$400 para cozinhar. Já entre os Reservados mais baratos, não vejo muita diferença, ao mudar de uma uva para outra. Acho que serve qualquer tinto contanto que não seja de garrafão. Mas pra não correr o risco de ser acusado de comprometer a receita, busquei um Syrah do Chile, mesmo.
Depois de marinar, empanar, fritar, cozinhar, e assar, o resultado é um caldo espesso, cheio de pedaços, e de sabor intenso. É possível perceber cada um dos elementos que não se desmancham por completo, mas nenhum se sobressai. Ele tem o sabor forte da mistura das alcaparras, azeitonas, e aliche, que cada um isoladamente já é intenso. Também é um molho gorduroso, com sustância. As uvas verdes, que estavam docinhas, davam uma leve amenizada, e realmente contribuíram para o prato.


O vinho para acompanhar

Quando li os ingredientes da receita, achei que um tinto frutado, de boa acidez, estaria à altura do prato. Infelizmente, eu não tinha um bom Chianti Classico - que seria a harmonização tradicional - então escolhi o que eu tinha de mais próximo. Só que quando eu levei o molho à boca, a prová-lo, tive que mudar meus planos. O meu tinto frutado seria atropelado pelo prato. Portanto, mudei para um bom Vinho Verde: Encosta de Xisto Loureiro 2011. Deu muito certo!
Eu havia provado o vinho na última quinta-feira, antes de comprá-lo, em uma degustação promovida pela Excelência Vinhos. Fiquei impressionado como ele, pois está custando R$39,00 e é comparável ao Deu La Deu (que custa no mínimo R$70, mas normalmente o encontro por R$90). É de 2011, mas está fresco, mineral, pois tem boa estrutura. Ainda bem que comprei uma garrafa, pois salvou o almoço de domingo. Ele tinha a acidez necessária para contrabalançar a força do prato, e a estrutura necessária para não desaparecer.
Este vinho é importado pela Vínica, e a proprietária Paula Fonyat me disse que, quando tentou importar a safra 2012, ela já tinha se esgotado no produtor. Por isso, a próxima safra a chegar ao Brasil será a de 2013, que ela espera ter disponível a partir de março/2014. A má notícia é que, devido à desvalorização do Real, o preço do vinho deve subir um pouco.


Quer conhecer mais a respeito de Vinhos Verdes? Leia: Dos Vinhos Verdes: Mas afinal, o que é Vinho Verde?.

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