Melhores de 2014

Começamos mais um ano, e por isso chegou a hora de fazermos uma retrospectiva do que passou. No caso deste texto, uma retrospectiva dos melhores vinhos que tomei este ano. Meu critério, em vez de criar um ranking ordenado, baseado em notas que comparam vinhos completamente diferentes entre si, eu simplesmente segui meu critério de escolher os vinhos que mais me marcaram.

Abaixo, segue a lista dos vinhos, com uma descrição rápida, e o porquê eu o escolhi entre os melhores. Ao clicar no nome do vinho, é possível ver o texto original em que o descrevi com mais detalhes.

Rosés

O evento mais importante para o blog este ano foi a viagem à Provence, que emplacou dois rosés, só para não estender demais a lista! Além disso, merece destaque um excelente rosé da Bulgária que parece de verdade um rosé da Provence.
  • Château Grand Boise rosé 2013: um rosé da Provence, produzido na região de Sainte-Victoire. Porquê: um delicioso rosé da Provence, mais estruturado que a média, mas com preço convidativo.
  • Cuvée des Abbés rosé 2013: outro rosé da Provence, desta vez da genérica Côtes de Provence. Porquê: apesar de menos estruturado, e feito para ser bebido o mais jovem possível, tem uma cor encantadoramente singela, e possui típico perfil da Provence.
  • Logodaj Nobile Rosé 2013: rosé da Bulgária, feito da uva Melnik, produzido no vale do rio Struma. Porquê: ele não é da Provence, mas em uma degustação às cegas, passaria fácil por um: cor delicada, aromas cítricos, fresco e seco.

Tintos

A viagem à Provence também emplacou um tinto nesta lista. Os outros dois são um espanhol da tradicionalíssima Rioja, e um argentino envelhecido por 10 anos - que é completamente diferente de qualquer outro argentino que já tomei, e muito melhor.
  • Paternina Conde de Los Andes Gran Reserva 2004: um Gran Reserva da região de Rioja, Espanha, com 60 meses de envelhecimento em cave. Porquê: um vinho evoluído, com excelente bouquet, e preço muito amigável.
  • Montchenot Gran Reserva 2003: um corte, majoritariamente Cabernet Sauvignon, produzido em Mendoza. Ele envelhece 10 anos em tonéis, antes de ser engarrafado. Porquê: é o melhor vinho argentino que já tomei, disparado.
  • Quintessence Rouge 2011, Château Henri Bonnaud, Palette: tinto orgânico da Provence, feito com um corte das variedades mais comuns do sudeste francês (Grenache, Mourvèdre, Carignan, Syrah). Este é o topo de gama do produtor. Porquê: um vinho com estrutura formidável, elegante - mesmo com 15% de álcool - e extremamente aromático.

Brancos

Entre os brancos, Portugal monopolizou o espaço, com 2 Vinhos Verdes completamente diferentes entre si (mas cada um ideal para um certo momento), e um terceiro da desconhecida região de Távora-Varosa, das Terras do Demo.
  • Adega Ponte de Lima Loureiro 2012: Vinho Verde leve produzido com a variedade Loureiro. Porquê: seco, leve, com muita acidez e agulha, e delicioso aroma cítrico. É um vinho para se refrescar no calor, e para harmonizar com pratos difíceis.
  • Terras do Demo Branco Superior 2008: produzido em Távora-Varosa, Portugal, pela Cooperativa do Távora. É um corte de diversas castas portuguesas, e com estágio em barricas por 12 meses. Porquê: um grande vinho branco português, muito fresco, encorpado, sem excesso de madeira, e com ótimo preço.
  • Quinta de Alderiz Alvarinho 2012: Vinho Verde Alvarinho (Monção e Melgaço). Porquê: não tem agulha, é encorpado e untuoso, bem distinto de um típico Vinho Verde. Ainda assim, cheio de frescor, e com os aromas da Alvarinho, é um excelente vinho branco.

Espumantes

Também das Terras do Demo veio o espumante rosé, representando muito bem a qualidade dos espumantes portugueses. Mostrando que a Alemanha também pode produzir com muita qualidade, temos o Sekt orgânico e que leva eiswein como licor de expedição, garantindo um produto natural, sem aditivos sintéticos. Fechando a lista, um Cava Gran Reserva, com 5 anos de maturação sobre borras.
  • Terras do Demo Rosé Brut 2011: espumante brut rosé (ou cor de olho de perdiz), produzido pela Cooperativa do Távora, pelo método tradicional, com Touriga Nacional. Porquê: belíssima cor, ótima perlage, muito fresco, saboroso, e com ótima persistência aromática.
  • Sekt Vierlig Weissburgunder Brut 2008: espumante alemão, produzido com a variedade Pinot Blanc, pela família Zähringer. O licor de expedição dele foi eiswein do próprio produtor. Não teve açúcar adicionado diretamente. Porquê: se não bastasse o esmero com que foi produzido, é delicioso, complexo, muito aromático, e com ótima acidez.
  • Gramona III Lustros Gran Reserva Brut Nature 2004: um cava, espumante espanhol, produzido pela Casa Gramona, com 5 anos de maturação sobre as borras. Porquê: um vinho com intensos aromas de brioche, manteiga e avelãs, resultado do longo período de maturação.

Vinhos de sobremesa

Foi um ano cheio de vinhos de sobremesa fantásticos. Entraram na lista um Moscatel Roxo, de Setúbal (mais um de Portugal); um Tokaji Azsú, representando estes grandes vinhos da Hungria; e um Marsalla Secco, da Sicília, que não tem a grandeza dos outros dois, mas compensa com uma ótima relação custo-benefício.
  • Pellegrino Marsala Superiore Secco: vinho fortificado típico da Sicília, este é seco, e envelhecido por 2 anos em barricas. Porquê: o vinho me impressionou. Mais seco do que eu esperava, ainda assim, não tanto quanto um Jerez, por exemplo, ficou no equilíbrio perfeito. Além disso, tem um preço muito convidativo.
  • Andrássy Tokaji Aszú 4 Puttonyos 2006: Tokaji Aszú é um vinho de sobremesa da Hungria, feito com uvas botritizadas. Porquê: apesar da quantidade de açúcar monumental, tem uma acidez estridente, e não deixa o vinho ficar enjoativo. Pelo contrário, fazia salivar muito, e convida ao próximo gole.
  • Quinta da Bacalhôa Moscatel Roxo 1998: vinho fortificado da Península de Setúbal, produzido com a rara variedade Moscatel Roxo, e envelhecido em barris de whisky por 9 anos. Porquê: parece repetição do anterior, mas a imensa acidez equilibra a grande quantidade de açúcar, e o vinho fica deliciosamente fresco. Além disso, o delicioso aroma de cascas de laranja confitadas parece que não passa nunca: permanece no palato e na taça, por uma eternidade.

Veja também a lista dos melhores de 2013.

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