19 de junho de 2016

Cantu Day BH

O Cantu Day - a feira de vinhos da Cantu Importadora - já conquistou seu espaço no calendário nacional de eventos relacionados ao vinho. O evento vem sendo promovido desde 2014; e em vez de se centralizar em um evento único, a importadora optou por ampliar sua zona de ação, realizando edições em algumas capitais estratégicas. Essa abordagem tem trazido bons frutos, pois a importadora - que iniciou suas operações em 2013 - teve um crescimento de 33% em 2015, já é uma das 10 grandes importadoras do país, e tem planos de se colocar entre as 5 maiores nos próximos anos.

Pôr-do-sol em BH - não foi no dia da feira, foi dois dias depois

Eu já havia sido convidado em outras oportunidades para atender ao Cantu Day, em São Paulo, mas com minha atividade profissional baseada em Campinas, fica complicado participar de um evento na capital paulista durante a semana. Mas este ano, veio a calhar que estava em BH visitando meus pais, exatamente durante o período de realização da feira. E com isso, aproveitei para atender ao evento na capital mineira.

A importadora apresentou mais de 150 rótulos, de todos os países que possui em seu portfólio: França, Itália, Portugal, Espanha, Chile, Argentina, Uruguai, Estados Unidos, África do Sul, Austrália e Alemanha. Na maioria, os próprios funcionários da importadora faziam as apresentações, mas em alguns casos tivemos a presença de alguns produtores, o que torna a apresentação ainda mais interessante.


Um dos produtores a enviar representantes foi a Settesoli, da Sicília, que é uma das adições mais recentes ao portfólio da importadora. O Settesoli Pinot Grigio 2014 é uma curiosidade, já que a Pinot Grigio é mais comum nos vinhos do Vêneto, do lado oposto da Itália. Mas apesar do clima bem mais quente da ilha, a vinícola logrou obter um vinho vibrante, equilibrando ótima acidez, com o corpo ligeiramente mais estruturado, e por um preço que deve sair abaixo de R$50 para o consumidor final.

A Cantu importa também os vinhos da Terresole, vinícola baseada na Campania, que vem a ser a região ao redor de Nápoles. As variedades típicas da região - desconhecidas da maioria de nós - fazem seus vinhos autênticos, exóticos, saborosos e estruturados. Mesmo o branco Falanghina 2013 ou o rosé Irpinia 2013, feito de Aglianico, mostram estrutura acima da média para seus estilos.

Ainda da Itália, a importadora traz bons exemplares dos grandes clássicos, como o Barolo del Comune di Serralunga D'Alba 2008, da vinícola Rivetto, além do Barbaresco Brovida Corbara 2011, e o Giacomo Montresor Amarone della Valpolicella 2012.


O portfólio da França também é extenso, com rótulos de regiões badaladas, como Margaux, Pomerol, Saint-Émilion Grand Cru, Pommard, Côte-Rotie, Chateauneuf-du-Pape, mas a garrafa que o Emil - consultor de importação da Cantu - escondia debaixo do balcão era o Brouilly Cuvée du Commandeur 2013, um Cru de Beaujolais que põe por água abaixo qualquer preconceito que possa existir contra a variedade Gamay. Além dele, destaque para o espumante Lanson - patrocinador do torneio de Wimbledon de Tênis; e para o Château Les Compères Sauternes 2011: um Sauternes de sabor intenso, e bastante caráter botrytizado.

Já o portfólio da Espanha é pequeno, mas tem opções campeãs de relação qualidade-preço. Os destaques para mim são o Flavium 2008, da DO Bierzo e feito com a uva Mencía - por R$77 - e o Cims del Monsant 2010, da DO Monsant - por R$110. Ambos exemplares complexos, macios, elegantes, sem exagero na barrica.


Também é pequena a lista de vinhos alemães. Mas em compensação, o Schloss Joannisberg Riesling Spätlese 2012 é um vinho de colheita tardia de se tomar de joelhos: intensa complexidade e tipicidade - muito petrolato, cera de abelha, laranja cristalizada, pêssegos em compota - e uma persistência impecável.


Além de rótulos de alta gama, também era possível provar uma série de best-sellers da importadora, como a linha Crios de Suzana Balbo, Argentina (pra mim, se destacam o Rosé de Malbec, e o Torrontés); a linha Condado Real, da Espanha (já comentei a respeito do branco aqui); os chilenos da Viña Ventisquero, os portugueses da Quinta dos Bons Ventos, a Yellow Tail, da Austrália, entre outros.

Além de bons vinhos, o evento tirou nota 10 em estrutura: com disponibilização de taças limpas - para podermos trocar de vez em quando - e água, muita água, para limpar taças e para se hidratar. Estes deveriam ser requisitos básicos em eventos do tipo, mas que infelizmente nem toda feira de vinhos oferece. E como diferencial, a organização disponibilizou uma mesa de queijos, embutidos e patês - reposta a todo instante - que além de ajudar a forrar o estômago, permitia testar algumas harmonizações, como o Sauternes ou o Spätlese com queijo gorgonzola. Fica uma delícia!


Com essa determinação, organização, e uma ampla gama de produtos, a Cantu Importadora já colhe os resultados de sua estratégia. O Cantu Day já é um sucesso. Espero que ela inspire outras importadoras e feiras a realizarem eventos em mais cidades distintas, buscando ir atrás de um novo público para o vinho, formar um novo público, e assim fazer crescer o mercado do vinho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sintam-se livres para comentar, criticar, ou fazer perguntas. É possível comentar anonimamente, com perfil do Google, ou com qualquer uma das formas disponíveis abaixo. Caso prefiram, podem enviar uma mensagem privada para sobrevinhoseafins@gmail.com.