Dr. Loosen é empresa familiar de mais de 200 anos, dedicada exclusivamente ao plantio de Riesling, em todos os estilos, dos mais secos, aos mais doces: um lugar-comum na Alemanha. É uma empresa muito conceituada, que acumula prêmios e boas recomendações dos principais críticos de vinhos.
Sua propriedade fica localizada no Mosel, considerada uma das duas melhores regiões do país (e consequentemente do mundo) para o cultivo de Riesling. Seus vinhedos, com idade média de 75 anos, não precisam de enxertia, pois a philoxera não sobrevive no solo da região. Além disso, o clima frio associado ao solo composto majoritariamente de ardósia são uma combinação ideal para a maturação perfeita das uvas. E para completar, são solos pobres e de boa drenagem, obrigando as raízes das vinhas a irem mais fundo no solo.
Um espaço onde relato minhas experiências no mundo dos vinhos.
E eventualmente, também experiências relativas a outras bebidas.
1 de julho de 2013
29 de junho de 2013
Encontro de vinhos Campinas 2013: Aspirant Bouschet
Na última edição do Encontro de Vinhos em Campinas, um dos estandes que mais atraiu a atenção de curiosos foi de uma pequena importadora, com base em Campinas. A La Cristianini é uma nova importadora, no momento com apenas 3 fornecedores, e veio representada pelo Marcelo, sócio-proprietário.
O vinho que atraiu a atenção veio de seu fornecedor argentino, a Bodega Garavaglia, pequena vinícola familiar de Mendoza. O vinho se chama Invasor 2009, e o motivo que atraiu tanto a atenção foi uma variedade bastante rara que faz parte de seu blend: Aspirant Bouschet. A Alicante Bouschet é bastante conhecida em Portugal, mas essa Aspirant, eu nunca tinha ouvido falar - e provavelmente, ninguém na feira.
Pesquisando posteriormente, descobri que as duas variedades são "irmãs", ambas produzidas em laboratório pelo pesquisador francês Henri Bouschet, especialista em cruzamentos para desenvolvimento de novas variedades. Assim como a Alicante, a Aspirant Bouschet também é tintureira, isto é, possui polpa com pigmentação de cor.
O Invasor 2009, leva 70% de Malbec, e 30% de Aspirant Bouschet. Posso dizer que é um vinho pra se aerar. E põe aerar nisso. É denso, com cor violeta densa, bom corpo e aroma um pouco fechado. Senti frutas maduras, e um tostado da passagem por barrica (14 meses), mas não identifiquei o gengibre e mentolado que me foi prometido. Acho que era até difícil apreciá-lo na feira, em pé, após provar tantos outros vinhos. Esse é o tipo de vinho que precisa de tempo para se abrir plenamente.
O vinho que atraiu a atenção veio de seu fornecedor argentino, a Bodega Garavaglia, pequena vinícola familiar de Mendoza. O vinho se chama Invasor 2009, e o motivo que atraiu tanto a atenção foi uma variedade bastante rara que faz parte de seu blend: Aspirant Bouschet. A Alicante Bouschet é bastante conhecida em Portugal, mas essa Aspirant, eu nunca tinha ouvido falar - e provavelmente, ninguém na feira.
Pesquisando posteriormente, descobri que as duas variedades são "irmãs", ambas produzidas em laboratório pelo pesquisador francês Henri Bouschet, especialista em cruzamentos para desenvolvimento de novas variedades. Assim como a Alicante, a Aspirant Bouschet também é tintureira, isto é, possui polpa com pigmentação de cor.
O Invasor 2009, leva 70% de Malbec, e 30% de Aspirant Bouschet. Posso dizer que é um vinho pra se aerar. E põe aerar nisso. É denso, com cor violeta densa, bom corpo e aroma um pouco fechado. Senti frutas maduras, e um tostado da passagem por barrica (14 meses), mas não identifiquei o gengibre e mentolado que me foi prometido. Acho que era até difícil apreciá-lo na feira, em pé, após provar tantos outros vinhos. Esse é o tipo de vinho que precisa de tempo para se abrir plenamente.
Referências
A Aspirant Bouschet é uma variedade muito rara, quase extinta; e por isso é muito difícil encontrar algo a seu respeito. Seguem as poucas referências que encontrei:Encontro de Vinhos Campinas 2013: Fermasa
Eu já tomei vários vinhos argentinos, antes, quando eu tomava o vinho sem prestar muita atenção, antes de fazer cursos na ABS Campinas SBSomm. Eram vinho baratos, de supermercado, e eu gostava bastante, pelo menos dos tintos. É, os brancos eu costumava achar enjoativos, com aromas 'doces demais'.
Com os cursos, aprendi que essa é uma característica comum aos vinhos argentinos, e do Novo Mundo em geral, tanto de vinhos tintos, quanto de brancos. Quanto aos tintos, não costumava me incomodar, e eu gostava deles mesmo assim, mas os Chardonnays com aquele gosto de abacaxi passado - que você comprou fatiado na feira, colocou em uma vasilha dentro da geladeira, e se esqueceu dele por duas semanas - eles eram intragáveis. E os Sauvignon Blancs, que pareciam suco Maguary de maracujá com um quilo de açúcar, não serviam nem pra fazer risoto.
Com o tempo, passei a não me interessar muito por vinhos argentinos (e do Novo Mundo em geral). Mas neste último Encontro de Vinhos, meio que por acaso, tive um reencontro com os vinhos do país.
Sua motivação foi retirar o atravessador, para poder chegar ao mercado com preços mais competitivos. E realmente, conseguiram preços muito bons. Só como exemplo, a linha Baladero possui vinhos com preços entre R$26,00 e R$28,00 (preço de venda direta ao consumidor), inclusive um Chardonnay com estágio em barrica.
A vinícola fica localizada na Ruta 7, estrada que leva ao Chile, e é a última bodega antes da cordilheira. Possui apenas 10ha de vinhedos, com altitudes dos 700 aos 1500 metros sobre o nível do mar!
Com os cursos, aprendi que essa é uma característica comum aos vinhos argentinos, e do Novo Mundo em geral, tanto de vinhos tintos, quanto de brancos. Quanto aos tintos, não costumava me incomodar, e eu gostava deles mesmo assim, mas os Chardonnays com aquele gosto de abacaxi passado - que você comprou fatiado na feira, colocou em uma vasilha dentro da geladeira, e se esqueceu dele por duas semanas - eles eram intragáveis. E os Sauvignon Blancs, que pareciam suco Maguary de maracujá com um quilo de açúcar, não serviam nem pra fazer risoto.
Com o tempo, passei a não me interessar muito por vinhos argentinos (e do Novo Mundo em geral). Mas neste último Encontro de Vinhos, meio que por acaso, tive um reencontro com os vinhos do país.
Barrica Negra / Fermasa
Por fim, devido à minha preferência por importadores de nicho, fiz também uma visita ao stand da Barrica Negra, importadora do grupo Fermasa Bodegas & Viñedos, que produz vinhos na região de Luján de Cuyo, Mendoza.Sua motivação foi retirar o atravessador, para poder chegar ao mercado com preços mais competitivos. E realmente, conseguiram preços muito bons. Só como exemplo, a linha Baladero possui vinhos com preços entre R$26,00 e R$28,00 (preço de venda direta ao consumidor), inclusive um Chardonnay com estágio em barrica.
A vinícola fica localizada na Ruta 7, estrada que leva ao Chile, e é a última bodega antes da cordilheira. Possui apenas 10ha de vinhedos, com altitudes dos 700 aos 1500 metros sobre o nível do mar!
- Baladero Chardonnay 2012: com boa acidez, com aroma de frutas maduras sem excesso, e toque de madeira sutil (10 semanas). O teor alcoólico de 12% é uma pista de que não colhem as uvas sobremaduras. E conforme disse anteriormente, custa apenas R$28,00.
- Baladero Espumante extra-brut 2011: feito com Chardonnay pelo método Charmat: segunda fermentação em tanques de inox, por 14 dias. R$39,00.
- Baladero Cabernet Sauvignon 2007: com estágio em barricas de 2º e 3º usos, entre 4 e 6 meses. E custando apenas R$26,00, foi eleito 5º colocado em uma degustação às cegas, ocorrida entre especialistas, antes do início da feira. Tem boa acidez, taninos bem domados, e aroma característico da casta, com frutas vermelhas, e uma ponta de 'pirazina'.
- Jerarquia Malbec 2007: o carro chefe da casa, provenientes de vinhas com rendimento de 2,5Kg por planta, e 2 anos de estágio em barricas de 1º uso. Mais ao estilo argentino, é encorpado, potente, alguns até poderiam dizer um pouco 'bombado' (14,5% de teor alcoólico). Mas é redondo, floral e frutado, fácil de beber.
- Vinserus 2007: vinho de sobremesa, feito com uvas Malbec provenientes de colheita tardia, com 14,5% de teor alcoólico. É um vinho gostoso, relativamente barato, mas neste quesito creio haver opções no mercado com melhor relação custo-benefício. A garrafa de 500mL está a R$34,00.
Encontro de Vinhos Campinas 2013: Vinhos Verdes longevos
No último Encontro de Vinhos, os Vinhos Verdes tiveram uma aparição discreta, porém digna de nota. Foram apenas 4 rótulos, trazidos pela IdealDrinks, importadora que faz parte de um grupo português que, não por acaso, é dono das marcas apresentadas na feira.
Foram dois Alvarinhos da Quinta da Pedra, propriedade localizada na sub-região de Monção e Melgaço - onde a Alvarinho é a principal qualidade de uva. E os outros dois, da marca Paço de Palmeira, utilizam exclusivamente a casta Loureiro.
Só para contextualizar quem ainda não conhece, Vinho Verde é de fato apenas uma Denominação de Origem dentre as várias de Portugal. Esta Denominação abrange a região do Minho, ao norte do país. O estilo desses vinhos, em 99% dos casos, reflete a tradição da região: acidez acima da média, freqüentemente, mas não sempre, associada a um teor de açúcar residual razoavelmente maior para equilibrá-la; níveis de álcool menores (11% ou menos); e a agulha, uma pequena quantidade de gás carbônico, que ajuda o vinho a ficar ainda mais refrescante.
Eles são normalmente feitos para serem bebidos jovens. Uma freqüente exceção são os vinhos feitos de Alvarinho, que só recebem a DOC se forem produzidos na sub-região de Monção e Melgaço. Neste caso, os níveis de álcool mínimos exigidos são maiores, e são mais secos.
Porém, o que distingue os vinhos trazidos pela IdealDrinks são o fato de não corresponderem aos 99% dos Vinhos Verdes. Mesmo os dois feitos com Loureiro têm 12,0% ou mais de álcool, não têm agulha, são completamente secos, e têm expectativa de 8 anos ou mais de longevidade. Além disso, um deles descansou sobre as borras, e outro passou por carvalho.
Foram dois Alvarinhos da Quinta da Pedra, propriedade localizada na sub-região de Monção e Melgaço - onde a Alvarinho é a principal qualidade de uva. E os outros dois, da marca Paço de Palmeira, utilizam exclusivamente a casta Loureiro.
Só para contextualizar quem ainda não conhece, Vinho Verde é de fato apenas uma Denominação de Origem dentre as várias de Portugal. Esta Denominação abrange a região do Minho, ao norte do país. O estilo desses vinhos, em 99% dos casos, reflete a tradição da região: acidez acima da média, freqüentemente, mas não sempre, associada a um teor de açúcar residual razoavelmente maior para equilibrá-la; níveis de álcool menores (11% ou menos); e a agulha, uma pequena quantidade de gás carbônico, que ajuda o vinho a ficar ainda mais refrescante.
Eles são normalmente feitos para serem bebidos jovens. Uma freqüente exceção são os vinhos feitos de Alvarinho, que só recebem a DOC se forem produzidos na sub-região de Monção e Melgaço. Neste caso, os níveis de álcool mínimos exigidos são maiores, e são mais secos.
Porém, o que distingue os vinhos trazidos pela IdealDrinks são o fato de não corresponderem aos 99% dos Vinhos Verdes. Mesmo os dois feitos com Loureiro têm 12,0% ou mais de álcool, não têm agulha, são completamente secos, e têm expectativa de 8 anos ou mais de longevidade. Além disso, um deles descansou sobre as borras, e outro passou por carvalho.
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