7 de dezembro de 2019

Satèn: o espumante inspirado na seda

Em qualquer lugar, pode-se fazer espumantes pelo método tradicional, um blanc de blancs, um brut. Mas só em Franciacorta é possível encontrar o Satèn.


Franciacorta é a principal denominação de origem para espumantes da Itália. Foi a primeira do país a exigir o método tradicional como método de produção, e desde 1995, exibe status DOCG. Ela se localiza na Lombardia, região dos lagos do norte da Itália. Não poderia ser outro lugar no mundo a origem do Satèn, um nome derivado de seda (seta, em italiano). Afinal, Milão, a capital da Lombardia, é o epicentro mundial da alta-costura.

Tal como qualquer espumante em Franciacorta, o Satèn deve ser produzido pelo método tradicional. No entanto, para obter sua maciez sedosa, são impostas regras específicas. Primeiro, ele deve ser um blanc de blancs, isto é, feito exclusivamente de uvas brancas. Via de regra, é feito de Chardonnay, apesar de a legislação permitir até 50% de Pinot Blanc. Em segundo lugar, ele deve ser exclusivamente brut, o que pela lei européia, compreende o intervalo de 0 a 12 g/L. Além disso, a legislação exige ainda o mínimo de 24 meses de estágio com a borra - 6 meses a mais que um Franciacorta comum. E por fim, sua característica mais singular, é que a sua pressão final deve ficar entre 4,5 e 5 atm, enquanto outros espumantes possuem 6 atm. Para tanto, é necessário usar um liqueur de tirage com menor teor de açúcar (18g/L, em vez dos usuais 24g/L).

Apesar das peculiaridades, o Satèn não é um estilo assim tão comum, dentre os Franciacorta. Por isso, não é desses vinhos que a gente encontra em qualquer esquina. Mas ao menos um é importado pela Domno, importadora do grupo Miolo. E em uma dessas reuniões de confraria, estava lá o Bellavista Satèn 2010, como espumante de boas vindas.

O Bellavista Satèn 2010 é um satèn millesimato, ou seja, proveniente de uma única safra. É 100% Chardonnay, cujo vinho-base (isto é, antes de virar espumante) estagiou 6 meses em barris de carvalho. De acordo com a ficha da importadora, após a segunda fermentação, ele maturou nada menos que 60 meses (5 anos) com a borra, antes do dégorgement. Tinha cor amarelo-palha pálido, e perlage fino e contínuo. No aroma, predominava o frescor da fruta branca (pêra) e flores, complementados por uma nuance de mel, e de brioche. Apresentava boa acidez, e um 'colchão' (aquele volume causado pelas borbulhas na boca) um pouco menor, lembrando espumantes bem evoluídos. Um espumante bem legal... mas infelizmente, proibitivamente caro: de R$700 pra cima, aqui no Brasil.

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