Melhores de 2017

Ano novo, retrospectiva nova. Não foi fácil para o mercado de vinhos: o cambio melhorou um pouco, mas os impostos, não; e os preços continuaram bastante salgados. Algumas importadoras descontinuaram a importação de rótulos mais caros, e substituiram por linhas mais baixas. Entre os sites de e-commerce, vendeu muito quem vendeu vinho barato - mesmo que fossem vinhos muito ruins - e em promoções constantes, sejam de descontos reais, ou fictícios.

Apesar das adversidades do mercado, não tenho do que reclamar. Entre vinhos que aguardavam na adega por uma ocasião especial, vinhos compartilhados por amigos igualmente entusiastas, algumas promoções reais tentadoras, e vinhos que simplesmente são bons sem serem caros, minha taça esteve bem abastecida de bons vinhos.

Este ano, um critério atípico pesou muito na minha escolha dos melhores do ano: as harmonizações. A maior parte dos eleitos foi acompanhada de algum prato memorável, que casou perfeitamente com o vinho, e o ajudou a brilhar ainda mais.

Selecionei dois tintos da Itália e um do Uruguai. Entre os brancos, 4 países diferentes, com destaque para o Chile. É isso mesmo, o Chile me conquistou esse ano, principalmente com as Bodegas RE: três vinhos entraram na lista, um rosé, e os outros dois, bem... considerados brancos por falta de definição melhor. Portugal, pra variar, também emplacou vários vinhos: um rosé, um espumante tinto, e dois de sobremesa. Para completar a lista, um botrytizado da Suíça, e um Champagne, básico.

Tintos

    Barbaresco Starderi 2001: da vinícola La Spinetta, que um amigo trouxe direto da Itália. Muito evoluído, complexo, mas ainda muito fresco e vivo, com acidez e taninos típicos da Nebbiolo. Arrasou junto a um filé ao molho de trufas.
    Pertinace Barbera D'Alba 2012: pedi o vinho desconfiado no restaurante, mas foi uma surpresa. Não se compara em termos de complexidade ao Barbaresco, mas caiu tão bem com o ossobuco, que pedimos mais uma garrafa.
    Km0 Gran Reserva Pinot Noir 2010: velho conhecido, produzido pela Bodega Irurtia no Uruguai, já tomei várias garrafas. Não tenho grande conhecimento em Crus da Borgonha, mas do que eu conheço de Pinot, esse é meu preferido: elegante como deve ser, bom frescor, bom volume de boca, e boa complexidade. Quando tem cordeiro, é a minha escolha.

Brancos

    Domdechant Werner Hochheimer Riesling Trocken 2011: tomei deste exemplar em duas ocasiões, sem harmonização, mas ele é tão bom, que garantiu por si só um lugar nessa lista. Delicioso, com a tipicidade da Riesling, e a complexidade que só os melhores exemplares apresentam.
    Viña Tondonia Blanco Reserva 1999: um amigo trouxe este néctar direto da Espanha, para dividir com os colegas de confraria. Um espetáculo de vinho, para quem sabe apreciar brancos assim, pois são bem diferentes do que estamos acostumados. Foi o paladar do Século XIX em minha taça.
    Casa Marín Gewurztraminer Casona Vineyard 2007: não sou fã dessa uva, mas provei um punhado deles que me agradaram. E este da Casa Marín foi o melhor que já provei. Com 10 anos, tem o frescor que falta em muitos outros; e ainda traz a complexidade dos anos. Irrepreensível. Melhor ainda ficou com uma harmonização 'regional' da Alsácia, com uma massa ao queijo Münster.
    Artisan Tămâioasă Românească Sec 2012: esta é a minha linha favorita de vinhos da Aurelia Visinescu. Em 2015, minha lista incluiu a versão demi-sec; que continua deliciosa; mas desta vez, coloquei a versão seca, devido à harmonização muito bem sucedida com um clássico chileno: o pastel de choclo.
    RE Chardonnoir 2013 e RE Velado 2012: dois vinhos surpreendentes das Bodegas RE, no Chile. Vinhos "fora da caixa", alheios a classificações. São considerados brancos por falta de melhor definição, pois não têm cor nem sabor que os caracterizem nem como brancos, nem rosés, nem nada. Mas, independente disso, são memoráveis. Acompanharam respectivamente uma frigideira de frutos do mar e um robalo em crosta crocante com molho a base de vinho e caviar.

Rosés

    Bodegas RE Pinotel 2015: e as Bodegas RE surpreendem novamente. Este é um rosé assumido, composto basicamente de Pinot Noir, mas com um toque de Moscatel Rosada, que contribui com a expressão aromática. Fresco e intenso, com uma acidez muito difícil de se encontrar em rosés, ficou uma delícia acompanhando um spaghetti al scampi.
    Covela Rosé 2015: este rosé da renomada Quinta de Covela é uma escolha certeira, quando se precisa de um vinho versátil. Um rosé de cor delicada, mas de bom volume de boca, boa acidez, acompanha quase qualquer prato.

Espumantes

    Champagne Piper Heidsieck: mais um velho conhecido, na minha opinião, este Champagne dá de 10 no Veuve Clicquot, e custa menos. Este ano, apareceu no supermercado Pão de Açúcar, chegou a sair a R$100 em promoção. Me segurei pra comprar só 5, mas a vontade era de comprar caixas.
    Raposeira Super Reserva Tinto Bruto: excêntricos para nós, os espumantes tintos são razoavelmente populares em Portugal, onde costumam acompanhar carne de porco, principalmente o Leitão à Bairrada. Comprei duas garrafas, um amigo preparou o leitão pra turma, e pudemos perceber porque os portugueses apreciam tanto a parceria.

Sobremesa

    Dalva Porto Colheita 1977: este, eu trouxe da 'terrinha', empolgado com os Portos da marca Dalva. Chamei a turma para tomarmos um vinho, e fechamos com esse, acompanhado de uma verrine de figo rami, creme de queijo mascarpone, e nozes caramelizadas. Vinho espetacular, harmonização fenomenal!
    Bacalhôa Moscatel Roxo 2002: Portugal é campeão nos vinhos de sobremesa. As notas de oxidação dos 10 anos de envelhecimento deste vinho se mesclam ao cítrico perfumado da Moscatel, com uma concentração e acidez invejáveis. Este foi trazido de Portugal sob encomenda, e aberto com amigos, acompanhando um crème brulée, mas o show mesmo, foi ele.
    Domaine Tourbillon 2008: vinho doce da Suíça, feito de uvas botrytizadas, com muita concentração e acidez. Uma amiga trouxe essa garrafa da Suíça, e nosso amigo chef fez um bolo especificamente para casar com ele: recheado com baba-de-moça (coco e abacaxi), e coberto de merengue com raspas de limão. Divino.


Estou ansioso para ver o que nos aguarda em 2018. Feliz ano novo!

PS: Veja também a lista dos melhores de 2016.

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