2 de janeiro de 2014

Periquita Reserva 2010


Desde a época da faculdade, quando a grana era 'curta', o vinho Periquita era uma das minhas compras favoritas. Bom custo e satisfação garantida. Na época, custava menos de R$20. Parei de tomá-lo com frequência por volta de 2004, quando trocou de rótulo, ganhou meio ponto percentual de álcool, e quase duplicou de preço. Meu pai também gosta bastante do vinho, sendo uma opção de segurança. Porém, ele e eu nunca havíamos saído do básico, e tomamos sempre o Periquita tradicional.

Quando, no final do ano passado, uma amiga da Thais nos presenteou com um Periquita Reserva 2010, imediatamente pensei que esta era uma garrafa para dividir com meu pai. E, neste final de ano que fui à casa dos meus pais, levei comigo a garrafa.

Levei-a na bagagem de mão, opção mais recomendada em um vôo nacional, apesar do risco de perder a garrafa pela constante falta de critério dos fiscais da Infraero. Desta vez, a funcionária, ao ver a sacola com as duas garrafas de vinho (eu levei também uma garrafa de outro vinho, que não vem ao caso) e claramente ver que estavam fechadas, lacradas, e com aquele selo tosco do IPI, fez questão de retirar as duas da sacola, talvez para ver se era um vinho de que ela gostava. Ou sei lá por que outro motivo. E não é que o lacre de plástico da garrafa saiu na mão dela? Na hora, meu sangue gelou, e achei que teria que descartar a garrafa, pois ela poderia acusar que estava aberta. Mas desta vez ela estava de bom humor, e preferiu fingir que nada havia acontecido. Ela recolocou o lacre sobre o bico, retornou a tela de proteção das duas garrafas, e me entregou. A garrafa havia passado pelo pesadelo da Infraero!

Na casa de meus pais, neste dia 02, finalmente abrimos a garrafa. Era noite quente, com calor amenizado por uma brisa agradável, e ficamos na varanda, olhando a vista noturna da cidade, a partir do alto da Serra. Tomamos o vinho acompanhado de castanhas de caju, amêndoas salgadas e queijo Minas regado com azeite.

O Periquita Reserva 2010 é um Vinho Regional da Península de Setúbal, feito a base de Castelão, Touriga Nacional e Tourga Franca, com estágio de 8 meses em barricas. Curiosamente, foi classificado como semi-seco pela legislação brasileira, mesmo não tendo nenhum traço de doçura. Tinha cor de intensidade média, começando a mostrar reflexos atijolados. O aroma trazia algo de frutas vermelhas, mas era dominado pela madeira, com muitas especiarias doces (principalmente baunilha) e algo de couro. Tinha taninos macios, corpo médio, e a acidez poderia ser um pouco maior.

Não sei se o enólogo errou a mão na madeira, ou se o vinho já estava cansado; mas a madeira se sobressaiu. Não estava intomável, mas baseando-me nessa experiência, fiquei com a impressão de que o Periquita original é melhor. Mas o mais importante é a companhia, portanto foi uma noite bastante agradável, e tomamos a garrafa toda.

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