24 de abril de 2022

A longevidade da Loureiro

Este ano, voltei a participar da Essência do Vinho - Porto; desta vez, como morador da cidade. Uma das atividades que me chamou a atenção na feira, e que não pude deixar de participar, foi a degustação Loureiro, a Estrela do Lima, que prometia abordar a capacidade de envelhecimento desta variedade.

1 de março de 2022

Quinta do Canto Garrafeira 1994

Ou, De Quando um decanter é realmente útil

Já li por aí em algum lugar na Internet, algum "digital influencer" dizer que os decanters são um acessório completamente supérfluo, de esnobismo. É verdade que não é qualquer vinho que se irá beneficiar dele. Mas quando abrimos um vinho como o Quinta do Canto Garrafeira 1994, é que vemos o quanto um decanter pode ser importante.

18 de janeiro de 2022

3 jovens negras

Três jovens negras: esse é o significado do nome do vinho 3 Fete Negre da Aurelia Vişinescu. Um corte que leva 3 vezes a variedade Fetească Neagră (tantas vezes mencionada neste blog), porém de 3 anos diferentes. Neste que é da Seria 6, nomeado por edições, por não ser safrado, é um corte das safras 2014, 2015 e 2016, que passaram ao menos 18 meses estagiando em barricas de carvalho romeno.

O vinho é da DOC - CT Dealu Mare, a mais famosa e reconhecida DOC romena (e também já diversas vezes mencionada por aqui). E como curiosidade da legislação romena, vale a menção à sigla CT, de Culesul Tarziu. Literalmente, significa sim, colheita tardia. Mas nada tão tardia assim, tal como estamos acostumados à expressão, em vinhos doces. No caso da Romênia, talvez seja melhor traduzido como "uvas sobremaduras", indicando que ficaram no pé um pouquinho mais do que a "plena maturação", para resultar em um vinho com taninos mais polidos, e aromas a frutas mais maduras, até mesmo um pouco compotadas.

É um vinho de cor rubi intensa, corpo médio/alto, com taninos polidos e bem presentes (M+), e acidez na medida (M+). Nos aromas, salta da taça o chocolate (que associo ao carvalho romeno), mas também há geléia de amora, mirtilo, um pouco de figo, tostado, notas de especiarias doces, como cravo e pimenta-da-Jamaica. Sua estrutura lhe permite ser guardado ainda por muitos anos. Esta última garrafa, ainda guardei por um par de anos, mas as circunstâncias não me permitiram guardá-la por mais.

8 de dezembro de 2021

A linhagem das Noiriens

Além de uma das principais variedades do mundo, e queridinha da maioria dos connoisseurs de vinho, a Pinot Noir é também uma das variedades mais antigas, dentre as que continuam em produção. Seu primeiro registro data de 1283, sob o nome Moreillon, mas há teoria aceita de que possa ter pelo menos 2000 anos. E todo esse tempo trouxe duas conseqüências:
  • ela possui uma grande variabilidade clonal. Alguns clones são tão distintos, que são tomados por variedades diferentes, como o caso de Pinot Blanc, Pinot Gris, Pinot Meunier e Pinot Precoce.
  • ela gerou uma infinidade de outras variedades pelo cruzamento natural, ao longo dos séculos, como é o caso da Chardonnay e da Gamay.

A Pinot Noir, junto aos seus clones e descendentes, são classificados na ampelografia (o estudo das variedades de uva) como a família das Noiriens, sendo este um sinônimo, em desuso, da Pinot Noir.